terça-feira, 17 de abril de 2012

LIÇÃO 4: ESMIRNA, A IGREJA CONFESSANTE E MÁRTIR


Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

2º Trimestre de 2012

Título: As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja

Comentarista: Claudionor de Andrade

Data: 22 de Abril de 2012

TEXTO ÁUREO

“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10c).

VERDADE PRÁTICA

Nada poderá calar a Igreja de Cristo, nem a própria morte.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

APOCALIPSE 2.8-11.

8 - E ao anjo da igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu:
9 - Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de Satanás.
10 - Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
11 - Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte.

Palavra Chave

Mártir: Quem é submetido a suplícios ou à morte, pela recusa de renunciar os seus princípios.

INTRODUÇÃO

“Esmirna” vem de “mirra”, uma erva amarga. Logo, “Esmirna” significa amargura, um nome bem característico para uma igreja que estava enfrentando perseguição. A Igreja em Esmirna estava atravessando um momento de prova e o futuro imediato era ainda mais sombrio. Há três coisas nesta carta com relação a esta prova.

(1) É tribulação. Já vimos que esta palavra, no idioma original, o grego do Novo Testamento, significava simplesmente a sensação do que é apertado por um peso ou força. A pressão dos acontecimentos pesava sobre a Igreja de Esmirna, e a força das circunstâncias procurava obrigála a que abandonasse sua fé.

(2) É pobreza. No Novo Testamento a pobreza e a fé em Cristo estão intimamente relacionadas. "Bem-aventurados os pobres", diz Jesus (Lucas 6.20). Tiago diz que Deus escolhe os pobres deste mundo para que sejam ricos na fé (Tiago 2.5).

Devemos tomar nota da palavra que se usa neste caso. Em grego há duas palavras que designam o pobre. Uma, a que se usa aqui, é ptojia. A outra é penia. Esta define a condição do homem que deve trabalhar com suas mãos para ganhar o sustento. A primeira, pelo contrário, denota a destituição total. Em outras palavras, penia é o homem que carece do supérfluo, ptojia o que não tem nem sequer o essencial.

A pobreza dos cristãos devia-se a duas razões. Devia-se a que a maioria dentre eles pertencia às classes mais baixas da sociedade, e muitos deles eram escravos. O abismo entre os estratos sociais mais baixos e os mais altos não é coisa nova. No mundo antigo era ainda maior que em nossa época. Estas cartas foram escritas a Igrejas asiáticas, mas sabemos que nessa mesma época em Roma os classes sociais mais baixas literalmente morriam de fome quando os ventos contrários atrasavam os carregamentos de cereais provenientes de Alexandria e fazia-se impossível distribuir a farinha gratuita que recebiam como único meio de sustento. Os primeiros cristãos sabiam o que é a pobreza absoluta.

Mas havia outra razão para que os cristãos fossem pobres. Ocorria muito frequentemente, naquela época, que as casas dos cristãos eram saqueadas por multidões avivadas. Assim, ficavam sem recursos de tudo o que poderiam ter. Não era coisa fácil ser cristão nos tempos de João, na cidade de Esmirna ou em qualquer outro lugar do mundo antigo.

(3) Em terceiro lugar, o cárcere. João prevê um encarceramento de dez dias. Esta cifra não se deve interpretar literalmente. Segundo o costume antigo ao falar de "dez dias" fazia-se referência a um período curto de tempo. Esta profecia, portanto, é ao mesmo tempo uma ameaça e uma promessa. Virão dias mais difíceis e os crentes serão encarcerados por sua fé; entretanto, ainda que dura, a prova não demorará muito em ser superada. Devem destacar-se duas coisas.

Primeiro, foi desta maneira, exatamente, como sucedeu. Ser cristão era contra a lei, mas as perseguições não foram muito prolongadas nem contínuas. Durante longos espaços de tempo, os cristãos eram deixados em paz. Inesperadamente, entretanto, um governador de província podia pensar que era necessário "ajustar os parafusos", ou as multidões lançar uma "caça" de cristãos — então estalava a tormenta e descia sobre a Igreja a perseguição. Ser cristão era estar submetido a uma constante incerteza.

