terça-feira, 16 de agosto de 2016

OS MITOS DA RELIGIÃO

OS MITOS DA RELIGIÃO

Sendo o homem um ser religioso, vem ele cristalizando, ao longo de sua romaria espiritual, alguns mitos em torno da religião. Tais mitos, na verdade, não passam de subterfúgios, que o levam a esconder-se da face divina. Veremos, a seguir, três mitos que têm ludibriado inúmeras pessoas em todo o mundo e bloqueado suas mentes para não conhecer o verdadeiro caminho que leva o ser humano a Deus.

MITO UM: TODAS AS RELIGIÕES SÃO BOAS. Ou prestamos cultos a Deus, ou a nós mesmos e a Satanás. Mas, digamos que todas as religiões são boas. Vejamos, por exemplo, o caso de Moloque. Em sua adoração, os amonitas queimavam suas criancinhas (Lv 18.21; Jr 32.35). E, no culto a Baal-Peor, divindade venerada pelos midianitas e moabitas, os desregramentos sexuais não tinham limites (Oséias 9.10). A prática de tais abominações levou o Senhor a castigar severamente a Israel (Nm 25; Jr 32.35). Logo, nem todas as religiões são boas. Pense no islamismo que, para expandir-se, apregoa uma guerra tido como santa. Aos olhos dos radicais, todos os povos, acreditando ou não em suas narrativas e proposições, têm de se curvar a Maomé. Portanto, a afirmação de que todas as religiões são boas não prevalece. Também de forma lógica não se pode fazer tal afirmação. Para os cristãos autênticos, Jesus Cristo é o filho de Deus que se fez homem. Assim, o Cristianismo tem algo que nenhuma outra religião tem.

MITO DOIS: TODAS AS RELIGIÕES LEVAM A DEUS. Se isso for verdade (o que não é) a morte de Jesus na cruz não tem nenhuma validade. Muitas pessoas acham que todas as religiões apresentam caminhos válidos para se encontrar Deus e entender o sentido da vida. Quem nunca ouviu alguém dizer: “não importa a que religião você pertence, todas elas levam ao mesmo Deus”? Na sociedade pós-moderna, tolerante ou pluralista, em que vivemos, essas ideias são populares. Quem pensa de outra maneira é encarado como alguém de mente fechada, até mesmo intolerante. Todavia, a Bíblia não fala de muitos caminhos que levam ao céu, senão só de um. Só um: “E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.14). A Bíblia também fala de outro caminho, mas, este não leva ao céu. Leva a destruição. “Larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” (Mt 7.13). Então, de qual religião será esse caminho que leva ao céu? Qual denominação pode nos salvar? Nenhuma! Jesus é esse caminho que nos pode levar ao céu. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). O apóstolo Pedro disse a respeito de Jesus: “Debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Viemos, pois, no tempo de Paulo, a civilização greco-latina dava-se ao culto aos demônios (1 Co 10.20,21). Hoje, não é diferente. Muitos, declaradamente, prestam culto a Satanás.

MITO TRÊS: NENHUMA RELIGIÃO É VERDADEIRA. Tiago afirma que “a religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27). Aqui, Tiago afirma o seguinte: A verdadeira religião é amar o próximo. Tiago associa, dentro da comunidade cristã, a verdadeira religião com práticas adequadas, e mostrando que a fé verdadeira está associada não apenas à fé, mas com o que fazemos para espelhar nossa fé. O amor ao próximo não é o conteúdo do cristianismo, mas sua expressão. A preocupação prática da religião de uma pessoa é o cuidado pelos outros. A religião é a prática da fé, é a fé em ação. Palavras não substituem obras (Tg 2.14-18; 1 João 3.11-18). A religião pura e verdadeira vai muito além de doutrinas e ritos. Hoje há um grande abismo entre o que professamos e o que vivemos; entre o que dizemos e o que fazemos; entre a nossa profissão de fé e a nossa prática de vida; entre o cristianismo teórico e o cristianismo prático. Esse distanciamento entre verdades inseparáveis, essa falta de consistência e coerência, dá à luz uma religião esquizofrênica e farisaica. Não é o fato de pertencer a qualquer religião que garante a chegada ao céu, porque somente uma religião é o caminho ao céu - Jesus. E somente conhecer que ele é o caminho ao céu, tampouco nos leva ali. Temos que tomar esse caminho se quisermos chegar ao céu. Teremos que andar com Jesus. Ele tem que viver e governar nossos corações não somente em palavras, “mas por obra e em verdade” (1 Jo 3.18). A Bíblia não fala de diferentes religiões ou denominações das quais temos que escolher ‘a melhor’, a ‘mais certa’ ou a mais ‘bonita’, todas são ‘folhas de figueira’, e como tal, não servem para encobrir a vergonha do pecado. Há na Bíblia não uma religião, mas uma irmandade de crentes que mesmo estando no mundo, não fazem parte do mundo. “Não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17.14); congregações compostas de pessoas humildes que seguiam a Jesus, que trabalhavam juntos para espalhar o evangelho do Senhor. Interessante notar que, por se parecerem tanto com aquele que pregavam, os moradores de Antioquia da Síria passaram a chamá-los de “cristãos”. Não basta pertencer a uma Igreja Cristã, tem que se parecer com Cristo!


REFERÊNCIAS:

ANDRADE, Claudionor de. O Desafio da Evangelização: Obedecendo ao ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
_____. O Desafio da Evangelização: Obedecendo ao ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura. Lições Bíblicas, Rio de Janeiro, 3º trimestre, CPAD, 2016.
ARRINGTON, French L. et STRONDSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada – Como interpretar a Bíblia de maneira fácil e eficaz. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Hebraico-Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
BOYER, Orlando. PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA. Estados Unidos da América: Vida, 1998.
COLEMAN, Robert E. Plano Mestre de Evangelismo Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
ESEQUIAS, Soares. Manual de Apologética Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
FERREIRA, Damy. Evangelismo Total: Um Manual Para o Terceiro Milênio. Rio de Janeiro: HORIZONAL, 2004.
GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Bíblica Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RENOVATO, Elinaldo. Deus e a Bíblia. 1ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 3ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
_____. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008.

LIÇÕES BÍBLICAS 4º TRIMESTRE DE 2016 – ADULTOS, CPAD.


TEMA: O DEUS DE TODA PROVISÃO: Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às Crises.

COMENTARISTA: Pr. Elienai Cabral

SUMÁRIO:

Lição 1 - A Sobrevivência em Tempos de Crise

Lição 2 - A Provisão de Deus em Tempos Difíceis

Lição 3 - Abraão, a Esperança do Pai da Fé

Lição 4 - A Provisão de Deus no Monte do Sacrifício

Lição 5 - As Consequências das Escolhas Precipitadas

Lição 6 - Deus: O Nosso Provedor

Lição 7 - José: Fé em Meio às Injustiças

Lição 8 - Rute, Deus Trabalha pela Família

Lição 9 - O Milagres Está em Sua Casa

Lição 10 - Adorando a Deus em Meio a Calamidade

Lição 11 - O Socorro de Deus para Livrar o seu Povo

Lição 12 - Sabedoria Divina para Tomada de Decisões

Lição 13 - A Fidelidade de Deus

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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Lição 1 – O que É Evangelização

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL. 

