domingo, 20 de dezembro de 2015

Lição 13 – José, A Realidade de Um Sonho

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

4º Trimestre/2015

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 45.1-8

TEXTO ÁUREO: “E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um varão como este, em quem haja o Espírito de Deus?” (Gn 41.38).

INTRODUÇÃO

Com esta Aula concluímos o estudo do livro de Gênesis, concernente aos temas e tópicos propostos. Na Aula de hoje estudaremos a respeito da vida de José. Veremos preciosas lições que este valoroso jovem deixou como legado para todas as pessoas que sonham os sonhos de Deus. De todos os filhos de Jacó, José é, de longe, o mais focalizado pelo texto sagrado, pois, além de ter sido o instrumento de Deus para que Israel viesse a se tornar uma nação, também é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo distanciado de Deus. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independentemente da idade e das circunstâncias que o envolvam.
Ele foi o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição; salvador de seu povo.
Milhões ao longo dos séculos foram salvos com a história desse jovem valoroso. Seus atos pregam com muita contundência e penetração como deve ser o comportamento de um verdadeiro homem de Deus, mesmo que tenha que passar por dolorosas provações. José teve como principal meta não perder a comunhão com seu Deus, pois sabia que no tempo certo Deus lhe daria a recompensa pela sua fidelidade. Ele foi um homem fiel a seus pais, a seus superiores e a Deus. Ele foi fiel na adversidade e na prosperidade. Sigamos, pois, o seu exemplo!

I. A HISTÓRIA DE JOSÉ

José, filho de Jacó e de Raquel, ocupa a posição central na narrativa do livro do Gênesis, a partir do capítulo 37, parte conhecida pelos estudiosos das Escrituras como “o ciclo de José”.
José enfrentou terríveis provações: foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos, vendido como escravo, exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”. Os que conheceram José logo perceberam que Deus estava com ele em qualquer coisa que fizesse ou onde quer que fosse.
Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante a de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Não há nada como a presença dEle para derramar nova luz sobre a situação escura. Ao ler a história de José, note o que ele fez e cada situação. Sua atitude positiva transformou todo contratempo em progresso.

1. Filho da afeição. (Gn 37.3) José é mencionado, pela vez primeira, nas Escrituras Sagradas, em Gn 30.24, quando se noticia o seu nascimento miraculoso em Padã-Arã (Gn 28.2; 30.22-24). Raquel, sua mãe e a mulher predileta de Jacó, por quem o velho patriarca havia trabalhado para Labão durante quatorze anos, era estéril. Entretanto, Deus lhe abriu a madre e José nasceu, revelando, desde logo, que se tratava de uma pessoa com uma missão especial no plano divino para a salvação do homem. Seu nome, em hebraico, significa “Deus acrescenta” ou “aquele que acrescenta”, nome dado por Raquel para expressar ao Senhor seu desejo de ter mais um filho, desejo que foi atendido, embora Raquel tenha morrido neste seu segundo parto (Gn 35.16-19).
A vida de José é narrada nos capítulos 37 a 50 de Gênesis. Jacó amava mais a José do que a todos os seus filhos (Gn 37.3), porque era filho da sua velhice, razão pela qual fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e não lhe podiam falar pacificamente(Gn 37.4).


2. Filho da decisão. Raquel, a mãe de José teve a criança depois de anos de esterilidade (Gn 30.22). Jacó tinha 91 anos quando José nasceu. Deus, então, manda Jacó voltar à terra de seus pais. Atendendo as orientações de Deus, Jacó partiu de Padã-Arã com toda a sua família, para voltar à terra de Canaã (Gn 31.17 e 18). A partida de Jacó e seus filhos de Padã-Arã prenuncia o Êxodo das doze tribos de Israel do Egito; Eles vão, não porque o filho do coração mexeu com a alma do patriarca, mas sim, em resposta a um chamado de Deus para a dorar na terra de Canaã (Êx 3.13-18); eles despojaram o inimigo de sua riqueza (Êx 12.35,36); eles são perseguidos por forças superiores e salvos por intervenção divina (Êx 14.5-31). Estes exemplos do Antigo Testamento apontam para a peregrinação do Novo Israel, a Igreja (veja 1 Co 10.1-4). Durante sua viagem de retorno à Canaã, Jacó morou em Sucote e depois em Siquém (Gn 33.17-19). Mais tarde foi morar em Betel (Gn 35.1, 5 e 6). Em Betel o próprio Deus anunciou ao idoso Jacó a mudança de seu nome, que passou a ser chamado de - Israel: “aquele que luta com Deus” (Gênesis 35.10). Posteriormente, em caminho de Betel para Efrate (Belém), morreu Raquel, mãe de José, ao dar à luz Benjamim (Gênesis 35.19).

3. Filho dos sonhos. (Gn 37.5-11) José, aos dezessete anos de idade, teve um sonho e contou a seus irmãos. Ele lhes disse: "Estávamos nós atando molhos no campo e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho". Responderam-lhe seus irmãos: "Tu, pois, reinarás sobre nós e deveras terás domínio sobre nós?". Por causa dos seus sonhos e das suas palavras o odiavam ainda mais.
Neste primeiro sonho, temos que José se dirige apenas a seus irmãos, até porque o sonho envolve tão somente ele e seus irmãos. Aqui, José revela imaturidade, o que é próprio para quem tinha a sua idade. José deveria ter guardado o sonho para si ou, quem sabe, pedir a seu pai, que, certamente, já lhe dissera a respeito das experiências que tivera com o Senhor, inclusive a visão em Betel, alguma orientação. Entretanto, José quis, com o sonho, alterar a sua posição diante de seus irmãos; não tinha percebido que não é desta maneira que alguém se impõe. Não é por força, nem por violência, mas pelo Espírito Santo que uma liderança escolhida por Deus se impõe aos demais (cf. Zc 4.6). Esta experiência José ainda não possuía e deveria aprendê-la nas diversas fases de sua vida.
Teve José outro sonho e o contou diante de seus irmãos, dizendo: "Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim”. Os irmãos o odiaram por causa do sonho e seu pai repreendeu-o porque entendeu que, segundo o sonho, todos eles viriam a inclinar-se com o rosto em terra diante dele. Jacó repreendendo a José, não porque não cresse nos sonhos, mas pela própria inexperiência do filho, tanto que o velho patriarca guardou estas coisas em seu coração (Gn 37.11). Entretanto, os sonhos apenas aguçaram a beligerância entre José e seus irmãos, cuja inveja já era, então, notória e explícita.
Apesar da imprudência de José no tocante às revelações recebidas da parte de Deus, verdade é que era necessário, no plano divino, que ele contasse os sonhos a seus irmãos, para que se tivesse a situação que o levou ao Egito como escravo; mas isto nos serve de lição para que tenhamos muita prudência e cuidado no que toca à divulgação de nosso relacionamento com o Senhor. Há um espaço de intimidade entre o crente e o Senhor (Mt 6.6; Ap 2.17), espaço este que não deve ser divulgado a ninguém, a menos que haja uma determinação neste sentido da parte do Senhor. Não podemos nos esquecer que vivemos num mundo mau e que nem todos são nossos amigos, bem como que o nosso inimigo sempre está ao nosso derredor, buscando a quem possa tragar (1 Pedro 5.8).
Os sonhos de José eram os sonhos de Deus, mas, inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna; seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo; seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa.
Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a Terra Prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados.