Em segundo, lugar, ir ao cárcere pode nos parecer algo não muito terrível. De toda maneira, é melhor que a morte. Mas no mundo antigo o cárcere não era mais que uma sala de espera do sepulcro. O Estado não se preocupava com a sorte dos presos. A forma mais comum de terminar uma condenação era morrendo de fome, peste ou esgotamento.


COMENTÁRIO

I. “...ao anjo da igreja”. Podemos ver neste versículo, uma referência a pessoa de Policarpo; esse pastor nasceu em (69 d. C.), e morreu em (159 d. C.). O Dr. Russell Norman, diz que a etimologia do nome “Policarpo” significa “muito forte” ou “frutífero”. Policarpo foi discípulo pessoal do Apóstolo João, homem muito consagrado, foi o “principal pastor” da igreja de Esmirna durante o exílio do Apóstolo em Patmos. “A narrativa de seu martírio é narrado por Eusébio, em sua História Eclesiástica iv 15 e em Mart. Polyc. caps. 12 e 13, págs. 1037 e 1042. Foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores teatros abertos da Ásia Menor, parte da qual construção permanece de pé até hoje”. Policarpo, deve ser realmente, o “anjo” do texto em foco, pois as evidências assim o declara (cf. Ec 7.27).

1. ESMIRNA. O nome “Esmirna” significa “mirra”, a palavra usada três vezes nos Evangelhos (Mateus 2.11; Marcos 15.23; João 19.39). De acordo com H. Lockyer, “O nome descreve bem a igreja perseguida até a morte, embalsamada nos perfumes prévios de seu sofrimento, tal como foi a igreja de Esmirna. Foi a igreja da mirra ou amargura; entretanto, foi agradável e preciosa para o Senhor”. Esmirna também é famosa por ser a terra natal de Homero (o poeta cego da mitologia grega) e como lar de Policarpo (bispo de Esmirna).

Situação Geográfica: esta cidade encrava-se no pequeno continente da Ásia Menor. Em 1970, Esmirna já contava com cerca de 63000 habitantes e é, atualmente, a principal cidade turca, denominada Izmir. Os muçulmanos chamam-na “Izmir e infiel”. O Rio Meles, famoso na literatura, também era adorado em Esmirna. Próximo à nascente desse rio ficava a caverna onde, dizem, Homero compunha seus poemas. Com a conquista do Oriente pelos romanos, Esmirna, passou a fazer parte da província romana da Ásia. A cidade de Esmirna, cujo nome significa: “mirra”, caracterizou-se pela forte oposição e resistência ao cristianismo no primeiro século da nossa era. A igreja local originou-se da grande colônia judaica ali estabelecida. Em Esmirna, no ano (159 d. C.), Policarpo, seu bispo, foi martirizado.

2. Isto diz o primeiro e o último. Já tivemos oportunidade de encontrar este título aplicado a pessoa de Cristo em Ap 1.16, onde o mesmo é amplamente comentado e ilustrado pelo nosso alfabeto português. “Cristo é o primeiro” quanto ao tempo e à importância. Ele é a fonte originária de toda e qualquer vida, seu princípio mesmo. O fato de que Cristo é o “princípio”, equivale à declaração de que Ele é o “Alfa”. E o fato de ser o “Último” equivale a ser o “Ômega”. Ele é o Princípio e o Fim, O Primeiro e o Último, o “a” e o “z”; nós nos encontramos no meio. Mas Cristo continua a existir! Na qualidade de ser Ele o “último”, pode-se dizer o seguinte sobre Cristo (a) Ele é a razão mesmo da existência; (b) Ele é o princípio da vida após a morte; (c) Ele é o alvo de toda a existência, o Ômega.

I. “...Eu sei as tuas obras”. O Senhor Jesus, não só conhecia as “obras” desta igreja fiel, mas, de um modo especial a sua “tribulação”. No grego clássico, tribulação, é “thlipsis”, significa “pressão”, derivado de “thlibo”, que tem o sentido geral de “pressionar”, “afligir”, etc. Nas páginas do Novo Testamento, em sentido comum (com exceção da palavra designada para um período de sete anos) tem o sentido de “perseguição” deflagrada, por aqueles que são aqui na terra inimigos do povo de Deus (cf. At 14.22).