3º Trimestre/2016 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Marcos 16.9-20. 

TEXTO ÁUREO: "Portanto, ide, ensinai iodas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo; ensinando-as a guardar todas as coi­sas que eu vos tenho mandado [...]" (Mt 28:19,20). 


INTRODUÇÃO

Jesus não ordenou apenas evangelizar ou proclamar as Boas-Novas de Salvação. Mas, fazer discípulos. O ensino doutrinário cristão inclui o rito do batismo em águas. Jesus deixou com a Sua Igreja a missão de evangelizar o mundo inteiro, ensinando todas as nações, batizando os que crerem ensinando-os a guardar todas as coisas que Ele mandou. A evangelização não espera época específica para ser praticada, ela é ultracircunstancial. Diz o apóstolo Paulo: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo...” (2Tm 4.1,2). A evangelização é a tarefa mais urgente da Igreja de Cristo. Se crermos, de fato, que Cristo morreu e ressuscitou para redimir-nos do inferno, não nos calaremos acerca de tão grande salvação (Hb 2.3). A evangelização compreende, também, o ensino, o batismo e a integração do novo convertido.


I. EVANGELISMO E EVANGELIZAÇÃO

1. Evangelismo. ‘Evangelho’ é a tradução do latim ‘evangeliu’, que, por sua vez, vem do grego ‘euangélion’, que significa “boa nova”. Os sufixos da língua portuguesa ‘-ismo’ (de origem grega) e ‘-ação’ (de origem latina) traduzem igualmente o termo grego ‘euangelízo’ e, significam o ato de evangelizar. O sufixo ‘ismo’ indica uma ideologia, um sistema a ser seguido, algo consolidado como regra ou, que se acredita ser uma regra. Possui um caráter técnico, pois se propõe a ensinar o cristão a cumprir, de modo eficaz, a tarefa da evangelização. O evangelismo na igreja local implica uma ação organizada e ativada pelos membros, para desenvolver três ações necessárias à pessoa do evangelista: informação, persuasão e integração do novo convertido.

2. Evangelização. O sufixo ‘ação’ denota alguma atitude, movimento. Mateus 28.19,20 apresenta o imperativo evangelístico de Cristo à sua igreja, com quatro determinações verbais: ‘Ir’ - no sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho; ‘Fazer’ discípulos - Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo; ‘Batizar’ - É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor; e ‘Ensinar’ as doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã. Com isso, percebe-se que a evangelização não pode ser reduzida à atividade de acrescentar membros à uma igreja local ou denominação. Ela possui resultados muito mais abrangentes e imensuráveis. Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações linguísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.

II. POR QUE TEMOS DE EVANGELIZAR

1. É um mandamento de Jesus. O Senhor Jesus é o motivo supremo e também e a Autoridade que nos manda pescar homens para Ele. Ele é o Mestre por excelência, e o exemplo na arte de fazê-lo. A ordem é: ‘Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’(Mt 28.19). Além disso, Ezequiel 3.11 diz: ‘Eia, pois, vai aos do cativeiro, aos filhos do teu povo, e lhes falarás e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus, quer ouçam quer deixem de ouvir’. Testificar aos homens, apresentando-lhes as verdades do Evangelho ou Boas Novas a cerca de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, é obrigação séria e responsabilidade de cada cristão. Paulo quando fala sobre a evangelização diz: ‘Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!’ (1Co 9.16). Todos nós somos devedores da mensagem do evangelho a todos os homens (Rm 1.14) e sobre nós repousa essa responsabilidade que não foi concedida aos anjos (1Pe 1.12). É por isso que Paulo nos diz: ‘Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus (…) prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não’ (2Tm 4.1-2).

2. É a maior expressão de amor da Igreja. Devemos evangelizar porque exercitamos o amor de Deus. A coisa mais amorosa que se pode fazer é apresentar o evangelho na esperança de trazer outros para a salvação. Paulo em Gálatas 5.22 lista o amor como um dos frutos do Espírito. É da natureza do amor dar-se. Tomemos por exemplo João 3.16: ‘Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito ...’ O amor se dá, se entrega, e mesmo se em nós houver apenas uma pequena porção do amor de Cristo, iremos querer entregá-lo aos outros. Não evangelizar é um ato de profundo egoísmo sendo, assim, um pecado. Devemos evangelizar porque amamos o nosso próximo e não queremos vê-lo perdido eternamente. Paulo, dominado por este amor, estava disposto a sacrificar a própria vida na pregação do evangelho (At 20.19-24) “…Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.39); “Livra os que estão destinados à morte, e os que são levados para a matança, se os puderes retirar” (Pv 24.11).

3. O mundo jaz no maligno. João tem em vista aqui a sociedade à margem de Deus, dominada pelo diabo e pelo pecado.A expressão ‘Jaz’ significa estar sob o poder do mal, ser mantido em submissão pelo diabo. Indica ‘alguém’ que aceita o domínio do mal e o aprova. É uma constatação. Todo o nosso mundo, quando não tem Deus como guia, está entregue nas mãos do diabo e sob o domínio de seu mal. Uma das verdades exposta com clareza nas Escrituras é que o homem no estado em que está não pode agradar a Deus (Rm 8.8; Hb 11.6), não pode salvar-se (Mt 19.26) e está fadado à morte eterna. As Escrituras também atestam que não há nenhum justo nesse mundo, nem quem O busque como Ele deve ser buscado (Rm 3.9-11). Contudo, Jesus nos instrui que a olhar para o mundo e ver nele pessoas prontas para receber o evangelho do mesmo modo que aconteceu em Samaria em Seu ministério (Jo.4).

4. Porque Jesus em breve virá. Todo o ministério terreno de Jesus foi direcionado á evangelização (Mt 1.21). A mensagem dEle incluía a propagação do Reino de Deus, o arrependimento e a fé no evangelho (Mc 1.14-15). As escrituras nos dizem que o ministério de evangelização nos é concedido por Deus: ‘Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação’ (2Co 5.18-19). O ministério da reconciliação é anunciar a mensagem do que Deus, que estava em Cristo, fez para fornecer a expiação do pecado. Os já conciliados têm a missão de levar essa mensagem aos outros. Paulo afirma em 2Co 5.20 que somos ‘embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse’ e exercendo esse papel, somos cooperadores de Deus (2Co 6.1).