4. José sofreu a dor do desprezo e do abandono. (Gn 37.24,25) José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn 49.22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn 49.27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn 35.22; 49.4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn 34.25-29; 49.5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn 37.11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn 37.18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn 37.18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado e abandonado por aqueles que deveriam protegê-lo.
José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e é posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn 37.24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos.
A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um líder precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente de Deus. Era esta a primeira lição que Deus dava a José e uma lição que dá a cada um de Seus servos que tem chamado para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

II. UM ESCRAVO CHAMADO JOSÉ

José, de filho predileto, torna-se uma mercadoria, um escravo. Mas, a Bíblia diz que Deus era com ele (At 7.9).

1. O preço de um jovem. “Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram, e alçaram a José da cova, e venderam José por vinte moedas de prata aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito” (Gn 39.28).
Judá livra José da morte, convencendo seus irmãos a vendê-lo a mercadores do deserto, ismaelitas e/ou midianitas (Gn 37.27,28). José foi vendido por vinte moedas de prata, abaixo da cotação do mercado para aquisição de um escravo (cf. Êx 21.32). José foi tratado como uma mercadoria, um objeto descartável, “mas Deus era com Ele” (At 7.9).
José foi levado para o Egito, a potência política da época, onde foi vendido a Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda (Gn 37.36). No Egito, inicia-se a segunda fase da vida de José. Não era mais agora o filho predileto na casa de seu pai, mas um escravo em terra estrangeira. Deus já mostra a Sua presença ao fazer com que José seja comprado por um alto funcionário da corte de Faraó. Potifar era o capitão da guarda, o encarregado da segurança de Faraó e de seus palácios, de modo que José é introduzido, ainda que na condição de escravo, num ambiente privilegiado.
Apesar de ter perdido a condição de filho predileto na casa de seu pai e de, agora, ser um escravo em terra estrangeira, José não havia perdido a companhia do Senhor. O texto sagrado é enfático ao afirmar que “o Senhor estava com José” (Gn 39.2). E por que Deus estava com ele? Porque José se manteve fiel ao Senhor. Como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”(Sl 145.18). José servia verdadeiramente a Deus, adorava a Deus pelo que Ele é, não pelo que Ele fazia ou deixava de fazer e, por isso, o Senhor estava com ele.
José decidira servir a Deus, mesmo em uma situação tão difícil, em terra estranha, longe de sua família, traído pelos seus irmãos. Apesar disso, ele mantém a mesma posição diante de Deus: integridade e lealdade. Continuou a servi-lo, a amá-lo, pois amar a Deus é fazer o que Ele manda (João 14.5; 15.14).
Temos sido íntegros em nosso viver? Servimos a Deus tanto na alegria como na tristeza, tanto quando estamos em uma situação privilegiada, como José na casa de Jacó, quanto quando estamos como escravos em terra estrangeira, completamente sós e desamparados? Temos o mesmo sentimento que teve o patriarca Jó: “… receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2.10). Isto é ser íntegro; isto é ter o coração inteiramente dedicado a Deus, render-lhe exclusiva adoração, não importando com nada que esteja à nossa volta, as chamadas “circunstâncias”. É esta a ordem divina para os Seus servos: “… andai no temor do Senhor com fidelidade e com coração inteiro” (2 Cr 19.9). Israel teve um rei por nome Amazias, que não serviu ao Senhor de coração inteiro (2 Cr 25.2), motivo pelo qual teve grandes fracassos em sua vida.

2. A pureza de um jovem. No Egito José mostrou ser um diligente e fidedigno escravo, granjeando o respeito e a confiança de seu novo dono. Vendo Potifar que Deus era com José, fazendo prosperar em sua mão tudo quanto ele empreendia (Gn 39.3), decidiu Potifar promovê-lo a supervisor, com responsabilidade sobre todas as questões domésticas. Em Gn 39.2, o texto afirma: "O Senhor era com José que veio a ser homem próspero..." Ainda que isto se refira a tornar-se materialmente próspero, José era também, certamente, bem sucedido espiritualmente. Uma das lições que pode ser aprendida conforme a história se desenvolve é que até mesmo uma pessoa espiritualmente bem sucedida não está isenta da tentação. Paulo adverte: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia" (1Co 10.12). Precisamos estar sempre em guarda contra as manobras de Satanás. (Gn 39.7-12) Mas, quando tudo parecia estar bem na vida de José, surge a tentação. A mulher de Potifar quis deitar-se com José, pois ele era formoso de parecer e formoso à vista (Gn 39.6). José resistiu a esta oferta, não aceitando deitar-se com a mulher de seu senhor. Em primeiro lugar, porque era fiel a Deus e sabia que uma relação sexual fora do casamento estava fora da vontade divina. Em segundo lugar, José sabia o seu lugar: “estava na casa do seu senhor” e, por isso, bem sabia que a mulher de Potifar não se encontrava entre os bens que lhe haviam sido confiados (Gn 39.9). Em terceiro lugar, porque o adultério é um grande mal e um terrível pecado contra Deus (Gn 39.9). Vemos, assim, mais um sinal de integridade na vida de José.
Humanamente pensando, José nada teria a perder em aceitar esta oferta. Era rapaz jovem vigoroso e a mulher de seu senhor não devia ser feia. A tentação era realmente forte e, além do mais, Potifar lhe tinha absoluta confiança. No dia em que sofreu o ataque mais decidido da mulher de Potifar, não havia sequer uma testemunha que o pudesse incriminar. Entretanto, José não tinha a dimensão humana em vista, mas tão somente a dimensão divina.
José podia usar outro argumento para justificar a sua queda moral: ele era escravo. Ele podia pensar que não tinha nada a perder e, ainda, um escravo só tem que obedecer. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher. José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. Ele estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar. José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade.
José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn 39.2,3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn 39.5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn 39.9) e um grave pecado contra Deus (Gn 39.9).
Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn 39.12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado.
O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade, está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

3. A prisão de um jovem. Interessante notar que, tivesse Potifar acreditado na acusação feita pela esposa, de que José havia tentado contra sua honra, indubitavelmente a punição teria sido a morte. Há, ainda, outra lição a ser colhida: o registro inspirado informa-nos que a esposa de Potifar instigou José não uma só vez, mas antes "todos os dias" (versículo 10). Isto significa que ela tentou seduzi-lo tanto quando ele estava fraco como quando ele estava forte. Algumas das mais fortes tentações da vida são aquelas que ocorrem "todos os dias". Na prisão, José foi tratado com grande severidade pelos seus carcereiros. A respeito dele disse o salmista: “Feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferros, até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra de Deus o provou.” (Sl 105.18 e 19). Na prisão Deus mais uma vez intervém. O capitão da guarda, por causa da conduta exemplar de José, deu-lhe um cargo de confiança sobre os outros presos, inclusive dois de considerável importância, lançados posteriormente na mesma prisão: o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.