1. E pobreza. O leitor deve observar o contraste que existia entre o “anjo” (pastor) da igreja de Esmirna, e o da igreja de Laodicéia (3.17). Cumpre-se aqui, portanto, um provérbio oriental que diz: “Aos olhos de Deus, existem homens ricos que são pobres e homens pobres que são ricos’. O sábio Salomão declara em Pv 13.7: “Há quem se faça rico (o pastor de Laodicéia), não tendo coisa nenhuma, e quem se faça pobre (o pastor de Esmirna), tendo grande riqueza”. O Dr. Champrin observa quem aqueles crentes (de Esmirna) eram pobres, mas não porque não trabalhassem – sendo essa a causa mais comum da pobreza de modo geral, mas devido às perseguições que sofriam. Suas propriedades e bens foram confiscados pelo poderio romano, e além de tudo esses servos de Deus, ainda sofriam encarceramento. Porém, está, declarado no presente texto, que eles eram ricos. Em que? Nas riquezas espirituais. Eles eram de fato ricos: nas obras, na fé, na oração, no amor não fingido, na leitura da Palavra de Deus, (à maneira de seus dias). Estas coisas diante de Deus: São as riquezas da alma! (Mt 6.20; 1Tm 6.17-19).

2. A blasfêmia dos que se dizem judeus. O Apóstolo Paulo escrevendo aos romanos diz: “...nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6b). “...não é judeu o que é exteriormente...” (Rm 2.28). Esses falso judeus, procuravam firmar sua origem no Patriarca Abraão, a exemplo dos demais, perseguiam a igreja sofredora da cidade de Esmirna na Ásia Menor (cf. At 14.2, 19, etc). Atualmente, o nome “Esmirna” no campo profético, representa a igreja subterrânea que sofre por amor a Cristo nos países da Cortina de Ferro.

I. “...Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão”. A oposição do grande inimigo de Deus e dos homens conforme mencionado no registro que João faz das sete igrejas jamais cessou. Satanás é citado num total de oito vezes no Apocalipse e cinco destas relacionam-se com as igrejas (6 vezes se incluirmos o termo “diabo” visto no presente texto). A “prisão” do versículo em foco, não se refere a uma “prisão” espiritual como tem sido interpretado por alguns estudiosos (cf. Lc 13.16), mas sim literal. “As perseguições promovidas pelos romanos àquela igreja, com a ajuda dos judeus (os que se dizem), foram obras de Satanás. Sob alegação de que os cristãos de Esmirna estavam “traindo” o imperador, houve um encarceramento em massa, e a seguir o imperador ordenou o martírio de muitos daqueles”. Em uma só catacumba de Roma foram encontrados os remanescentes ósseos de cento e setenta e quatro mil cristãos, calculadamente.

1. Tereis uma tribulação de dez dias. Os “dez dias” do presente texto, tem referência “histórica”, no primeiro caso, e profética no segundo. A Igreja sofreu “dez perseguições” distintas, desde o reinado do imperador Nero até ao de Diocleciano. “As dez grandes perseguições podem ser relacionadas desta forma: (a) Sob Nero: 64-68 d. C. (b) Sob Dominiciano: 68-96 d. C. (c) Sob Trajano: 104-117 d. C. (d) Sob Aurélio: 161-180 d. C. (e) Sob Severo: 200-211 d. C. (f) Sob Máximo: 235-237 d. C. (g) Sob Décio: 250-253 d. C. (h) Sob Valeriano: 257-260 d. C. (i) Sob Aureliano: 270-275 d. C. (j) Sob Diocleciano: 303-312 d. C. Durante esse tempo, a matança de cristãos foi tremenda. No campo profético as perseguições desencadeadas por Diocleciano perduraram dez anos (cf. Nm 14.34 e Ez 4.6).

I. “...Quem tem ouvidos, ouça!”. Ora, por nada menos de sete vezes nos evangelhos, e por oito vezes neste livro do Apocalipse: sete vezes para essas igrejas! reboa aquela chamada vital, aberta e particular, para quem quiser ter ouvidos abertos: “Quem tem ouvidos, que ouça!!!”.