III. COMO EVANGELIZAR

1. Evangelização pessoal. “Se retrocedermos a historia e formos parar no período apostólico, verificaremos que a igreja primitiva usava a alavanca do evangelismo pessoal como método natural de crescimento. Naquela época, não havia aviões, televisão, radio, Internet ou quaisquer meios modernos e rápidos de comunicação, mas o escritor apostólico registrava que: “…a multidão dos que criam no Senhor,tanto homens como mulheres,crescia cada vez mais.”(Atos 5:14). Mas como se não havia todos estes recursos discriminados acima? Simplesmente porque eles usaram o evangelismo pessoal. Infelizmente esse método que se constitui no maior segredo de ganharmos almas, esta sendo usado pelas seitas, para espalharem seu falso evangelho nos lares de nossos vizinhos, parentes e amigos. Quantas vezes não acordamos no sábado ou no domingo de manhã com uma Testemunha de Jeová batendo à nossa porta, tentando nos empurrar suas literaturas cheias de doutrinas heréticas? Elas estão ali,cumprindo um programa de visitação para qual foram destinadas, até parece que não surte efeito de imediato, mas no final do ano, após sair o relatório de crescimento delas na revista “A Sentinela”, veremos que não é bem assim. Muitas vezes crescem mais do que muitas de nossas igrejas evangélicas, porque simplesmente estão colocando em ação um segredo deixado por Jesus, e que nós, seus verdadeiros discípulos, não estamos usando. Não é por acaso que Jesus disse: “…os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz”. (Lucas 16:8). Devemos então perguntar: Porque um método tão importante como esse foi esquecido pela igreja durante tanto tempo?” Jesus nos deixou um maravilhoso exemplo de como evangelizar através do seu encontro com a mulher samaritana (Jo 4.1-29). O método que muitos crentes utilizam é o de esperar que as pessoas venham até nós. Observe que Jesus não esperou que aquela samaritana fosse procurá-lo em Jerusalém, ou mesmo em Cafarnaum, na Galiléia. O texto bíblico conta que Ele foi até Sicar, junto a um poço aberto pelo patriarca Jacó, e que ficou ali descansando (acredito que Ele esperasse pela mulher) por volta do meio dia - o horário mais quente e menos provável de alguém buscar água no poço. Em Romanos 10.17, o apóstolo Paulo afirma: “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo”. Nos versos 14 e 15 ele raciocina logicamente: “Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?”. É óbvio que o primeiro passo para levar um pecador a Jesus é ir até ele com a palavra! Leia os seguintes textos e observe este passo no ministério de Jesus: Mt 9.23-26; Lc 5.30-31; 7.37-39; 11.37-39; 19.5-6.

2. Evangelização coletiva. Reparemos como Jesus aproveitava sempre as ocasiões onde poderia encontrar mais pessoas; Ele aproveitava sempre os ajuntamentos, as festas, os jantares. Jesus não se excluía das multidões. Ele veio para as pessoas e ficar fechado em casa, no seu próprio mundo, não fazia parte dos seus planos. Fazer missões em termos gerais significa praticar a evangelização de forma pessoal ou coletiva. Comece em sua casa, em sua rua, bairro ou cidade. Deus tem um grande projeto em nossa vida para expandir seu reino na terra.

3. Evangelismo nacional. Jesus andava por todas as cidades – grandes e pequenas – nas vilas, aldeias, nas sinagogas, nas casas e em lugares públicos, anunciando as boas novas da salvação, ensinando as verdades divinas e curando Seus ouvintes de todas as enfermidades. “Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado. E pregava nas sinagogas da Galiléia”. (Lc 4.43-44). Ele não somente ensinava sobre a necessidade de evangelizar. Ele mesmo deu o exemplo que todos precisamos seguir, saindo por todos os lugares. Jesus não discriminou lugares ou pessoas. Onde havia almas preciosas, vidas feridas pelo pecado, acorrentadas pelo diabo e pelos demônios, aí chegava o Filho de Deus evangelizando, ensinando, curando, dando a todos um novo sentido para viver.

4. Evangelismo transcultural. Quando falamos em evangelismo transcultural, estamos falando do esforço da Igreja em cruzar qualquer fronteira que separe o missionário de seu público alvo. É salutar dizer que em evangelismo transcultural, não temos que fazer nada diferente do que faríamos em qualquer outro lugar. Sugerir que algumas pessoas são mais fáceis de se converter do que outras é avesso às Escrituras, pois Elas destacam que todos nós, por natureza, estamos longe do Senhor. Então, em nosso evangelismo devemos testemunhar, orar e aguardar o agir soberano do Espírito. Quando Cristo nos ordenou “ide ir por todo o mundo” o termo usado por Ele foi ‘ethnos’, que em grego significa ‘grupos de povos’, ‘grupos étnicos’ e não nações no sentido usual. Sendo assim há ainda muitos povos não alcançados que precisam conhecer a Cristo. Apocalipse 5.9 é uma referência ao trabalho missionário da igreja no alcance destes grupos. Neste texto lemos sobre tribo, língua, povo e nações os quais estarão diante do Cordeiro. Esses grupos conheceram a Cristo mediante à obediência daqueles que obedeceram ao ide de Cristo pelo mundo. O nosso desafio missionário ainda é imenso:
Quase dois terços da população mundial ainda não ouviu a mensagem do Evangelho!
Milhares de grupos étnicos nunca foram alcançados com as Boas Novas!
Muitas tribos espalhadas no mundo nunca receberam um só missionário!
A população do mundo dobrará em menos de 50 anos!
1.700 idiomas, aproximadamente, não possuem um único texto bíblico traduzido!
É claro que há alguns grupos de povos com algum tipo de testemunho do Evangelho, mas isto não significa que já foram alcançados. Conscientes desta urgente necessidade precisamos nos envolver de forma mais intensiva, orando, contribuindo financeiramente ou mesmo indo.


CONCLUSÃO

Se cremos no poder do evangelho, saiamos a falar de Jesus Cristo. Comecemos por nossa casa. Evangelizar é contar a outros as boas novas acerca do que Jesus Cristo fez para salvar pecadores. Para que você faça isso você deve dizer a outros que:
Deus é santo (1Jo 1.5). Ele é o criador de todas as coisas (Gn 1.1).
Todas as pessoas são pecadores que merecem a ira justa e eterna de Deus (Rm 3.10-19; Mc 9.48; Ap 14.11).
Jesus Cristo, o qual é plenamente Deus e plenamente homem, viveu uma vida sem pecado, morreu na cruz para carregar a ira de Deus no lugar de todos aqueles que haveriam de crer nele, e ressuscitou do sepulcro para dar vida eterna ao seu povo (Jo 1.1; 1Tm 2.5; Hb 7.26; Rm 3.21-26; 2Co 5.21; 1Co 15.20-22).
O único modo de alguém ser salvo da punição eterna e ser reconciliado com Deus é arrepender-se do pecado e confiar em Jesus Cristo para a salvação (Mc 1.15; At 20.21).
Este trabalho não está reservado aos obreiros, aos teólogos ou aos vocacionados. Lembremos da menina, serva de Naamã. Era uma criança apenas, de outra sociedade, de outra cultura, de outra civilização, escrava da mulher de um general. Se ela achasse ser necessário uma preparação especial para poder falar a alguém de outro povo, nível social, cultura, etc., jamais teria testemunhado à sua senhora que a cura estava com o profeta em Samaria. Mas na simplicidade de sua pessoa, de seu preparo e de seus meios, Deus acabou sendo glorificado ao máximo. Em 1 Coríntios 15.58 lemos assim: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”