4. José prospera, a despeito das adversidades. “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...” (Gn 39.2).
Em virtude de sua fidelidade a Deus em uma situação tão adversa, José foi um varão próspero (Gn 39.2,3). Ele não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - “Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha” (Gn 39.3,4).
José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt 5.16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos.

5. A intervenção de Deus por José. “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (At 7.10). Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno. Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

a) Deus livrou José de todas suas aflições (At 7.10a) – “e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria.  Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, Ele é poderoso: para enxugar nossas lágrimas; para aliviar nosso fardo; para acalmar as tempestades de nosso coração; para trazer bonança para nossa vida e nos dar um tempo de refrigério.

b) Deus deu a José graça e sabedoria (At 7.10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do Faraó. Em José, havia o Espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

c) Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (At 7.10c) – “...que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz a palavra de Deus. Deus usou José para salvar a vida de sua família. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.


III – UM LUGAR DE REFÚGIO PARA ISRAEL

1. O intérprete de sonhos. Certo dia, quando fazia sua ronda costumeira, José notou que os prisioneiros mais ilustres, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros de Faraó, ambos tinham uma expressão muito preocupada. Eles disseram que haviam tido um sonho estranho e que não podiam compreender o seu significado. Depois de atribuir a interpretação a Deus, José fez saber a eles a significação: em três dias o chefe dos copeiros seria reintegrado à sua antiga posição, e daria o copo nas mãos de Faraó, como fazia antes. O diligente José pediu ao chefe dos copeiros que se lembrasse dele quando estivesse de volta à corte, pedindo ao Faraó a sua libertação. Quanto ao chefe dos padeiros, em três dias este seria condenado à morte por ordem do rei. E assim aconteceu. “No terceiro dia, que era aniversário de nascimento de Faraó, deu este um banquete a todos os seus servos; e, no meio destes reabilitou o copeiro chefe, mas ao padeiro chefe enforcou, como José lhes havia interpretado.” (Gn 40.20-22).

2. Um economista de excelência. O escravo liberto, agora com 30 anos de idade (Gênesis 41.46), após 13 anos de servidão, foi ritualmente adotado pela corte, recebendo um nome egípcio: Zafenate-Panéia. Também como recompensa, Faraó deu-lhe por mulher Asenate, filha de um sacerdote de Om cidade chamada posteriormente de Heliópolis, o centro do culto ao sol. No devido tempo, os acontecimentos se passaram precisamente como José previra. Durante os primeiros sete anos, José se assegurou de que as abundantes colheitas de grãos em seu país de adoção fossem estocadas. Durante esse período, José tem desfrutado de prestígio e riqueza, bem como de felicidade pessoal. Asenate, sua mulher, deu à luz dois filhos, que receberam os nomes de Manassés e Efraim.

3. O salvador de seu povo. Mesmo com a ascensão demorada de José, que era cárcere e, depois de Deus o usar como intérprete para os sonhos do Faraó Ramsés, se tornar o 2º na terra do Egito, nunca foi vista uma mudança de ego em José. Após o encontro com sua família, José arranjou a melhor terra no Egito para que sua família morasse. José viveu muitos anos no Egito até sua morte com 110 anos (Gn 50.22), mas nunca se esqueceu da aliança de Deus para o povo de Israel. Essa aliança foi a de que a terra de Canaã, onde morava seu pai Jacó, seria dada à Abraão e seus descendentes. Antes de sua morte, José pediu para que fosse enterrado na Terra de Canaã, pois era a Terra que Deus tinha dado a Abraão e seus descendentes por herança.

IV – LIÇÕES DA CONDUTA DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Prioridade na Comunhão com Deus. José, em todos os momentos de sua vida, foi uma pessoa que se preocupou em agradar, sobretudo, a Deus, em ter como prioridade o seu relacionamento com Deus. José priorizou este relacionamento com o Senhor e não esmoreceu mesmo quando foi repreendido por seu pai, por causa de um sonho que teve da parte do Senhor ou quando foi para a prisão por ter se recusado a violar a lei do Senhor ante a oferta de adultério por parte da mulher de seu senhor. Esta dedicação extrema ao Senhor, devoção, piedade e integridade é, sem dúvida, uma das mais preciosas lições que extraímos da vida de José. Pensamos nas coisas que são de cima (Cl 3.1,2)? Estamos realmente mortos para o mundo (Rm 6.2; Cl 3.3)? Não mais vivemos, mas Cristo vive em nós (Gl 2.20)?

2. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. José foi fiel a Deus, temeu ao Senhor, não importando o que lhe aconteceu ao longo da vida. Foi fiel a Deus na casa de seu pai, como escravo em terra estranha, na casa do cárcere como preso injustiçado e no palácio de Faraó, como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “… Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

3. Disposição para o perdão. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifá. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” (Gn 50.21).
Perdoar: é cancelar a dívida e não cobrar mais; é deixar o outro livre e ficar livre; é oferecer ao ofensor o seu melhor. O perdão oferece cura para os ofensores e ofendidos.

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manasses a seu primeiro filho (Gn 41.51) – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". O nome Manasses significa "perdão". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn 45.18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma.

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn 47.11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn 50.19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família.

4. A prioridade das bênçãos espirituais. José era governador do Egito, o segundo homem do mais poderoso país daquele tempo, homem que desfrutava da plena confiança de Faraó. Seria natural, ainda mais diante da traição sofrida na casa de seu pai, que se apegasse às riquezas do Egito, à sua posição social, ao seu poder político. No entanto, José fez seus irmãos jurarem que levariam seus ossos para Canaã assim que eles retornassem para a Terra Prometida. José não se impressionou com as bênçãos terrenas que recebera, mas mantinha sua esperança na Terra Prometida, ou seja, nas promessas dadas por Deus a Abraão, Isaque e Jacó. O que temos buscado nesta vida? Uma posição social, riqueza, poder? Se esperarmos em Cristo somente nesta vida somos os mais miseráveis dos homens (1 Co 15.19).

5. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Sempre vemos José se apresentando com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José. Amém!

CONCLUSÃO

Em nossa vida, estamos sujeitos a passar por tentações, provações e adversidades, elas, de algum modo, servem para moldar o caráter cristão. Diante dos momentos difíceis da vida, precisamos agir com sabedoria e serenidade, sempre dependendo do auxílio divino. Se aprendermos a viver nessa dependência, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn 50.20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Amém!

REFERÊNCIAS:
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Bíblia de Estudo Palavra Chave. Rio de Janeiro: CPAD.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
BOYER, Orlando. PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA. Estados Unidos da América: Editora Vida, 1998.
HAMILTON, Victor P. Manuel do Pentateuco.  Rio de Janeiro: CPAD.
http://luloure.blogspot.com.br/
MERRILL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
WALTKE, Bruce K. Gênesis. Editora Cultura Cristã.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Relacionamentos solidários

TEXTO DO DIA
“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.27).

SÍNTESE
A misericordiosa solidariedade de Deus em Cristo motiva os homens a se compadecer e socorrer o próximo em suas necessidades.


TEXTO BÍBLICO
Tiago 2.5-17.