1. O Mis. Orlando Boyer, diz que Cristo glorificado apresenta-se às sete igrejas em símbolos, partido e distribuído conforme as suas necessidades: (a) Para a igreja Ortodoxa e sempre em Éfeso, Cristo é Aquele que tem as sete igrejas na destra, isto é, que lhe sustenta a obra. 1.20 e 2.1; (b) À igreja atribulada em Esmirna, na véspera do tempo de martírio, Jesus apresenta-se como Aquele que havia experimentado a perseguição, até a morte e havia vencido. 1.17, 18 e 2.8; (c) À igreja descuidada de Pérgamo, Cristo glorificado é Quem maneja a Espada, dividindo a igreja do mundo. 1.16 e 2.12; (d) Para a igreja que declinava, Tiatira, Cristo é Juiz com olhos como chamas de fogo. 1.14 e 2.18; (e) Para a igreja morta, Sardes, Jesus tem os sete Espíritos de Deus e pode ressuscitar os crentes da morte para a vida. 3.1; (f) A igreja missionária, Filadélfia, Cristo é Quem quer abrir a porta: da evangelização. 3.7; (g) Para a igreja morna, Laodicéia, Cristo é a fiel e verdadeira testemunha tirando da igreja a máscara da satisfação em si mesma. 3.14

2. O dano da segunda morte. Somente no livro do Apocalipse se encontra a presente expressão: “A segunda morte”. Ela será destinada aos “vencidos”, mas nenhum poder terá sobre os “vencedores”. A segunda morte é a morte eterna. A frase aparece aqui (e em Ap 20.6, 14 e 21.18), onde o destino dos perdidos é descrito em termos de um lago de fogo e enxofre. Durante sua vida terrena, Cristo fez uma promessa, dizendo: “As portas do inferno (as forças do mal)” não teriam nenhum poder sobre a sua Igreja (Mt 16.18); esta promessa de Cristo é presente e escatológica: agora, e na eternidade!.

CONCLUSÃO

Esmirna também recebe seu Getsêmani. E tereis tribulação de (―durante) dez dias. A indicação de tempo faz recordar Dn 1.12,14, onde ela é expressão clara de um prazo breve (de forma similar em Gn 24.55; Nm 11.19; Jz 6.2-6). As tribulações são delimitadas por Deus. Apesar de entregue a gentios ou a Satanás, o Crucificado ainda assim estava nas mãos de Deus. Entregou seu espírito nas mãos de Deus! Deus é fiel, mesmo quando permite que seus amados sofram (1Co 10.13). Ele supervisiona o ―experimento. É por isso que esse parece ser moderado (Rm 8.18; 1Pe 5.10). – Para o historiador, nem a presente passagem nem Ap 2.13 formam o quadro de uma perseguição generalizada e fundamental dos cristãos, e nem para este momento nem para o futuro próximo. O mundo em redor é até tolerante com os judeus, o que no entanto não exclui uma repentina irrupção de violências por parte do povo em geral (cf. o exposto sobre Ap 2.3).

Não temas! Esse era o título da primeira metade do versículo. Independentemente do caminho que a igreja tiver de seguir, ela o andará atrás de Jesus e em conjunto com ele. Jesus se apresentou a ela como aquele que está vivo, i. é, como santo contemporâneo dela. Nesse ponto reside a profunda diferença entre o caminho de Cristo e a caminhada dos cristãos: ele o percorreu em solidão extrema. Ninguém foi capaz de vigiar com ele. Ninguém podia compreendê-lo e dizer-lhe: ―Eu sei! Mas ninguém mais precisa passar pela solidão última. Para os seguidores de Jesus sempre será, mesmo em caso extremo, a ―a comunhão dos seus (de Cristo) sofrimentos (Fp 3.10). Por isso, não temas!

A segunda parte do versículo leva adiante: Sê fiel até à morte. Aqui a fidelidade seguramente é outra vez a fidelidade da língua de Ap 1.5. Sê uma testemunha fiel! No NT não é fiel simplesmente aquele que permanece na fé até a hora de sua morte, mas o que continua sendo missionário, o que não somente tem a fé mas que a testemunha inabalavelmente.

A palavra Esmirna relaciona-se com a palavra mirra, que por sua vez é símbolo de morte. A história de Esmirna tem sido uma sucessão de saques, incêndios, destruições. Policarpo, um dos mais famosos mártires da antiguidade, foi Bispo de Esmirna. Esta cidade é a única das sete que ainda está em condições de desenvolvimento.