REFERÊNCIAS:

ANDRADE, Claudionor de. O Desafio da Evangelização: Obedecendo ao ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
_____. O Desafio da Evangelização: Obedecendo ao ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura. Lições Bíblicas, Rio de Janeiro, 3º trimestre, CPAD, 2016.
ARRINGTON, French L. et STRONDSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada – Como interpretar a Bíblia de maneira fácil e eficaz. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Hebraico-Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
BOYER, Orlando. PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA. Estados Unidos da América: Vida, 1998.
COLEMAN, Robert E. Plano Mestre de Evangelismo Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
ESEQUIAS, Soares. Manual de Apologética Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
FERREIRA, Damy. Evangelismo Total: Um Manual Para o Terceiro Milênio. Rio de Janeiro: HORIZONAL, 2004.
GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Bíblica Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RENOVATO, Elinaldo. Deus e a Bíblia. 1ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 3ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
_____. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008.

domingo, 19 de junho de 2016

Lição 12 – Cosmovisão Missionária

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

2º Trimestre/2016

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 15.20-29

TEXTO ÁUREO: “E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15.20).

INTRODUÇÃO

Inicialmente, esclarece-se que aquilo que cada pessoa é, o que defende, o que vive, é resultado da cosmovisão que permeia sua vida. Em nosso caso específico, vivemos de acordo com a Cosmovisão Cristã. Missões, proveniente do latim (missio) Transmissão consciente e planejada das Boas Novas do evangelho de Cristo além das fronteiras nacionais e culturais. Suzana Wesley mãe do grande pregador e fundador do metodismo John Wesley, disse “se eu tivesse vinte filhos, regozijar-me-ia em consagrar todos eles a obra missionária, ainda que fosse com a certeza de nunca voltar a vê-los”. Vimos na lição anterior que a discussão a respeito da liberdade e da responsabilidade cristã vem do capítulo 14 e vai até o 15.13. Agora, já finalizando a carta, em vários aspectos, o final é similar à sua abertura (1.8-15), contendo elogia a fé deles (1.8); defesa de seu apostolado com o evangelho para os gentios (1.13,14); afirmação do desejo de visitar os crentes em Roma (1.10,13); salienta seu desejo de que eles o ajudem a prosseguir para regiões ainda não evangelizadas (Espanha, em 1.13). Podemos ver ainda, uma pista da tensão entre crentes judeus e crentes gentios na igreja romana, mencionada ou implícita através de toda a carta, mas especialmente nos capítulos 9 a 11 e do 14.1 ao 15.13. Os planos de viagem de Paulo para esse propósito devem levá-lo a passar em Roma (vv.22-33), e o texto áureo nos informa da estratégia missionária consistente de Paulo (1Co 3.10; 2Co 10.15-16). Ele queria alcançar os pagãos que nunca tinham tido a chance de ouvir e receber o evangelho. Normalmente ele escolhia cidades grandes do Império Romano, aquelas estrategicamente localizadas. Uma igreja que fosse estabelecida ali poderia evangelizar e discipular as áreas ao redor. Ele convida assim, os romanos, a investirem na obra missionária.

I. A NECESSIDADE DE UMA COSMOVISÃO MISSIONÁRIA (Rm 15.14-21)

1. O propósito da missão. Os versículos 16 e 17 contêm diversos termos e frases sacerdotais. “Ministrar” é referente ao serviço sacerdotal, no v. 27. Refere-se ao serviço de Cristo, em Hb 8.2. Paulo via a Si mesmo como um sacerdote (Fp 2.17), oferecendo os gentios a Deus, o que era tarefa para Israel (Ex 19.5-6; Is 66.20). A Igreja recebeu essa designação evangelística (Mt 28.18-20; Lc 24.47). Ela é chamada por expressões que no VT se aplicavam ao sacerdócio (1 Pe 2.5,9; Ap 1.6). Paulo vê a pregação do Evangelho como o meio mediante o qual os gentios seriam conduzidos a Deus como uma oferenda agradável de ação de graça (v. 12.1). O mundo inteiro está debaixo da esfera do interesse de Deus.

2. O agente da missão. No versículo 19 “pelo poder dos sinais e prodígios” temos dois termos que aparecem juntos muitas vezes, no livro de Atos (14.8-10; 16.16-18, 25-26; 20.9-12; 28.89), descrevendo o poder de Deus trabalhando através do evangelho (2Co 12.12). Eles parecem ser sinônimos. Exatamente a que se referem – milagres ou conversão – é incerto. Paulo cogita assim, que conforme Deus confirmava o trabalho dos doze em Jerusalém, ele também confirmava o trabalho de Paulo entre os gentios, através de sinais visíveis. Paulo listou as diferentes formas como o seu ministério para os gentios era eficaz:
a) pela palavra;
b) pelos atos;
c) através de sinais;
d) com maravilhas; e
e) através do poder do Espírito.
A tarefa missionária é feita por fé. Deus ordenou que o cristianismo fosse uma religião de fé. A obra missionária verdadeira e bem-sucedida, portanto, pode ser feita apenas por homens de fé, que conhecem Deus e tem aprendido a se apropriar das promessas de Deus. O maior empreendimento do mundo são as missões estrangeiras, e aqui temos o início dessa grande obra. A ideia originou-se exatamente como devia: numa reunião de oração – pelo poder do Espírito Santo.

3. A esfera da missão. Pela leitura do versículo 23 entendemos que Paulo acreditava ter terminado sua tarefa de pregação no Mediterrâneo oriental. O Ilírico, província romana, também conhecida como Dalmácia, estava localizada no lado oriental do Mar Adriático, a nordeste da península grega (Macedônia). O livro de Atos não tem registro de Paulo pregando lá, mas o coloca na região (20.1-2). “Até” pode significar “até a fronteira” ou “até a região”. Crendo ter acabado seu ministério ali, Paulo projeta agora partir para a região ocidental do Império Romano (2Co 10.16). Existem relatos de que Paulo foi libertado do aprisionamento em Roma depois do encerramento de Atos e realizou uma quarta viagem missionária, chamadas por Clemente de Roma de “fronteiras do Oeste”, e, de fato, as cartas pastorais (1ª e 2ª a Timóteo e a de Tito) foram escritas no decorrer dessa quarta jornada (2Tm 4.10 - as traduções Vulgata e Cóptica têm “Gália”).