INTRODUÇÃO

O termo solidariedade é de origem francesa <solidarité>. É um substantivo feminino que indica a qualidade de solidário e um sentimento de identificação em relação ao sofrimento dos outros, remete para uma responsabilidade recíproca - “Quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos e irmãs, foi a mim que fizeram” (Mt 25.40). A solidariedade cristã não se mede pela quantidade de ajuda financeira que damos aos mais necessitados; mas pelas motivações reais que nos levaram a ajudar. Há caridosos materiais que não são sensíveis nem solidários às necessidades espirituais humanas. A solidariedade é descrita em muitas passagens da Bíblia, há dons espirituais especificamente ligados à prática de atos sociais generosos (Rm 12.8b). Nestes dias corridos, esse é um tema esquecido, os homens são egoístas. Somos ensinados a ignorar as pessoas e se preocupar somente com a nossa vida. Isso dificulta o exercício do amor cristão, pois a Palavra nos diz para amar os outros como amamos a nós mesmos (Mt 22.39). A solidariedade é exatamente deixar de olhar para nós mesmos e contemplar o outro. o mundo não consegue observar o que nós cremos a menos que consigamos evidenciá-lo com as nossas obras. Vamos pensar maduramente a fé cristã?


I. O QUE É SER SOLIDÁRIO (Mt 25.34-36)

1. Solidariedade é um ato de amor (Mt 25.40). Jesus falando do Grande Mandamento em Mt 25.40, rebate o código de moralidade dos fariseus que consistia de inúmeras regras e regulamentos momentâneos. Jesus resumia todas as obrigações morais na palavra amor, expressas na dualidade de Deus e próximo. A Bíblia fala da solidariedade, em primeiro lugar, corno um ato divino. O Senhor Jesus, nosso Deus, foi solidário com as necessidades da humanidade, a ponto de tomar a forma humana. Deus tornou-se como um de nós, para nos dar salvação (Jo 1.14;3.16). Sua identificação com os homens foi tão profunda que, sendo rico, tornou-se pobre e, mesmo santo, foi crucificado como um maldito. Tudo isso, a fim de nos livrar da condenação por causa de nossos pecados. Lembre-se de que o ato solidário de Jesus foi motivado pelo amor e pela sua compaixão e misericórdia (Mt 14.14; 15.32; 20.34), muito diferente dos que fazem alguma coisa esperando receber outra maior em troca - Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade (1Jo 3.17-18).

2. Três dons solidários. Solidariedade é interessarmo-nos pelas necessidades de nossos semelhantes e fazermos alguma coisa para diminuir sua dor; Há dons espirituais especificamente ligados à prática de atos sociais generosos (Romanos 12.8b). “(...) quem exerce misericórdia, com alegria”. (Rm 12.8) - Entre as três listas de dons espirituais feitas por Paulo – Rm 12.3 a 8; 1Co 12.2 a 10 e Ef 4.11 e 12 – nós vamos encontrar o “dom da misericórdia”. Misericórdia, conforme a “Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia” é a atitude de compaixão e de beneficência ativa e graciosa por parte da Igreja de Deus. O ato solidário de Jesus foi motivado pelo amor e pela sua misericórdia (Mt 14.14; 15.32; 20.34).

3. Jesus, exemplo maior de solidariedade (2Co 8.9; Fp 2.5-8). Entendamos que Misericórdia é não receber aquilo que merecemos - punição impedida, contida; Todos nós pecamos (Ec 7.20, Rm 3.23, 1Jo 1.8) e como resultado do pecado, todos nós merecemos a morte (Rm 6.23) e julgamento eterno do lago de fogo (Ap 20.12-15). Assim, cada dia que vivemos é um ato de misericórdia de Deus. Se Deus nos desse tudo o que merecemos, todos estaríamos, agora, condenados por toda a eternidade. No Salmo 51.1-2, Davi clama: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado." Um apelo a Deus por misericórdia é pedir a Ele que suspenda o julgamento que merecemos e, ao invés, conceda-nos o perdão que não merecemos. O próprio Cristo pagou o preço desse dom quando não tendo por usurpação ser igual a Deus, aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo...e chegou à morte da cruz (Fp 2.6-8). Paulo discorre sobre isso aos Efésios: “... e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.3-5 - JFA).

Pense!
“Solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angústias nunca verbalizadas” (Augusto Cury).

Ponto Importante
Jesus foi solidário e diferente daqueles que ajudavam os pobres acompanhados de uma comitiva de músicos para divulgar suas demonstrações de caridade (Mt 6.1-4).

II. A BÍBLIA E A SOLIDARIEDADE

1. Solidariedade no Antigo Testamento. Em Deuteronômio 15.4 ficamos sabendo que Deus não queria que existisse pobre em Israel, para isso, Ele proveu Leis para que, seguindo-as, o povo exercitasse a misericórdia (Êx 23.11; Lv 19.9-10; 25.3-7). Quando Deus distribuiu as terras entre as 10 Tribos, todas as famílias israelitas, sem exceção, receberam uma porção de terra para que pudessem fazer parte da vida comercial de Israel e tivessem condições de viver por conta própria. A palavra portuguesa misericórdia vem do latim mercês, mercedis, «pagamento», «recompensa», que veio a ser associada às recompensas divinas, ou seja, aos atos de compaixão celeste. No Antigo Testamento temos três palavras que devem ser consideradas:
1. Hesed, que aponta para a idéia da sede física da compaixão, e que leva o indivíduo a sentir e exprimir compaixão. Ver Sl 23:5; Js 2:12-14; Jr 3:13, para exemplificar. Essa sede da compaixão eram as entranhas (modernamente atribuímos isso ao «cora­ção») ou o ventre (ver Gn 43:30; I Rs 3:26). É daí que se originam o amor e a misericórdia naturais, que se podem achar nos membros de uma mesma família, uns pelos outros, e que o homem espiritual é capaz de ampliar, envolvendo seus parentes distantes e outras pessoas. Deus estende a sua misericórdia a todas as criaturas vivas, sendo esse o alvo mesmo da espiritualidade, no tocante a esse aspecto. Uma mãe sente compaixão por seu bebê (ver Is 49:15); um pai por seu filho (ver Jr 31:20); um amante por seu objeto amado (ver Os 2:19); um irmão por seu irmão (ver Am 1:11).
2. Rhm, uma raiz hebraica que descreve as atitudes de Deus em relação à miséria e desgraça de seu povo, ou seja, a compaixão que isso provoca nele. O vinculo que une Deus às suas criaturas, leva-o a expressar compaixão para com todos os seres vivos. Até mesmo aqueles que nada merecem da parte dele recebem misericórdia (ver Is 13:18; Jr 6:23; 21:7; 42:12; I Rs 8:50). — Um aumentativo plural dessa raiz, rachamim, fala sobre a piedade, a compaixão, o amor e as emoções associadas (ver Sl 103:4). Na verdade, hesed e rachamim são sinônimos virtuais.
3. A raiz hebraica chnn é usada para indicar a exibição de favor e misericórdia, de alguém mostrar-se gracioso para com outrem. Ver Dt 7:2; Sl 57:1; 123:2,3. A forma substantivada dessa raiz é chen, «favor», «sucesso», «aceitação», «fortuna». Essa palavra também aponta para a idéia de sentir compaixão, de poupar à pessoa favorecida, de não aplicar nenhum castigo a ela. O trecho de Dt 7:2 diz que Israel não deveria poupar seus adversários; não obstante, Deus poupa a todos nós, pois os resultados da aplicação de sua justiça seriam desastrosos para com todos nós. Ver Lm 3:22.

