sábado, 29 de novembro de 2025

LIÇÃO 13 – O REI VOLTARÁ

 Subsídios para a Escola Bíblica Dominical (EBD) — IPAD (Igreja Pentecostal Assembleia de Deus)

 

LEITURA TEMÁTICA

“Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.” (Mateus 25:13)

 

LEITURA EM CLASSE — Mateus 25:7-12

7 “Então todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.


8 E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós.

10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.


11 E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.


12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que não vos conheço.”

 

SÍNTESE TEXTUAL

A parábola das dez virgens revela a urgência da vigilância espiritual diante da volta iminente de Cristo. O azeite simboliza a vida cheia do Espírito, o preparo diário e a perseverança até o fim. A volta do Rei não será anunciada antecipadamente; ocorrerá “à meia-noite” — momento inesperado. Apenas os que estiverem preparados entrarão nas bodas do Cordeiro. O alerta é claro: a porta se fechará, e não haverá segunda oportunidade.

 

INTRODUÇÃO

A volta gloriosa do Senhor Jesus é uma das doutrinas centrais da fé cristã. Ele mesmo prometeu: “Voltarei” (João 14:3). Os anjos confirmaram: “Esse Jesus… virá do modo como o vistes subir” (Atos 1:11). As Escrituras reforçam repetidamente: “Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará” (Hebreus 10:37). A parábola das dez virgens ilustra o preparo necessário para esse grande dia. Jesus não enfatizou datas, mas vigilância; não realçou sinais apenas, mas fidelidade. Nesta lição, estudaremos o contexto histórico, o simbolismo do azeite e a aplicação prática dessa parábola para a Igreja do tempo do fim.

 

I — PANO DE FUNDO HISTÓRICO

1.1 — O casamento judaico como figura escatológica

Nos tempos de Jesus, o casamento judaico tinha três etapas: o noivado (shiddukhin), o compromisso formal (erusin) e a entrada nas bodas (nissuin). O noivo chegava à noite, anunciado por um grito: “Aí vem o esposo!” (Mt 25:6). Versículos:


João 3:29 — “O que tem a noiva é o noivo.”

Apocalipse 19:7 — “É chegada a boda do Cordeiro.”

2 Coríntios 11:2 — “Vos tenho preparado para apresentar-vos como virgem pura a Cristo.”

Comentário teológico:

A cultura judaica reforça o caráter inesperado da vinda de Cristo. O noivo chegava quando queria, e as virgens precisavam estar preparadas. Assim é com Jesus: Ele virá de repente (1Ts 5:2), e somente os prontos participarão das bodas do Cordeiro. A parábola revela que eleição não dispensa vigilância, e promessa não anula responsabilidade.

 

1.2 — Lâmpadas e candeias: símbolo do testemunho

As virgens tinham lâmpadas, mas sem azeite elas apagavam.

Provérbios 20:27 — “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor.”

Mateus 5:16 — “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens.”

Salmos 119:105 — “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra.”

Comentário teológico:

A lâmpada representa a vida exterior; o azeite, a vida interior. Muitos têm aparência de piedade, mas negam sua eficácia (2Tm 3:5). A luz verdadeira não é produzida pela vontade humana, mas pelo agir do Espírito (Zc 4:6). A parábola denuncia o cristianismo nominal, sem fogo, sem brilho, sem profundidade.

 

1.3 — As virgens prudentes e as loucas

Ambas tinham lâmpadas; ambas esperavam o noivo; ambas cochilaram. Mas apenas as prudentes tinham reserva de azeite.

Mateus 24:42 — “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora.”

Lucas 21:36 — “Vigiai e orai.”

Apocalipse 3:3 — “Se não vigiares, virei sobre ti como ladrão.”

Comentário teológico:

A diferença entre prudência e loucura é o preparo contínuo. As loucas representam crentes emocionais, mas sem profundidade. As prudentes simbolizam cristãos que cultivam comunhão, obediência, renúncia e perseverança. A volta do Rei revelará quem realmente estava preparado.

 

1.4 — A meia-noite e a imprevisibilidade da volta de Cristo

“À meia-noite houve um clamor.”

Mateus 24:44 — “Estai vós apercebidos.”

Apocalipse 16:15 — “Eis que venho como ladrão.”