II. A NECESSIDADE DO PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO (Rm 15.22-29)

1. Estabelecer bases. Duas coisas tornavam agora possível uma visita a Roma: a atual fase da comissão de Paulo fora cumprida, e a nova fase que envolvia uma visita à Espanha estava iminente, e Paulo busca a comunhão com os crentes que habitavam na cidade de Roma. “que para lá seja encaminhado por vós” – Esta frase tornou-se uma expressão técnica da Igreja para referir-se à ajuda a missionários itinerantes em viagem a seu próximo destino (At 15.3; 1Co 16.6, 11; 2Co 1.16; Tt 3.13; 3 Jo 6). Roma não estava em condições de contribuir para a ajuda à Igreja em Jerusalém, mas podia dar apoio financeiro às viagens missionárias de Paulo em direção ao Oeste. Para tratarmos sobre esta nova base de missões, precisamos entrar no v. 24. Aqui Paulo revela claramente seus propósitos e seus meios. Veja bem, o propósito final de Paulo, seu objetivo real, não era apenas conhecer a igreja de Roma. Isso ele poderia ter feito em outras circunstâncias. Seu objetivo final era chegar à Espanha. Este objetivo reflete o esforço de Paulo (15.20) e sua vocação (15.21), conforme já temos enfatizado. Ele pretendia chegar à Espanha para ali continuar desenvolvendo o seu ministério; "de passagem" por Roma (15.24), ele esperava ir à Espanha, enviado pela igreja de Roma. Quando Paulo diz no v. 24 "para lá seja por vós encaminhado", ele não apenas tinha em mente, mas estava claramente dizendo as coisas necessárias para a sua viagem e subsistência lá.

2. Estabelecer intercâmbio. Na sua segunda carta aos coríntios no capítulo 10 versículo 16, Paulo diz: “a fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio.” Ele procurava pregar o evangelho nos lugares onde ainda não havia um trabalho em andamento, pois considerava o missionário como um lançador de fundamentos, de maneira que, pregar onde já havia um trabalho, significa edificar sobre trabalho de outrem. O que o movia não eram arroubos de piedade, espírito proselitista, amor ao lucro, popularidade ou qualquer outra motivação similar. Essas motivações não teriam suportado as angústias do campo missionário por muito tempo. Paulo estava movido por suas convicções teológicas. Paulo desvenda agora seus planos imediatos de visitar Jerusalém, levando as dádivas que as igrejas haviam levantado para os crentes de Jerusalém, a Igreja-Mãe, que nesta época era uma cidade empobrecida de maneira geral; Paulo vê nesta ação social das “Igrejas-Filhas”, o exercício de um dever, de uma obrigação da parte dos gentios, em face do privilégio de terem sido enxertados na oliveira de Deus (11.17). Isto se conforma ao princípio geral de que aqueles que recebem bênçãos espirituais devem repartir suas bênçãos materiais (1Co 9.3-14; Gl 6.6).

III. A NECESSIDADE ESPIRITUAL NA OBRA MISSIONÁRIA (Rm 15.30-33)

1. A necessidade da cobertura espiritual. “rogo-vos, irmãos... que combatais comigo” (15.30). Estes são termos gregos muito fortes. O primeiro é usado também em 12.1. O segundo é usado quando é narrada a luta de Jesus no Getsêmani. É um composto de sun (juntamente com) e agōnizomai (contender, brigar, lutar severamente), de acordo com 1Co 9.25; Cl 1.29; 4.12; 1Tm 4.10; 6.12). Esta convocação tão forte chama a Igreja romana para agressivamente agonizar com Paulo em oração, a respeito da recepção da oferta dos gentios na igreja-mãe, em Jerusalém. Paulo sentia uma profunda necessidade de oração por si mesmo e por seu ministério evangelístico (2Co 1.11; Ef 6.18-20; Cl 4.3; 1Ts 5.25; 2Ts 3.1). Oração é pôr em ação prática a nossa crença em um Deus pessoal e interessado, que está presente, disposto e em condições de atuar em nosso favor e de outros; Oração de intercessão é um mistério. Deus ama aqueles por quem oramos (muito mais do que nós os amamos!), mas ainda assim nossas orações frequentemente provocam alguma mudança, resposta ou necessidade, não apenas em nós mesmos, mas neles. A oração de Paulo expressa três desejos:
a) que ele seja livrado de seus inimigos em Judá (At 20.22-23);
b) que as doações das igrejas dos gentios sejam bem recebidas pela Igreja em Jerusalém (At 15.1; 21.17); e
c) que ele então possa visitar Roma, na viagem para a Espanha.
Em todas as viagens que empreendeu, Paulo defrontou-se com muitas perseguições. Uma vez, foi apedrejado até considerarem-no morto. Em Filipos, apesar de ser um cidadão romano, foi despido e apanhou publicamente. No entanto, em vez de reclamar, na prisão daquela localidade, glorificou a Deus e ganhou o carcereiro para Jesus.

2. A necessidade do refrigério espiritual. A oração de Paulo finaliza com mais dois pedidos: que ele possa voltar a eles com alegria; e que ele possa desfrutar de um tempo de descanso com eles. Paulo necessita de um tempo de descanso e recuperação entre crentes maduros (2Co 4.7-12; 6.3-10; 11.23-33), no entanto, não consegue! Sentenças e audiências, mais anos de permanência na prisão, aguardavam por ele na Palestina.

CONCLUSÃO


Paulo não conhecia a igreja em Roma, entretanto, intentando ir à Espanha, evangelizar, (Rm 15.24) espera visitá-la no caminho, assim como tê-la como uma base de apoio em sua empreitada. Ele apresentou-se à igreja e discorreu sobre seu ministério e entendimento do evangelho, assim como solicitou apoio financeiro e logístico para sua viagem missionária até a Espanha. O que motivava Paulo a sair plantando igrejas, apesar da rejeição dos seus patrícios e das implacáveis perseguições que sofria? Sua preocupação é com a promoção do Reino de Cristo e neste objetivo, ele gastou sua vida. Paulo, escolhido por Deus para levar a mensagem aos gentios (At 9.15, 16), cumpre com êxito a sua tarefa. Em pouco mais de dez anos, e em três viagens missionárias, ele estabelece a igreja em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia (At 13.2, 14.28, 15.40, 18.23 e 21.17). Tudo aquilo que é planejado se torna mais eficaz além de muito mais produtivo! Como servos de Deus temos que entender que servimos a um Deus de Excelência que requer de nós o nosso melhor, além de sabermos que ele conta conosco para a propagação do Seu Reino e expansão da Sua Obra na Terra. Devemos, por fim, compreender que a obra missionária não é fragmentada, os que foram enviados a terras estranhas e os que ficaram, estão profundamente comprometidos com a evangelização de todos os seres humanos e não devem considerar como superior o seu trabalho nem o dos demais - há uma só missão! Não são apenas os vocacionados que vão para campos que são os verdadeiros missionários, mas todo crente, exercendo o ministério que recebeu de Deus, é um missionário. Paulo, por tudo o que sofreu, durante o exercício do seu ministério como apóstolo dos gentios, tornou-se o modelo para todos nós. Basta, agora, descruzarmos os braços, orarmos, buscarmos a direção divina e realizarmos a obra que o Senhor Jesus nos confiou, desde o momento em que o aceitamos como nosso Salvador.