2. Solidariedade em o Novo Testamento. No Novo Testamento também precisamos conside­rar três vocábulos, a saber:
1. Éleos, «misericórdia», «compaixão». Essa palavra grega ocorre por vinte e sete vezes: Mt 9:13 (citando Os 6:6); 12:7; 28:23; Lc 1:50,54,58,72,78; 10:37; Rm 9:23; 11:31; 15:9; Gl 6:16; Ef 2:4; I Tm 1:2; II Tm 1:2,16,18; Tt 3:5; Hb 4:16; Tg 2:13; 3:17; I Pe 1:3; II Jo 3: Jd 2,21. A forma eleemosúne aparece por treze vezes: Mt 6:2-4; Lc 11:41; 12:33; At 3:2,3,10; 9:36; 10:2,4,31; 24:17. O verbo, eleéo, figura por vinte e nove vezes: Mt 5:7; 9:27; 15:22; 17:15; 18:33; 20:30,31; Mc 5:19; 10:47,48; Lc 16:24; 17:13; 18:38,39; Rm 9:15 (citando Ex 33:19); 9:16,18; 11:30-32; 12:8; I Co 7:25; II Co 4:1; Fp 2:27; I Tm 1:13,16; I Pe 2:10; Jd 22,23. O adjetivo eleémon ocorre por duas vezes: Mt 5:7 e Hb 2:17. A idéia de misericórdia está sempre relacionada à idéia de «graça» (no grego, eháris).
2. Oiktirmós, «simpatia», «compaixão». Essa palavra grega, que se refere às simpatias e interesses coletivos de Deus pelos homens, aparece por cinco vezes: Rm 12:1; II Co 1:3; Fp 2:1; Cl 3:12; Hb 10:28. Sua forma adjetivada, oiktirmon, foi usada por duas vezes: Lc 6:36 e Tg 5:11. O verbo, oikteíro, aparece só por duas vezes: Rm 9:15 (citando Êx 33:19).
3. Splágchna, «entranhas», está metaforicamente envolvida à idéia de misericórdia. Essa palavra grega aparece por onze vezes: Lc 1:78; At 1:18; II Co 6:12; 7:15; Fp 1:8; 2:1; Cl 3:12; Fm 7,12,20; I Jo 3:17. O verbo, splagchnízomai, aparece por doze vezes: Mt 9:36; 14:14; 15:32; 18:27; 20:34; Mc 1:41; 6:34; 8:2; 9:22; Lc 7:13; 10:33; 15:20.]. “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais!” (Jo 13,15). Os discípulos eram desafiados a contemplar o agir do Mestre e nele se inspirar. Muito diferente dos fariseus hipócritas, contra os quais foram alertados. “Fazei e observai tudo quanto vos disserem. Mas não imiteis suas ações, pois dizem, mas não fazem” (Mt 23,3-4). Um aprendizado feito como antítese das lições dos mestres. Este exemplo encontrado em Jesus reflete a o próprio Deus: “Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). O farisaísmo praticava os atos de piedade sem qualquer profundidade, por se preocupar com o reconhecimento alheio. A religiosidade exterior escondia o interior cheio de malícia. Jesus denunciou com vigor profética tal esquizofrenia religiosa. “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mt 23,27). O princípio de solidariedade se formula claramente no evangelho de Mateus 7.12. Ali Jesus resume o Antigo Testamento com uma frase: “Tudo o que você quiser que os outros façam a você, faça a eles, por que isso é o que a Lei e os profetas querem dizer”. Jesus convida os seus ouvintes a serem solidários, colocando-se no lugar dos outros, como se fora eles mesmos. A solidariedade é, portanto, uma das manifestações do amor que leva o cristão a identificar-se com o próximo. Jesus é o exemplo pleno de solidariedade e amor. Ele indica, segundo João 15:12, que o amor ao outro é para ser demonstrado na medida com que ele amou, ou seja, ele entregou-se por meio do dom mais preciso: a vida. Jesus não oferece outro referencial de amor a não ser o de dar a própria vida.

3. Solidariedade descritas na Bíblia (Is 58.6-11; Hb 13.1-8). Como podemos definir amor fraterno? "Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?" (Gn 4.9) – Responsabilidade de uns para com os outros. Nós somos responsáveis pela maneira como tratamos os nossos irmãos e irmãs. Para aproximar-se de Deus, é necessário amar o próximo - "O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade." (Sl 15.3). A Epístola de 1º Pedro desafia todo cristão a ser santo como servo e imitador de Jesus Cristo, encontramos uma ênfase especial no amor fraternal. Destaca vários atributos importantes do amor entre irmãos:
a. É de coração (1.22). Este amor não é apenas “da boca para fora”. É uma genuína preocupação com os irmãos.
b. É ardente (1.22) e intenso (4.8). O verdadeiro servo do Senhor ama com fervor.
c. Trata os irmãos como amigos (3.8-11). Este amor se manifesta na compaixão, misericórdia e humildade. Jamais procura a vingança, e não usa a língua para falar mal. O amor fraternal busca a paz.
d. Cobre os pecados dos outros (4.8). A mesma expressão em Tiago 5.19-20 explica o sentido desta linguagem. O amor não minimiza os pecados, nem passa a mão na cabeça do pecador. O verdadeiro amor corrige o pecador para ajudá-lo a se arrepender e voltar para o Senhor. Os pecados perdoados são cobertos e não voltarão para condenar o pecador resgatado.
e. Demonstra a hospitalidade e se dedica no serviço aos outros (4.9-10). O próprio Jesus veio para servir, não para ser servido (Mt 20.28). Devemos imitar a mesma atitude de serviço humilde.
f. Saúda os irmãos com amor (5.14). O cumprimento entre irmãos reflete o amor mútuo que existe na família de Deus.
Todos os que buscam a santificação como discípulos de Jesus devem demonstrar “o amor fraternal não fingido”, amando “uns aos outros ardentemente” (1.22).

Pense!
“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana” (Franz Kafka).

Ponto Importante
“Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2.18).