REFERÊNCIAS: 

BARCLAY, William, THE REVELATION OF JOHN.

MOODY, COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY.

POHL, Adolf, COMENTÁRIO ESPERANÇA, APOCALIPSE DE JOÃO.

SILVA, Severino Pedro da, APOCALIPSE VERSÍCULO POR VERSÍCULO.





terça-feira, 10 de abril de 2012

LIÇÃO 3: ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO


Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

2º Trimestre de 2012


Título: As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja

Comentarista: Claudionor de Andrade

Data: 15 de Abril de 2012

TEXTO ÁUREO


Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres(Ap 2.5).

 

VERDADE PRÁTICA


Se não voltarmos urgentemente ao primeiro amor, jamais viveremos o refrigério de um grande e poderoso avivamento.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


APOCALIPSE 2.1-7.

1 - Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
2 - Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;
3 - e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.
4 - Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
5 - Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
6 - Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.
7 - Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus.

PALAVRA CHAVE

Amor: Intenso afeto por outra pessoa; devoção e dedicação.

INTRODUÇÃO

Éfeso era a maior cidade da Ásia. É a única destas sete que ocupa um lugar triplo na literatura do N.T.: recebe bastante destaque em Atos (18.18 – 19.41); a esta igreja Paulo escreveu uma de suas epístolas; e a ela o Senhor que ascendeu ao céu enviou uma carta. Depois de elogiar a igreja pelo seu trabalho, paciência e intolerância para com os pseudo-apóstolos, o Senhor refere-se a uma trágica deficiência - ela perdera o seu primeiro amor (v. 4). 

Os elementos do primeiro amor são, então, a simplicidade e a pureza... O amor da Igreja por Cristo está exemplificado pelo amor da esposa e marido. Qual é então o amor de Cristo pela Igreja? Amor altruísta, amor no qual não há o menor lugar para o ego. Qual é então o amor da Igreja por Cristo? A resposta do amor ao mistério do amor, a submissão do amor ao amor perfeito. Primeiro amor é o amor do casamento. Suas características são a simplicidade, pureza, amor conjugal, reação do amor ao amor, a sujeição de um grande amor ao grande amor, a submissão de um amor auto-renunciante a um amor que nega o próprio ego.

COMENTÁRIO

O Senhor anda no meio dos sete candeeiros de ouro. A posição central significa mais do que indicação de lugar, a saber, posição-chave. Como Sumo Sacerdote (Ap 1.13) ele abastece as lâmpadas com óleo (cf. Zc 4.2). A fonte de luz é Ele, e não elas. Fica igualmente sugerido o tema da purificação dos candeeiros, ou seja, a autoridade do Senhor como Juiz (Ap 2.5).

I. “...Ao anjo da igreja”. Nada se sabe de certo quem era esse “anjo” nos dias em que esta carta estava sendo enviada, a não ser aquilo que depreende do texto em foco. Segundo o relato de Lucas em Atos 20, quando Paulo visitou a Ásia Menor, “...de Mileto mandou a Éfeso, chamar os anciãos da igreja. E, logo que chegaram juntos dele, disse-lhes...Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (At 20.17, 18, 28). Quando Paulo falou essas palavras, Timóteo era o pastor (anjo) da igreja de Éfeso (1Tm 1.3) e provavelmente Tíquico tenha sido seu substituto (At 20.4; Ef 6.21; 2Tm 4.12). O “anjo” a que Jesus se refere bem pode ser este último.

1. ÉFESO. O nome significa “desejado”. Situação Geográfica: a cidade de Éfeso se encravava no pequeno Continente da Ásia Menor. “Esta era a capital da província romana da Ásia. Com Antioquia da Síria e Alexandria no Egito, formavam o grupo das três maiores cidades do litoral leste do Mar Mediterrâneo. O seu tempo da “Diana dos efésios” (At 19.28) foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo”. Pelo menos duas vezes, Paulo esteve nessa cidade (At 18.19 e 19.1). Em sua terceira viagem por aquela região, ele não chegou até lá, mas estando em Mileto “mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da Igreja”. Essa igreja recebeu duas cartas: uma de Paulo (epístola aos efésios), e outra de Cristo (à que está em foco). A primeira em 64 d. C., a segunda em 96 d. C.