REFERÊNCIAS:

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Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Hebraico-Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
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terça-feira, 7 de junho de 2016

Lição 11 – A Tolerância Cristã

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

2º Trimestre/2016

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 14.1-6

TEXTO ÁUREO: “Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

INTRODUÇÃO

Estudaremos nesta Aula os capítulos 14 e 15 da Epístola aos romanos. Em Romanos 12, o apóstolo Paulo abordou nosso relacionamento com Deus (Rm 12.1,2), com nós mesmos (Rm 12.3-8), com nossos irmãos (Rm 12.9-16) e com nossos inimigos (Rm 12.17-21); no capítulo 13, ele trata do relacionamento com as autoridades constituídas (Rm 13.1-7) e com a lei (Rm 13.8-10); nos capítulos 14 e 15, Paulo trata do intrincado problema do relacionamento entre irmãos na fé que pensam de forma diferente em algumas questões espirituais. Paulo classifica esses irmãos em dois grupos distintos: os fortes e os fracos na fé. Ambos eram crentes em Cristo e ambos eram salvos por Cristo. Embora esses dois grupos pertencessem à família de Deus e participassem da mesma igreja, não estavam de acordo acerca de alguns pontos da vida cristã como comida, bebida e dias sagrados. Os fracos seriam, em sua maioria, cristãos judeus, cuja “fraqueza” consistia no fato de permanecerem, de sã consciência, comprometidos com as regras judaicas concernentes a dieta e dias religiosos. Ou seja, eles continuavam observando as normas alimentares do Antigo Testamento, comendo apenas coisas previstas na Torá (Rm 14.14,20). Quanto aos dias especiais, observavam tanto o sábado como os festivais judaicos. A atitude conciliatória de Paulo com relação aos “fracos” (não permitindo que os ”fortes” os desprezem, intimidem, condenem ou prejudiquem) manifesta-se também no fato de ter respeitado o decreto do Concílio de Jerusalém, que fora designado justamente para controlar os “fortes” e salvaguardar a consciência dos “fracos”. Paulo buscava um ponto de equilíbrio a fim de que a obra de Cristo não sofresse nenhum dano.

I. UMA IGREJA HETEROGÊNEA (Rm 14.1-12)

1. A natureza da Igreja. O grande triunfo da igreja é ser chamada de Corpo de Cristo, ser alicerçada na sua ressurreição e, principalmente, fazer parte de uma unidade homogênea. Embora constituída por pessoas de grupos diferentes, ela una e indivisível, ela forma um só corpo, o Corpo de Cristo (1Co 12.27a); ela é chamada de “a universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb 12.23a). Portanto, não há judeus e nem gentios, mas a Igreja de Jesus Cristo. Desta feita, os crentes judeus e gentios em Roma deveriam se conscientizar de que problemas de natureza local não poderiam sobrepor-se à universalidade da Igreja. Essa exortação é atemporal.

Ao iniciar o capítulo 14, Paulo dá-nos conta de que, na igreja do Senhor, existem os “enfermos na fé”, os “fracos”, ou seja, as pessoas se diferenciam na igreja não só pela função que tenham, mas, também, pelo seu nível de espiritualidade. Há pessoas que estão mais elevadas do que outras no seu relacionamento com Deus.

A vida espiritual exige o crescimento, o progresso do indivíduo e, como nem todos crescem de igual modo e na mesma velocidade na vida material, o mesmo se dá em relação ao relacionamento com Deus. Há, portanto, aqueles que crescem mais do que os outros espiritualmente, crescimento este que, ao contrário do crescimento na vida física, não está relacionado com o tempo, vez que se trata de um relacionamento com Deus, que está fora da dimensão temporal.

Paulo admite a existência destes diferentes níveis de espiritualidade, que são diferenças que nada têm que ver com a salvação, pois, lembremos, o crescimento é um fato que ocorre após o nascimento, ou seja, só cabe falar sobre diferentes níveis de crescimento depois que a pessoa nasceu, ou seja, o apóstolo está a falar de pessoas salvas, justificadas pela fé em Cristo. Tanto assim é que, em Romanos 14, em mais de uma oportunidade na sua argumentação, Paulo mostra claramente que tanto os “fracos” quanto os “fortes” são salvos e servem a Deus.

Portanto, a primeira nota do relacionamento entre os cristãos é a inclusão, ou seja, um comportamento que busca trazer a pessoa para o grupo, que procura integrar a pessoa, fazê-la se sentir participante e integrante da igreja local, ainda que ela apresente uma espiritualidade débil, fraca, ainda que seja um “menino em Cristo” ou alguém que “mesmo devendo já ser mestre pelo tempo, ainda necessite de que se torne a ensiná-lo quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus”. Lamentavelmente, o que se verifica, nos nossos dias, é que raramente se tem este comportamento inclusivista.

2. Os fracos na fé. Quem eram os crentes fracos? É consenso geral que os crentes chamados fracos eram oriundos das fileiras do judaísmo, os quais, embora tivessem depositado sua fé em Cristo, ainda viviam comprometidos com as regras judaicas concernentes à dieta (Rm 14.6,14,20) e aos dias religiosos (Rm 14.5). Não tinham plena compreensão de que esses ritos dietéticos e focados em calendários religiosos eram meras sombras do evangelho de Cristo, aos quais pela obra expiatória do Filho de Deus estavam desobrigados de cumprir. A deficiência de conhecimento os tornou crentes julgadores, carregados de muitos escrúpulos. Além de observar os ritos relacionados ao culto judaico, eles queriam que os gentios convertidos fizessem o mesmo. Situações semelhantes ocorreram com os crentes de Corinto (1Co 8.1-13), da região da Galácia e Colossos. Aos dois grupos de crentes de Roma – judeus e gentios -, Paulo recomendou que agissem com amor e respeito mútuo. Na recomendação de Paulo podemos ver três princípios fundamentais.

- O primeiro princípio é da tolerância. O que é tolerância? É qualidade de quem é tolerante. Mas o que é ser tolerante? É aquela pessoa que sabe respeitar as opiniões contrárias à sua; é aquela pessoa que sabe desculpar as falhas, ou fraquezas de seus semelhantes. Para nós tolerância tem o sentido de suportar, ter paciência, tolerar as falhas daqueles irmãos que, por diversas razões, ainda não chegaram a uma compreensão do que é a vida cristã e como ela deve ser vivida. Em sendo assim, e assim é, podemos resumir em uma única palavra a condição para que um crente seja tolerante: ser cheio do Espírito Santo.