III. TRABALHOS VOLUNTÁRIOS (Lc 14.12-14)

1. O que é ser um voluntário? Segundo a Lei nº 9608/98, serviço voluntariado é a atividade não remunerada prestada à pessoa jurídica que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos ou de assistência social, inclusive mutualidade.  Os voluntários sempre existiram, mas somente agora a lei regulamentou sua existência. Para que haja voluntário, é preciso que a instituição se identifique com o que diz a Lei 9.608/98. “Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” (Sl 51.12). É estimulante e desafiador olhar para pessoas como Moisés, Paulo e tantos outros grandes nomes das Escrituras que muito fizeram em favor do Reino de Deus. Ficamos impressionados por ver a magnitude da obra que realizaram no cumprimento da Sua vontade, uma vez que, por tudo o que fizeram, tornaram-se referenciais para tantas outras. Talvez pensemos que nós mesmos não temos importância nesse projeto divino, precisamos buscar em personagens bíblicos pouco conhecidos para enxergarmos a importância do trabalho voluntário. Você já ouviu falar em Sifrá e Puá? É bem provável que muitos nunca tenham ouvido falar desses nomes. Fora parteiras hebréias no Egito nos tempos de Moisés (Êx 1.15-22). O fato é que por uma atitude voluntária e, comprometidas pelo temor de Deus, aquelas mulheres não mataram os recém nascidos das mulheres hebréias de sua época a mando de Faraó. O maravilhoso resultado dessa ação foi que Moisés, até então, um pequeno e frágil recém nascido, teve sua vida preservada. Certamente, aquelas mulheres não imaginavam que, agindo daquela maneira, estariam contribuindo com a futura libertação do povo de Deus dos grilhões do Egito pela condução do sobrevivente Moisés. Que estímulo para nós!

2. Quem deve realizar trabalhos voluntários. Gl 2.10: procurar com diligência: spoudazo– STRONG 4704: Esforçar-se, fazer todos os esforços, dar diligência, fazer com urgência, ser zeloso, esforçar cada nervo, e incrementar a causa com assiduidade. Spoudazo mescla pensar e agir, planejar e produzir. Vê uma necessidade e imediatamente faz algo a respeito. A palavra engloba começo, ação e prosseguimento. “Ser voluntário” é algo que não atrai tanta gente. Vivemos numa geração que, aos poucos, tem perdido o interesse pelo voluntariado, sob os mais diversos argumentos. No entanto, há um povo que está sendo formado e que precisa encontrar referenciais que lhes sirvam de inspiração ao voluntariado. O voluntariado é fundamental na vida da igreja. Embora todos tenham seus compromissos pessoais e necessitem de recursos financeiros para sobreviver, nem todo serviço eclesiástico poderá ser custeado pela instituição religiosa. Quando há uma conscientização acerca dessa realidade e a convicção de que o que se faz é para Deus, mesmo que homens estejam se beneficiando, alguns gestos que não custam quase nada, como poucas horas do dia, um tempo gasto no cuidado de alguém ou um pequeno investimento na vida de um necessitado, não se mostrarão pesados demais.

3. Trabalhos sociais. Uma atitude voluntária em favor de uma pessoa que hoje se encontra numa situação menos privilegiada, ou algo aparentemente inexpressivo que fazemos, pode, no futuro, produzir resultados surpreendentes. Existem várias maneiras de exercermos o voluntariado. Quer seja nas obras assistenciais mantidas pela igreja, ou na execução de um trabalho que surge pela necessidade do momento, precisamos estar atentos e sempre prontos a nos oferecer voluntariamente, sem nos importar se vamos “sair na foto”, ou, quanto vamos receber em troca. Deus se alegra quando encontra um coração voluntário. Ele mesmo demonstrou possuir esse espírito entregando Seu único filho em nosso favor. Por esse motivo, é certo que Ele saberá recompensar aquele, que de alguma maneira, exercer o voluntariado e conseguir permanecer tomado por esse mesmo espírito. Portanto, não podemos ficar alheios a essa ideia. Quando buscamos em Deus essa visão, somos tomados por um desejo de nos apresentarmos a Ele, dispostos e disponíveis, para lhe oferecer o que for necessário, a fim de que outras pessoas possam ser abençoadas por Ele através de nós. Nossa inspiração deve vir daqueles que um dia já agiram assim, dentre os quais destacamos o Senhor Jesus, que por uma atitude voluntária, deu Sua própria vida para o resgate de tantas outras, baseado na consciência que tinha de que maior sempre será aquele que serve, sem ficar esperando nada em troca.

Pense!
“A felicidade de grandes Homens consiste em levar amor e solidariedade a quem necessita” (Walyson Garrett).

Ponto Importante
“Houve mestres que ordenaram às pessoas, venderam o que tinham, e muitos tornaram-se fanáticos. Nós, todavia, deixamos o Espírito guiar os crentes e dizer-lhes o que ofertar. Quando alguém fica cheio do Espírito, a sua carteira converte-se e Deus o torna mordomo. Se Deus lhe ordenar: ‘Venda!’, ele vende” (W. Seymour).

CONCLUSÃO

Nosso trabalho voluntário, assim como nossa oferta, deve ter Deus como fonte. Quando doamos ou servimos, fazemos isso por Jesus. Aqueles que são alcançados por nosso serviço voluntário se tornam como Jesus para nós. A pessoa que visitamos na prisão ou no leito de hospital torna-se como Jesus para nós. Devemos fazer esse trabalho por Ele e para Ele. “Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.” (Sl 51.12). Jesus disse aos fariseus: “Ide e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos”, citando Oséias 6.6 (veja Mt 9.13). Em Mateus 23.23 temos outra afirmação semelhante: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciando os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas sem omitir aquelas”. (Mt 23.23). E, seguindo o ensino de Jesus, o apóstolo Tiago ensina: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”. (Tg  1.27). Portanto, o grande segredo do exercício da misericórdia é colocar-se no lugar do outro, e nisso ninguém se igualou a Jesus. Sigamos seus passos (1Pd 2.21-25).


REFERÊNCIAS:

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Bíblia de Estudo Palavra Chave. Rio de Janeiro: CPAD.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
BOYER, Orlando. PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA. Estados Unidos da América: Editora Vida, 1998.
http:// http://www.auxilioaomestre.com/
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.


“... vós de duplo ânimo, purificai os corações” [Tiago 4.8].

DUPLO ÂNIMO é o mesmo que CORAÇÃO DIVIDIDO. A vida é feita de escolhas. Não podemos deixar de decidir. Quem não é por Cristo, é contra Cristo. Quem com ele não ajunta, espalha (Mateus 12.30). Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro (Mateus 6.24). Ou serve só a Deus, ou não serve. Ou é quente, ou é frio, porque se for morno (dividido), Deus vomita (Apocalipse 3.15,16). Que o Senhor Deus nos ajude a não nos esquecermos de purificarmos os nossos corações.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Você será esquecido (a)

Você será esquecido (a) quando ninguém mais te procurar;
Você será esquecido (a) quando não retornarem tuas ligações não atendidas;
Você será esquecido (a) quando não responderem suas mensagens no WhatsApp, facebook, SMS etc.;
Você será esquecido (a) quando verem que você não mais nada a oferecer;
Você será esquecido (a)...
O ser humano é muito difícil de ser entendido, uma hora está em uma boa contigo, em outra hora, fecha a cara, não te procura e fica sem falar contigo.Você ainda tenta se aproximar, mas, é rapidamente bloqueado. Vai entender o ser humano?
Louvo a Deus por Ele agir diferente!
Está escrito na Palavra de Deus:
“Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti” [Isaías 49.15].

P.S.: Não importa quem anda te esquecendo, o importante é que Deus garante que não se esquecerá de ti. Glória a Deus! Aleluia!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Relacionamento e Perdão

TEXTO DO DIA:
“Então, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete” (Mt 18.21,22).