2. Notem-se as sete coisas comuns a todas as sete mensagens: (a) Todas são dirigidas “ao anjo da igreja”. 2.1, 8, 12, 18; 3.1, 7, 14. (b) Cada mensagem tem uma descrição abreviada daquele que a envia, tirada da visão de Cristo glorificado, no primeiro capítulo. (c) Cristo afirma a cada igreja: “Sei”. 2.2, 9, 13, 19; 3.1, 8, 15. (d) Todas as mensagens têm ou uma palavra de louvor ou censura. 2.4, 9, 14, 20; 3.2, 8-10, 16. (e) Cristo lembra Sua Vinda e o que há de acontecer conforme a conduta da própria pessoa, a todas as sete igrejas. (f) A cada igreja é repetido a frase: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. 2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13, 22. (g) Cada vez, há promessa explícita, para os vencedores do bom combate da fé: “Jesus diz: O que vencer!”. (Cf. 2.7, 11, 17, 26; 3.5, 12, 21).

I. “...os que dizem ser apóstolos”. Está em foco neste versículo, os chefes Gnósticos, que tinham arrogado para si o título de apóstolos de Cristo. Paulo diz que tais “...falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13b). Diante dos “anciãos de Éfeso”, Paulo os chamou de “...lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho” (Al 20.29a). Oito livros do Novo Testamento foram escritos contra formas diversas dessa heresia, a saber: (Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas). A Epístolas aos Efésios, o evangelho de João e o livro do Apocalipse, em alguns trechos esparsos, também refletem oposição a essa heresia. A igreja de Éfeso não suportava os tais gnósticos e por isso foi louvada pelo Senhor: “puseste à prova”. Esta expressão é o equivale dizer no grego: “Reprovaste-Os”.
 
1. A igreja de Éfeso, talvez tenha sido a de maior cuidado do ministério de Paulo; O Novo Testamento diz que, Paulo esteve em Éfeso, levando consigo Priscila e Áquila; e deixou-os ali (At 18.19); retornou mais tarde (19.1) e desta vez permaneceu dois anos, dedicado à pregação do Evangelho. Dessa maneira, todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra sobre o Senhor Jesus, assim judeus como gregos (At 19.10). Éfeso chegou mesmo a tornar-se o centro do mundo cristão. “As profecias de Paulo realizaram-se: poderá hoje, quem visita Éfeso saber onde era o lugar da casa ou templo em que a igreja se reunia? Tudo ruína! “Como homem, combati em Éfeso contra as bestas” disse Paulo: Feras humanas! (cf. 1Co 15.32)”.

I. “...tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome”. É evidente que os que tem esperança, esperam. E, “os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40.29, 31). No Salmo 89.19, há uma promessa de Deus para aquele que trabalha: “Socorri um que é esforçado: exaltei a um eleito do povo”. A inatividade na vida espiritual é condenada por Deus. No livro de Provérbios fala-se do “preguiçoso” cerca de 17 vezes, por isso é evidente que o Espírito Santo considera muito este perigo da mocidade, e de pessoas mais idosas. O preguiçoso é reprovado por covardia (Pv 21.25; 26.13), por negligenciar as oportunidade (Pv 12.27), os deveres (Pv 20.4), por desperdiçamento (Pv 18.9), por indolência (Pv 6.6, 9), por imaginar-se sábio (Pv 26.16). Ele é ainda comparado ao caçador que não assa sua caça, e portanto a come crua (Pv 12.27); concomitantemente, ele não leva sua mão à boca para não cansar o braço (Pv 26.15). A igreja de Éfeso era conhecida pelas obras: perseverava no trabalho; não cansava no serviço de Cristo. Note como se repete a palavra “paciência”; eram perseverantes no lidar (v. 2 ), e perseverantes no sofrer (v. 3).

I. “...A primeira caridade”. (O primeiro amor). A presente expressão, não significa “declínio da fé” como alguns, mas, antes, sugere um esfriamento no amor (Mt 24.12). Cerca de 30 anos antes desta carta, a igreja de Éfeso, tinha ardente caridade para com “todos os santos” (cf. Ef 3.18). Paulo chegou até a convidá-los a participarem da “...largura, e a altura e a profundidade” do amor de Deus, “...que excede todo o entendimento” (Ef 3.18-19). O desaparecimento gradual do amor fraternal no coração do salvo (Mt 24.12). Tem como resultado, o abandono da “primeira caridade”. Pedro disse aos seus leitores: “...sobretudo, tende ardente caridade...” (1Pe 4.8).