Os cristãos podem ter comunhão mesmo sem concordar sobre questões não essenciais. É o que Paulo recomenda em Rm 14.1: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas”. O irmão que desfruta plenamente a liberdade cristã crê, com base nos ensinamentos do Novo Testamento, que todos os alimentos são puros, pois são santificados pela Palavra de Deus e pela oração (1Tm 4.4,5). O irmão com consciência fraca pode ter receio de comer carne de porco ou qualquer outra carne. Pode ser vegetariano. É o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 14.3: “Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes”.

- O segundo princípio é o da aceitação mútua. O cristão maduro não deve desprezar seu irmão mais fraco. O irmão mais fraco não deve considerar pecado quem come presunto, camarão, lagosta ou carne e porco. Deus o acolheu; portanto, ele é membro legítimo da família de Deus. É o que Paulo diz em Romanos 14.3: “O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu”. Aqui, Paulo mostra o ponto de equilíbrio – o respeito pelas convicções de cada um. Paulo não entra em juízo de valor, decidindo por um dos lados. Mas procura mostrar que acima de tudo a lei do amor fraternal deve imperar nesses casos. O que comia carne não deveria desprezar o que não comia e o que não comia carne também não deveria desprezar o que comia.

- O terceiro princípio é do acolhimento dos irmãos e não de julgamento – “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar” (Rm 14.4). De acordo com este princípio todo cristão nascido de novo é servo do Senhor, e não temos direito de julgá-lo como se fôssemos seus senhores. O crente precisa discernir o certo do errado; precisa distinguir entre os falsos profetas e aqueles que trazem o fiel ensino do Senhor. Contudo, Paulo condena a atitude de julgar um irmão, um servo de Cristo, por este ter uma opinião diferente acerca de assuntos secundários como dieta e calendário religioso. Nosso papel na igreja não é nos assentarmos na cadeira de juiz para julgar os irmãos, mas acolhê-los em amor.

Paulo mostra que o objetivo do acolhimento dos mais fracos é o fortalecimento na fé - “... porque poderoso é Deus para o firmar”. O problema é que uma acolhida sem a instrução trará como resultado final o mesmo que a rejeição: a destruição espiritual da pessoa, pois o povo de Deus é destruído quando lhe falta conhecimento (Oséias 4.6). Infelizmente, muitas igrejas locais, hoje em dia, até superam o obstáculo da rejeição, acolhendo afetuosamente os fracos na fé que chegam a elas, mas não completam o comportamento inclusivista, deixando de dar a devida instrução ao fraco, para que ele se fortaleça, e o resultado disto é a presença cada vez maior de crentes que, apesar do “tempo de casa”, não conseguem se desprender dos rudimentos doutrinários, precisamente o estado espiritual denunciado e reprovado pelo escritor aos hebreus (Hb 5.12-14).

3. Os fortes na fé. Quem eram os crentes fortes? Eram aqueles crentes, judeus ou gentios que, convertidos a Cristo, haviam compreendido com mais clareza a liberdade cristã, desvencilhando-se dessa forma dos escrúpulos dos rituais judaicos com respeito à dieta e ao calendário religioso. Os crentes fortes eram a maioria da igreja de Roma, e Paulo com eles se identificava (Rm 15.1). Embora Paulo deixe claro que acredita que a posição dos fortes está certa (Rm 14.14,20), estes não tinham o direito de desprezar os crentes fracos, mas deviam acolhê-los.

II. UMA IGREJA TOLERANTE (Rm 14.13-23)

1. A lei da liberdade. O crente não deve ser pedra de tropeço no caminho do irmão em Cristo. Devemos amá-lo como ele é. Não se deve fazer julgamento precipitado, fazendo juízo de valor sobre ele, acusando-o de estar em pecado, tomando como base nossas crenças e convicções. Deve-se respeitar a lei da liberdade em Cristo Jesus. Paulo diz “... que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). Em vez de julgarmos nossos irmãos em Cristo quanto a questões moralmente indiferentes, deveríamos tomar o propósito de jamais fazer algo que atrapalhe um irmão em seu progresso espiritual. Paulo é bem explícito sobre isso em Romanos 14.13: “Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão”. Aqui, Paulo mostra que em vez de ser um tropeço no caminho uns dos outros, gerando problemas na igreja e escândalos fora dela, os cristãos deveriam cuidar e amar uns aos outros.

Paulo sabia, como nós também sabemos, que não há mais alimentos cerimonialmente impuros como havia para os judeus que viviam debaixo da lei. Disse ele: “Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda” (Rm 4.14). O alimento que ingerimos é santificado pela palavra de Deus e pela oração (1Tm 4.5). É santificado pela oração quando pedimos que Deus o abençoe para sua glória e o fortalecimento de nosso corpo a seu serviço. Se, porém, um irmão fraco na fé acredita que é errado consumir carne de porco, por exemplo, então é errado. Se ele comer carne de porco, estará agindo contrariamente à consciência que Deus lhe deu.

Observe, porém, com atenção o argumento: “... nenhuma coisa é de si mesma imunda...”. Devemos entender, aqui, que Paulo está se referindo apenas a essas questões indiferentes. Muitas coisas na vida são impuras, como revistas, sites e filmes pornográficos, piadas sujas e toda espécie de imoralidade. A Graça de Deus nos justificou, abolindo o domínio do pecado e fazendo-nos livres em Cristo. Mas, não devemos confundir liberdade em Cristo com libertinagem (antinomismo). A liberdade em Cristo deve ser tratada com responsabilidade. Foi o que o apóstolo Paulo disse aos em Gálatas: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne...” (Gl 5.13). Portanto, a declaração de Paulo deve ser entendida dentro do seu contexto. Os cristãos não se contaminam cerimonialmente ao ingerir alimentos declarados impuros pela lei de Moisés.

2. A lei do amor. Veja a expressão de Paulo em Romanos 14.15: “Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. Aqui, Paulo está dizendo para os crentes que o amor fraternal, e não suas convicções dietéticas, deve ser o vetor de suas ações.

Quando um crente forte na fé faz uma refeição com um irmão mais fraco na fé, deve insistir em seu direito legítimo de comer carne de porco ou lagosta, mesmo sabendo que ele considera errado consumir esses alimentos? Se esse crente o fizer, não estará agindo segundo o amor, pois o amor pensa nos outros, e não em si mesmo. O amor abre mão do direito legítimo em benefício de um irmão. Um prato de comida não é tão importante quanto o bem-estar espiritual de alguém “por quem Cristo morreu”. Se, no entanto, o crente considera forte agir de forma egoísta, ele pode causar danos irreparáveis à vida do irmão considerado fraco na fé. Quando lembramos que a alma do nosso irmão foi comprada por um preço tão alto, isto é, o sangue precioso do Cordeiro de Deus, vemos que não vale a pena impor nossos direitos. Falando sobre a atitude do crente considerado forte em relação ao fraco. Se Cristo o amou a ponto de morrer por ele, por que não podemos amá-lo o suficiente para controlar-nos, evitando magoar a sua consciência? Se Cristo se sacrificou por seu bem-estar, que direito temos nós de prejudicá-lo? Se Cristo morreu para salvá-lo, não nos importa se vamos destruí-lo?