SÍNTESE
A doutrina bíblica do perdão é um bálsamo santo sobre a consciência pecaminosa do homem e uma ponte para relacionamentos rompidos.


TEXTO BÍBLICO
Mateus 18.21-35.


INTRODUÇÃO

O relacionamento entre pessoas tem sido complicado desde a criação, como também o relacionamento entre homem e Deus. Isso é devido à deformação na forma de ver as coisas. Como ficará claro ao longo desta lição, a palavra grega traduzida como "perdoar" significa literalmente cancelar ou remir, isto é, liberação ou cancelamento de uma obrigação. Foi algumas vezes usada no sentido de perdoar um débito financeiro. O conceito bíblico de perdão deriva do entendimento de que o pecador é um devedor espiritual; uma pessoa se torna devedora quando transgredi a lei de Deus (1 Jo 3.4). Deus nos tem perdoado em Cristo uma multidão de pecados pelos quais jamais poderíamos pagar para satisfazer à justiça da santidade divina, e assim como Ele nos perdoou em Cristo, também devemos perdoar. O exercício do perdão caracteriza um cristão verdadeiro e é por causa de sua falta que somos disciplinados pelo Senhor com os Seus juízos corretivos quando nos deixamos vencer por mágoas, ressentimentos e amarguras contra o nosso próximo, seja por qual motivo for.


I. O QUE É O PERDÃO

1. Nas línguas bíblicas. A palavra grega traduzida como "perdoar" significa literalmente cancelar ou remir. Significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação e foi algumas vezes usada no sentido de perdoar um débito financeiro. Para entendermos o significado desta palavra dentro do conceito bíblico de perdão, precisamos entender que o pecador é um devedor espiritual. Até Jesus usou esta linguagem figurativa quando ensinou aos discípulos como orar: "e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores" (Mt 6.12). Uma pessoa se torna devedora quando transgrede a lei de Deus (1 João 3.4). Cada pessoa que peca precisa suportar a culpa de sua própria transgressão (Ez 18.4,20) e o justo castigo do pecado resultante (Rm 6.23). Ele ocupa a posição de pecador aos olhos de Deus e perde sua comunhão com Deus (Is 59.1-2; 1Jo 1.5-7). Os vocábulos utilizados tanto no texto do Antigo quanto do Novo Testamento nos ensinam o seguinte: O perdão de Deus:
- Perdão completo, não parcial. Ele perdoa a todas as iniquidades (Sl 103.3).
- Perdão imediato, não tardio. Ele é pronto em perdoar e abundante (Sl 86.5).
- Perdão com alegria, não de mau-humor. Ele tem prazer (Mq 7.18).
- Perdão definitivo, não guarda rancor. Ele esquece dos pecados (Is 43.25; Jr 31.34; Is 1.18)
- Perdão grande, não pequeno. Ele é grandioso em perdoar (Is 55.7; Ne 9.17).
Tememos a Deus, pois mesmo podendo condenar, Ele perdoa (Mt 10.28; Sl 130.4). Na oração do Pai nosso em Mateus 6.12, lemos: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;", o que nos leva a entender que o perdão de Deus é condicional. Ou seja, temos uma das poucas coisas que Deus depende do homem; para Deus nos perdoar, Ele depende de que primeiro perdoemos os outros. Logo, é necessário exercer perdão para obter o perdão de Deus.

2. Nos atos e ensinos de Jesus. Ao ouvir o ensino de nosso Senhor relativo ao exercício da disciplina na Igreja, Pedro se antecipou aos demais discípulos e Lhe perguntou Jesus quantas vezes estaria obrigado a perdoar um irmão faltoso. Ele se valeu da tradição dos escribas e fariseus quando perguntou se até sete vezes, porque eles ensinavam que este era o número máximo que uma pessoa poderia ser perdoada por alguém. O maior exemplo de perdão foi dado por Deus: o perdão da cruz (Lc 23.34). O perdão de Jesus libertou-nos das nossas dívidas (Cl 2.13-15). A boa nova do evangelho é que Jesus pagou o preço por nossos pecados com sua morte na cruz. Quando chegamos à Cristo pelo impulso do Espírito e alcançamos a salvação através da fé, é aquele ato no Calvário sendo o pagamento de nossos pecados e nos livrando da culpa por nossas transgressões. Não ficamos mais na posição de infratores da lei, de devedores diante de Deus, seus inimigos. Somos perdoados!

3. Nos ensinos das epístolas. Paulo explana muito bem sobre o perdão em suas epístolas e nos esclarece que o perdão é o ato no qual o ofendido livra o ofensor do pecado, liberta-o da culpa pelo pecado. Este é o sentido pelo qual Deus “esquece” quando perdoa (Hb 8.12). Isso não implica dizer que Deus tenha amnésia. Por exemplo, Deus lembrou-se do pecado de Davi a respeito de Bate-Seba e Urias muito tempo depois que Davi tinha sido perdoado (2 Sm 12.13; 1Rs 15.5). Ele liberta a pessoa perdoada da dívida do seu pecado, isto é, cessa de imputar a culpa desse pecado à pessoa perdoada (Rm 4.7-8). É estendido, ainda, a ideia de que o perdão de Deus é condicional. Deus, ao perdoar, não exige mais a morte do pecador que responde a seu convite de salvação, aplicando sobre ele a justiça de Cristo, mas para isto, Deus exige fé, arrependimento e confissão (At 2.37-38; 8.35-38; Rm 10.9-10).

Pense!
“Não levante a espada sobre a cabeça de quem te pediu perdão” (Machado de Assis).
Ponto Importante
 “Quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoe” (Tertuliano).

II. O QUE NÃO É PERDÃO

1. Não é fraqueza e covardia. Realmente, Nietzsche reserva suas palavras mais amargas para a ética cristã. O que ele pretende mostrar é que o tipo de homem que a metafísica e a moral cristãs visam modelar é um tipo fraco, no sentido em que, para ser moral, deve alhear-se de uma parte da realidade, a mais concreta; a dimensão da sensibilidade. Assim, descreve o homem ideal da moral cristã como um «hemiplégico», paralisado de um lado. A acusação principal de Nietzsche contra a ética cristã é que é uma moralidade de fraqueza. "Desde o próprio início, a fé cristã é um sacrifício: o sacrifício de toda a liberdade, de todo orgulho, de toda a autoconfiança da mente; ao mesmo tempo, é servidão, zombaria de si mesmo e automutilação." Segundo Nietzsche: "Torne-se medíocre!' agora é a única moralidade que faz sentido, que acha ouvidos para ouvir." E no centro desta moralidade da mediocridade há o conceito cristão do amor. " 'A compaixão para todos' importaria em rigor e tirania para você, meu caro vizinho!" exclama ele. Além disto, diz: "amar a humanidade por amor a Deus tem sido, até agora, o sentimento mais distinto e forçado que a humanidade tem galgado." A Bíblia ensina que o direito de vingança pertence ao Senhor (Rm 12.17-21). O perdão, contudo, não é simplesmente uma recusa a tirar vingança. Algumas vezes a pessoa ofendida abstém-se de responder ao mal com o mal, mas não está querendo libertar o pecador de sua condição de transgressor mesmo quando o pecador se arrepende. A pessoa contra quem se pecou pode querer usar o pecado como um cacete para castigar o pecador, mencionando-o de vez em quando para vergonha do pecador. Se perdoo meu irmão, tenho que "esquecer" seu pecado no sentido que não mais o atribuo a ele. Ao contrário do pensamento Nietzschiano, exercitar perdão é o maior ato de nobreza, desde que, entendamos que o perdão não significa a remoção das consequências temporais. O homem que assassina outro pode arrepender-se e procurar o perdão, mas ainda assim sofrerá o castigo temporal da lei humana. Mesmo se perdoado, pode ter que passar o resto de sua vida na prisão. O perdão remove as consequências eternas do pecado!