1 Tessalonicenses 5:6 — “Não durmamos como os demais.”

Comentário teológico:

A meia-noite simboliza o momento mais escuro e improvável. O mundo estará frio, distraído e entregue ao pecado, mas o Rei virá. Isso enfatiza a vigilância como postura permanente, não ocasional.

 

SUBSÍDIO BIBLIOGRÁFICO I – PANO DE FUNDO HISTÓRICO

Preservando estilo acadêmico e ampliado: Os estudiosos da cultura judaica observam que as bodas eram eventos longos, e o noivo chegava sem aviso, exigindo preparação constante. Como afirma Alfred Edersheim em “A Vida e os Tempos de Jesus, o Messias” (p. 472), a imprevisibilidade da vinda do noivo é proposital, representando o caráter inesperado da vinda do Messias. O ritual das virgens com lâmpadas destaca a necessidade de perseverança, não apenas de expectativa superficial. O azeite adicional revela maturidade espiritual, coerência entre fé e prática e permanência na esperança. Assim, a parábola confronta crentes que vivem apenas de momentos, chamando-os à constância diária e disciplina espiritual profunda diante da volta do Rei.

 

II — O AZEITE E O PAVIO

2.1 — O azeite simboliza o Espírito Santo

1 Samuel 16:13 — “O Espírito do Senhor se apoderou de Davi.”

Zacarias 4:6 — “Não por força… mas pelo meu Espírito.”

Romanos 8:9 — “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.”

Comentário teológico:

O azeite representa vida espiritual real, não emoção temporária. O Espírito Santo é quem nos regenera (Jo 3:5), santifica (2Ts 2:13), ilumina (Jo 14:26), fortalece (At 1:8) e prepara para a vinda do Rei (Ef 1:13-14). Sem o Espírito, não há cristianismo verdadeiro, apenas forma vazia. As loucas tinham lâmpadas, mas não tinham Espírito — símbolo de religiosidade estéril.

 

2.2 — O pavio simboliza o nosso testemunho

Mateus 5:14 — “Vós sois a luz do mundo.”

Filipenses 2:15 — “Resplandecei como astros.”

Efésios 5:8 — “Andai como filhos da luz.”

Comentário teológico:

O pavio sem azeite queima rápido; assim é o cristão que tenta viver na força da carne. Testemunho exige constância e abastecimento espiritual contínuo. O Espírito é quem mantém a chama acesa. Sem Ele, o testemunho apaga-se diante das pressões.

 

2.3 — A reserva de azeite: vida devocional profunda

Salmos 63:1 — “A minha alma tem sede de ti.”

Tiago 4:8 — “Chegai-vos a Deus.”

Salmos 91:1 — “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo.”

Comentário teológico:

As prudentes tinham reserva: oração, jejum, renúncia, comunhão e obediência. Vida espiritual não se improvisa na última hora. O azeite não se transfere: comunhão não é emprestada; salvação não é compartilhada. Cada um deve buscar Deus por si mesmo.

 

2.4 — A falta de azeite: apostasia e descuido espiritual

Hebreus 2:1 — “Convém atentar para o que temos ouvido.”

Apocalipse 2:4 — “Deixaste o teu primeiro amor.”

Lucas 21:34 — “Os cuidados da vida sobrecarregarão o coração.”

Comentário teológico:

A falta de azeite aponta para a negligência espiritual que leva à apostasia. Muitos começam bem, mas não permanecem. O fim revelará se houve perseverança. A volta do Rei é o grande divisor entre os que apenas frequentam e os que realmente pertencem ao Senhor.

 

SUBSÍDIO BIBLIOGRÁFICO II – O AZEITE E O PAVIO

A simbologia do azeite na parábola tem sido amplamente estudada. Stanley Horton, em “O Espírito Santo na Bíblia” (p. 289), argumenta que o azeite representa não apenas a presença do Espírito, mas Sua operação contínua na vida do crente. Ele destaca que o azeite não podia faltar nas lâmpadas do tabernáculo (Êx 27:20), indicando a necessidade de abastecimento constante. Da mesma forma, o cristão precisa buscar renovação diária para enfrentar os desafios espirituais. Horton observa que as virgens loucas representam aqueles que vivem de experiências passadas, sem cultivar relacionamento atual com Deus, enquanto as prudentes representam crentes cheios do Espírito, que vivem em movimento de santificação e preparação constante.

 

III — APLICAÇÃO DA PARÁBOLA

3.1 — A porta que se fecha: oportunidade limitada

Gênesis 7:16 — “O Senhor fechou a porta.”