Entretanto, é bom ressaltar que, quando o crente, considerado fraco na fé, supervaloriza a dieta alimentar pensando que abster-se de certos alimentos o torna mais aceitável a Deus, comete um grande equívoco, uma vez que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). No reino de Deus, o que importa, de fato, não são as leis alimentares, mas as realidades espirituais. Viver um cristianismo legalista é inverter as prioridades, é colocar as coisas de ponta-cabeça, é deixar de buscar as primeiras coisas primeiro.

3. A lei da espiritualidade. Paulo conclui seu argumento mostrando o modelo de espiritualidade que deve conduzir tanto os crentes considerados fortes como os fracos na fé. Diz ele: “Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.22,23).

Aqui, Paulo distingue entre o crer e o agir, entre convicção pessoal e a conduta em público. O crente precisa ser consistente para não falar uma coisa e fazer outra, não manter uma convicção e agir na contramão dessa convicção. Se um crente fraco, prisioneiro de seus escrúpulos, come carne contra suas convicções para agradar os crentes fortes, nisso está pecando, porque essa conduta não procede de fé.

Para o irmão mais fraco, é errado comer o que sua consciência não aprova. No caso dele, o consumo desse alimento não provém da fé, sendo, portanto, contrário à sua consciência. Todo ato que viola a consciência é pecado. Como diz Paulo: “e tudo o que não é de fé é pecado”. Isto significa que tudo o que não é feito com convicção de que está de acordo com a vontade de Deus é pecaminoso, embora possa ser em si mesmo certo. Este ensino aplica-se não apenas a alimentos, mas a tudo. Se alguém estiver convencido de que algo é contrário à lei de Deus, e apesar disso a praticar, é culpado diante de Deus, embora a coisa em si seja lícita.

É bom desfrutar plenamente a liberdade cristã e viver sem escrúpulos infundados. Mas é melhor abrir mão de direitos legítimos que ter de condenar a si mesmo por escandalizar outros. Bem-aventurado é aquele que evita ser tropeço para outros (Rm 14.22).

III. UMA IGREJA ACOLHEDORA (Rm 15.1-13)

1. O exemplo dos cristãos maduros (Rm 15.1,2). Cristãos maduros são aqueles que são convictos de sua fé; nada o abala; nada o tira do Caminho; é resiliente (Rm 8.35,36). São exemplos daqueles considerados fracos na fé, ou seja, daqueles que não saíram ainda dos rudimentos da fé (Hb 6.1,2).

O crente maduro deve agradar aos irmãos na fé, e não a si mesmo (Rm 15.1,2) - “Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação”.

O cristão maduro, isto é, o cristão forte, por possuir uma fé mais substancial, deve servir de exemplo para aqueles que ainda não alcançaram esse nível de maturidade. Nunca deve ser egoísta, mas deve estar preocupado com o bem-estar da pessoa mais fraca que está ao seu lado na igreja. A atitude de agradar aos outros deve ser tomada com um objetivo em mente: encorajar e edificar o outro crente na fé.

Existe uma linha muito tênue em nosso caminho, e o mais forte não deve forçar o mais fraco a mudar de posição antes que este esteja pronto, nem deve servir de instrumento aos escrúpulos dos mais fracos permitindo que estes se tornem regulamentos da igreja. Ao invés disto, os crentes mais fortes devem ajudar os mais fracos na sua fé, e isso irá beneficiar a igreja como um todo. Como bem disse o pr. José Gonçalves, “o crente forte é responsável também pelo crescimento e amadurecimento do fraco, mostrando-lhe com amor o que significa ser livre em Cristo”.

2. O exemplo de Cristo (Rm 15.3). Paulo argumenta que se o próprio Cristo não agradou a si mesmo, então por que os crentes que se consideravam mais maduros na fé não poderiam agir da mesma forma? Cristo foi o ser “mais forte” que já viveu, mas Ele não agradou a si mesmo - “Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam”. Despojou-se de seus direitos e prerrogativas e veio para servir. Esvaziou-se e tornou-se servo. Submeteu-se à vontade do Pai e suportou toda sorte de sofrimento para salvar tanto os crentes fortes como os crentes fracos. Nenhum sacrifício que fazemos pode equiparar-se ao do Calvário. Portanto, nós que fomos chamados pelo seu nome, também devemos escolher agradar mais a Deus do que a nós mesmos.

3. O exemplo das Escrituras. “Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4).

Paulo adverte que as Escrituras Sagradas é o principal instrumento aferidor da nossa espiritualidade. Ele exorta os crentes, tantos os fortes como os fracos, dizendo que o ensino das Escrituras deve ter um efeito prático em nossa vida. As Escrituras registram histórias daqueles que agradaram e dos que não agradaram a Deus. Aqueles que erraram aprenderam com seus erros. Devemos suportar, como Cristo suportou, e ser encorajados com os exemplos de outros crentes. As biografias dos santos que venceram grandes obstáculos servem de exemplo daquilo que pode ser feito com a ajuda de Deus (cf Hb cap. 11). Isso nos dá esperança enquanto esperamos pacientemente pelas promessas de Deus. O conhecimento das Escrituras afeta nossas atitudes em relação ao presente e ao futuro. Quanto mais sabemos sobre o que Deus fez no passado, maior será a nossa confiança no que Ele fará nos dias futuros. Devemos ler diligentemente as Escrituras Sagradas para aumentarmos a nossa confiança naquilo que Deus considera ser o melhor para nós. Jesus foi contundente ao dizer: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5.39).

CONCLUSÃO

Na Igreja, naquela chamada por Jesus de “a minha Igreja”, o espírito de intolerância precisa ser banido. Sabemos, pela Bíblia, que o Senhor nosso Deus, nesta dispensação da Graça, colocou à disposição de seus filhos as condições necessárias para o viver a vida cristã. Assim, podemos afirmar, com segurança, que o segredo para o crente que deseja ser tolerante é o encher-se do Espírito Santo. Ninguém será tolerante, principalmente, sem o amor, sem a humildade, sem a paz, sem a mansidão, sem a longanimidade, para citar apenas alguns aspectos do Fruto do Espírito descrito em Gl 5.22. Enfim, o objetivo maior de todo crente deve ser o crescimento do Reino de Deus e a edificação da Igreja, por isso questões indiferentes e irrelevantes em matéria de salvação devem ser toleradas na igreja local e os “fortes” devem agir em relação aos “fracos” não com menosprezo ou orgulho, mas com “calorosa recepção”, entendendo que é necessário receber o “fraco” e instruí-lo para que ele, também, cresça e se torne um “forte” no futuro.

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