2. Não é tolerância ao erro. De fato, se libertamos o pecador de sua culpa sem arrependimento, encorajamo-lo a continuar em seus modos destruidores. O perdão não é a desculpa pelo pecado. Algumas pessoas "esquecem," isto é, ignoram os pecados cometidos contra elas porque têm medo de enfrentar o pecador. Entretanto a Bíblia é bem explícita sobre o curso da ação a ser seguida quando um irmão peca contra mim (Lucas 17.3; Mateus 18.15-17). O perdão fala de misericórdia, mas não deverá ser confundido com a tolerância e permissão do pecado. O Senhor perdoará ou punirá o pecador, dependendo da reação do pecador ao evangelho, mas ele não tolera a iniquidade.

3. Não é anular a justiça (Lc 23.39-43). Perdão não anula a Justiça. Perdão anula a Vingança: “Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. Ao contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” (Rm 9.17-21).]

Pense!
Jesus ensinou que a justiça divina é distributiva e misericordiosa (Mt 20.1-16).
Ponto Importante
O exercício do perdão é uma lembrança de nossa posição diante de Deus.

III. PERDÃO, BASE DE RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS

1. Conflitos nos relacionamentos (Cl 3.13). O pecado danifica as relações entre as pessoas como prejudica nossa relação com nosso Criador. A pessoa contra quem se pecou frequentemente se sente ferida, talvez irada pela injustiça do pecado cometido. O perdão é necessário para a cura espiritual da relação, mas precisamos preparar nossos corações para perdoar. Precisamos aceitar a injustiça do ferimento, a deslealdade do pecado, e ficarmos prontos para perdoar (observe os exemplos de Jesus e Estevão - Lc 23.34; At 7.60). Mesmo se o pecador se recusar a se arrepender, não podemos continuar a nutrir a raiva, ou ela se tornará em ódio e amargura (veja Ef 4.26-27,31-32). Ainda que o pecador possa manter sua posição como transgressor por causa de sua recusa a se arrepender, seu pecado não deverá dominar meu estado emocional.

2. As duas dimensões do perdão. Já lemos que o perdão divino é condicional, precisamos exercer perdão para alcançarmos o perdão divino. O que significa perdoar: “Jesus contou uma parábola sobre um servo que devia uma quantia enorme (10.000 talentos) ao seu rei (Mt 18.23-35). Ele era incapaz de pagar a dívida e implorou ao rei por compaixão. O rei perdoou-o por sua enorme dívida, mas este servo prontamente saiu e encontrou um dos seus companheiros servos que devia a ele uma quantia relativamente pequena e exigiu pagamento, agarrando-o pelo pescoço. Ainda que o companheiro de servidão implorasse por compaixão, o credor entregou-o à prisão. Quando o rei foi informado dos atos de seu servo incompassivo, irou-se e reprovou este servo, entregando-o aos torturadores até que ele pagasse totalmente sua dívida. É claro que estamos representados na parábola pelo servo que tinha uma dívida enorme. Não há comparação entre as ofensas que temos cometido contra Deus e aquelas que têm sido cometidas contra nós. Jesus observou que, justo como no caso do servo não misericordioso, o Pai não nos perdoará por nossas infrações se não perdoarmos nossos companheiros (18.35; veja também Mt 5.7). Para nos prepararmos para perdoar, precisamos lembrar que nós mesmos somos pecadores e necessitados do perdão divino (Rm 3.23). No caso do cristão, Deus já lhe perdoou uma imensa dívida no momento do batismo. Quando nos lembramos da grandeza da dívida que Deus quer nos perdoar, certamente podemos perdoar aqueles que nos devem muito menos em comparação (Ef 4.32; Cl 3.13).

3. A dádiva do perdão. Exercitar o perdão não é fácil, e quanto maior a intimidade que temos com aquele que peca contra nós, mais difícil é perdoá-lo. As Escrituras nos ensinam, contudo, que a má vontade em perdoar os outros nos retira o perdão divino (Mt 6.14-15). Desde que todos os indivíduos responsáveis diante de Deus necessitam de perdão, é portanto indispensável que entendamos e pratiquemos o perdão. Agora, é preciso entender que, não é o ofendido que deve pedir perdão ao ofensor! Não há nenhum exemplo Escriturístico desse estranho comportamento. Ah! Você poderia dizer: “mas Jesus enquanto padecia injustamente, disse: ‘Pai, perdoa-lhes porque...’"; isto é verdade, mas Ele não disse: "perdoem-Me pelo fato do Meu sangue ter espirrado e sujado suas roupas"! Pense em Jesus implorando a Judas: "Judas, não sei porque você está Me odiando, mas Eu lhe imploro, perdoe-Me por lhe fazer Me odiar". Isto afirmo em virtude de um entendimento equivocado que ensina a pedir-se perdão ao ofensor, e não há base bíblica para isso. Nosso texto do dia (Mt 18.21) diz que é o ofendido quem perdoa, não diz que é ele quem vai pedir perdão!

Pense!
“Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” (Mt 18.35).
Ponto Importante
“O juízo final será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia” (Tg 2.13).

CONCLUSÃO

O perdão é uma dádiva divina na qual o cristão é chamado a participar livremente. Finalmente, diante de tudo o que foi exposto, o que sobressai é que o ofendido quem deve perdoar, e perdoar independentemente do ofensor lhe pedir perdão! (Mt 18.15-17; Mc 11.25; Lc 11.4; 17.4; Ef 4.32; Cl 3.13). Quanto ao ofensor, terá que formular o pedido de perdão para alcançar a remissão. Se isso não for feito, nunca estará perdoado, ainda que o ofendido esteja disposto a fazê-lo ou que em seu coração haja feito. O pedido de perdão será verdadeiro se houver real arrependimento, sem o que não terá nenhum valor, nem perante o ofendido e nem perante Deus. Na oração do Pai nosso em Mt 6.12, lemos: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;" - o que nos leva a entender que o perdão de Deus é condicional. Ou seja, temos uma das poucas coisas que Deus depende do homem, o quê? O exercício do perdão! “Se vocês perdoam a alguém, eu também perdoo; e aquilo que perdoei, ... perdoei na presença de Cristo, por amor a vocês, a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não ignoramos as suas intenções” (2Co 2.10).


REFERÊNCIAS:

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Bíblia de Estudo Palavra Chave. Rio de Janeiro: CPAD.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
BOYER, Orlando. PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA. Estados Unidos da América: Editora Vida, 1998.
http:// http://www.auxilioaomestre.com/
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.