1. Cristo mencionou não menos que 9 características destacadas e louváveis que achou na igreja do Éfeso. Mas por isso podia desculpá-la da falta de amor. Apesar de qualquer esforço, ou de qualquer grau de sinceridade, gravíssimo é o nosso estado espiritual se nos faltar o amor: “...ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria”. “...ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria”. Esta é a grande declaração do Apóstolo Paulo, em 1Co 13.3-4. Se o cristão não tem amor, a vida espiritual também não tem sentido. “Nada Seria!”. Disse ele!.

I. “...Tirarei do seu lugar o teu castiçal”. Esta profecia do Senhor Jesus sobre a “remoção” do castiçal de Éfeso, não se cumpriu na igreja mas também na cidade. Alguém já disse com sabedoria: “Há tempo para perdão e tempo para juízo”. Cf. Ec 3.1. Por muito tempo o “castiçal” de Éfeso se manteve em pé; Deus estava-lhe dando uma oportunidade para arrependimento. Segundo o testemunho da História, ela isso não fez, e o juízo de Deus atingiu não somente o “castiçal” (igreja, mas também a cidade, e no quinto século sua glória declinou. “Hoje não resta nem opulência, nem mesmo templos pagãos suntuosos, nem o porto, que o próprio Mar destruiu e aterrou”. Éfeso era a igreja autêntica; ensinava a verdadeira doutrina de Cristo, e punha a prova os homens que se desviaram da fé uma vez para sempre entregue aos santos. Mas devia arrepender-se de uma falta grave: “Deixou 0 primeiro amor”. No contexto vivido; a melhor maneira de o cristão restaura a “primeira caridade”, é sem dúvida alguma: praticar “as primeiras obras”. Ambos exigências, foram exigidas na igreja de Éfeso.

I. “...os nicolaítas”. Não podemos determinar com certeza serem estes “nicolaítas” discípulos de “Nicolau”, o sétimo diácono (At 6.5). O texto divino escrito por São Lucas, afirma ser Nicolau, um homem de “boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6.3). O Apóstolo João, conhecia bem pessoalmente a Nicolau, e sem dúvida, no dia de sua separação para o diaconato (o texto em si não diz que aqueles sete foram separados para diáconos; mas o grego ali existente favorece o significado do pensamento: diáconos, três vezes, ministros, sete vezes e servos, vinte vezes), pôs suas mãos sobre ele (At 6.2, 6), é esta razão, além de muitas outras, motivo para não infligirmos na conduta deste servo de Deus, aquilo que ele não foi. Se assim o tivesse sido, João teria citado seu nome como fez com os outros inimigos da igreja. De acordo com C. I. Scofield, a palavra “Nicolau” quer dizer “Vencedor do Povo”, e o termo “nicolaítas” que vem no superlativo tem quase o mesmo sentido: Nico é um termo grego que significa conquistar ou subjulgar. Laitanes é a palavra grega de onde se deriva nosso vocábulo “leigo”. Nas cartas do Apocalipse, quando é mencionada uma doutrina ou ato de uma pessoa, comumente se usa mencionar seu nome, por exemplo: “doutrina de Balaão” (2.14); “os trono de Satanás” (2.13); “sinagoga de Satanás” (2.9 e 3.9); “as profundezas de Satanás” (2.24); “toleras Jezabel”, etc. (2.20). Quanto aos nicolaítas”, o estilo muda completamente como pode muito bem ser observado: a frase “as obras dos nicolaítas” (2.6), e “doutrina dos nicolaítas” (2.15). O presente texto, diz: “As obras de Nicolau” (a pessoa); nem a “doutrina de Nicolau” (um dos sete). O leitor deve observar a frase pluralizada: “As obras (dos) nicolaítas” e “doutrina (dos) nicolaítas”. Estas expressões referem-se a um grupo e não a uma pessoa.