Lucas 13:25 — “Quando o pai de família se levantar e fechar a porta.”

2 Coríntios 6:2 — “Eis agora o tempo aceitável.”

Comentário teológico:

A porta fechada revela que a graça tem prazo. A longanimidade de Deus não é permissividade. Muitos querem entrar depois, mas tarde demais. Cristo não reconhece quem não teve comunhão real com Ele. O tempo da preparação é agora.

 

3.2 — O Reino é para os preparados

Apocalipse 19:7 — “Sua esposa já se preparou.”

Hebreus 12:14 — “Sem santidade ninguém verá o Senhor.”

1 João 3:3 — “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo.”

Comentário teológico:

Salvação é pela graça, mas a entrada nas bodas exige preparo. A preparação é fruto da esperança viva na volta do Rei. Quem crê, purifica-se; quem ama Sua vinda, santifica-se; quem espera, vigia.

 

3.3 — A imprudência espiritual das virgens loucas

Provérbios 14:1 — “A mulher sábia edifica a casa.”

Mateus 7:26 — “O homem insensato edificou sobre a areia.”

Hebreus 3:12 — “Cuidado… para que não haja em vós coração mau e infiel.”

Comentário teológico:

As loucas representam crentes emocionais, superficiais, sem disciplina espiritual. Vivem de aparência, não de essência. Querem o céu, mas não querem renunciar. Querem a bênção, mas não querem o Pacto. No fim, serão surpreendidas.

 

3.4 — O Rei voltará: a esperança bendita da Igreja

Tito 2:13 — “Aguardando a bem-aventurada esperança.”

1 Tessalonicenses 4:16-17 — “O Senhor descerá do céu.”

Apocalipse 22:20 — “Certamente cedo venho.”

Comentário teológico:

A volta de Cristo é literal, gloriosa e iminente. É a esperança que sustenta a Igreja em meio às trevas do presente século. É a consumação da nossa redenção, o triunfo da justiça e a inauguração das bodas eternas. Os prudentes O aguardam com lâmpadas acesas.

 

SUBSÍDIO BIBLIOGRÁFICO III – APLICAÇÃO DA PARÁBOLA

A parábola das dez virgens é uma das mais ricas em conteúdo escatológico. George Eldon Ladd, em “Teologia do Novo Testamento” (p. 624), ressalta que Jesus enfatiza preparo, e não previsão. Para Ladd, a porta fechada representa o juízo final e a distinção definitiva entre verdadeiros e falsos discípulos. O autor destaca que o azeite aponta para uma espiritualidade autêntica que nasce da transformação interior. A parábola confronta os que se contentam com religiosidade exterior, chamando-os à comunhão verdadeira com o Espírito. Ladd afirma ainda que a volta de Cristo é esperança ativa, e não passiva; ela molda o caráter, fortalece a fé e dirige a conduta do crente.

 

CONCLUSÃO

A parábola das dez virgens é um alerta poderoso para a Igreja dos últimos dias. Cristo virá repentinamente, e apenas os preparados O encontrarão. As virgens prudentes representam os que cultivam comunhão profunda, vida cheia do Espírito e perseverança diária. As loucas simbolizam os que vivem de aparência, negligência e superficialidade espiritual. A mensagem final ecoa como trombeta: “Vigiai, porque o Rei voltará!”

Seja prudente. Busque azeite. Mantenha a lâmpada acesa. Prepare-se diariamente.

MARANATA! ORA VEM, SENHOR JESUS!

 

 



REFERÊNCIAS:

 

BERGSTEN, Eurico. Teologia Sistemática. 13. impr. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Matthew Henry. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2016.

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Hebraico-Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

BÍBLIA. Português. Nova Versão Internacional - NVI. São Paulo: VIDA, 2000.

BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

GEISLER, Norman. Teologia Sistemática (vol. 2). Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

GILBERTO, Antonio. Bíblia com Comentário de Antonio Gilberto. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

PEDRO, Severino. A Doutrina do Pecado. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

RENOVATO, Elinaldo in Teologia Sistemática Pentecostal. 1. ed. (16a imp.) Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

RIBAS, Degmar (Trad.). Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, vol. 2.

SILVA, Severino Pedro da. O Homem. Corpo, Alma e Espírito. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1988.

VINE, W. E., UNGER, Menil E & WHITEJR., Willian. Dicionário Vine. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

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