1. Outro ponto de vista sobre o assunto que deve ser observado é que Nicolau “era prosélito de Antioquia” (At 6.5); separado para o diaconato, servia na igreja de Jerusalém. O livro de Atos dos Apóstolos não fala de Nicolau como tendo-se destacado como missionário itinerante, a exemplo de Estevão e Filipe (At 6.8 e 21.8). É evidente que sua esfera de trabalho foi local; ele não alcançou lugares distantes como Éfeso e Pérgamo. Pelo que sabemos, não é mencionado mesmo ante ou depois de Cristo, um homem chamado Nicolau que tenha fundado uma seita, a não ser aquilo depreendido e focalizado do texto em foco. Se essa palavra é simbólica, vemos, neste vocábulo, “nicolaítas”, o começo do controle sacerdotal ou eclesiástico sobre as congregações (igrejas) cristãs individuais. O Sr. A. E. Bloomfield declara o que segue: “Os movimentos das igrejas, visando poder político e prestígio social mediante uniões, federações e alianças mundanas, são ‘doutrinas e obras” dos nicolaítas. Trata-se do esforço de restaurar, por métodos humanos, aquilo que se perdeu (o primeiro amor)”. Observemos dois pontos focais ainda sobre o presente assunto:
(a) Tudo indica que “nicolaítas”, refere-se ao começo da noção de uma ordem sacerdotal na igreja: “clero” e “leigos”. Tudo nos faz crer, que esta seita denominada de “nicolaítas” faz parte de um “sistema” gnóstico existente naqueles dias; pode ser isso o sentido real do que temos aqui.
(b) Como já ficou estabelecido acima: “...Em época posterior a Cristo, houve uma seita gnóstica conhecida por “os nicolaítas”, a qual é mencionada por Tertuliano de Cartago. Que também era de índole gnóstica”.

I. “...a comer da árvore da vida”. O vencedor recebe a promessa de que se alimentará da árvore da vida. Este livro fecha com uma “bem-aventurança” sobre os que têm à árvore da vida” (22.14). Em Apocalipse não aparece mais a “árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2.17), mas de um modo especial a “árvore da vida”. O comer da árvore da vida expressa a participação na vida eterna.

1. O simbolismo da árvore da vida aparece em todas as mitologias, desde a Índia, até à Escandinávia. Os rabinos judeus e ismaelitas chamavam de “árvore da provação”. O Zend Avesta tem a sua própria árvore da vida, chamada de “Destruidora da Morte”. Para nós, porém, o comer da árvore da vida, significa o direito de ser revestido da imortalidade (Ap 22.19). Algumas Bíblias trazem: “comer”. Mas, sem outras, ‘se alimente” (Almeida, 1969 é mais expressiva). A sabedoria divina divide os homens em duas classes: a dos vencedores e a dos vencidos (2Pd 2.20). Os vencedores comerão: “da árvore da vida” no Paraíso de Deus. No Éden, aos vencidos foi vedado a oportunidade de comer dessa árvore, para que não vivessem para sempre na miséria (Gn 3.22). Mas aos vencedores, na maior felicidade, será concedido comer e viver eternamente.


CONCLUSÃO

Para todos os que desejavam viajar a algum lugar da Ásia, Éfeso era a entrada obrigatória. Estava estabelecido num estatuto que o procônsul romano que devia resumir o comando da Ásia devia desembarcar em Éfeso. Para todos os viajantes do Oriente, que podiam vir dos mais próximos vales do Cayster ou o Meandro, ou das longínquas Galácia e Mesopotâmia, Éfeso era a entrada para Roma. Anos mais tarde, quando muitos mártires foram capturados na Ásia e levados a Roma para serem lançados aos leões, Inácio rebatizou a Éfeso de "a porta dos mártires". Esta posição converteu Éfeso na maior e mais rica de todas as cidades da Ásia. Para com ela e desde ela fluía uma corrente incessante de homens e mercadorias. Poderia conceber-lhe como a "feira de vaidades" do mundo antigo.


REFERÊNCIAS: 


BARCLAY, William, THE REVELATION OF JOHN.

MOODY, COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY.

POHL, Adolf, COMENTÁRIO ESPERANÇA, APOCALIPSE DE JOÃO.

SILVA, Severino Pedro da, APOCALIPSE VERSÍCULO POR VERSÍCULO.