segunda-feira, 14 de março de 2016

Lição 12 – NOVOS CÉUS E NOVA TERRA

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

1º Trimestre/2016

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Apocalipse 21.1-5, 24-27

TEXTO ÁUREO: “Porque eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.” (Is 65.17)

INTRODUÇÃO

No que concerne ao universo, os céus atuais darão lugar a “novos céus”. A terra que conhecemos será transformada em uma “nova Terra”. Depois de todos os acontecimentos que já estudamos até aqui, chegará de fato o fim de todas as coisas (1 Pd 4.7; 2 Pd 3.7,10), que ensejará um novo início, o começo do “Dia da eternidade” (Lc 20.35; 2 Pd 3.13; Ap 21-22). Antes de começar o Estado Eterno, a Terra e os céus que agora existem serão destruídos para darem lugar a uma nova criação. O Universo dará lugar a um novo céu e uma nova Terra (Ap 21.1; 2 Pd 3.13; Mt 5.5), na qual haverá uma “Santa Cidade” (Ap 21.2).

I – TODAS AS COISAS SERÃO RENOVADAS

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Ap 21.1); “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Ap 21.5). Uma nova reforma cósmica radical sempre esteve nos planos de Deus. Deus transformará o Céu e a Terra que hoje conhecemos, de tal forma, que corresponderá a uma nova criação. O apóstolo Pedro descreve isso com contundência: “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pd 3.12,13). O novo céu e a nova terra serão tão magníficos que tornarão os antigos céus e Terra insignificantes. No capítulo final da profecia de Isaías, o Senhor promete que este novo Céu e esta nova Terra perdurarão para sempre, juntamente com todos os santos de Deus - “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is 66.22). Observe que, em um novo universo, a Nova Jerusalém será o foco de todas as coisas.

1. Deus criou os céus. Deus criou “os céus e a terra” em seis dias (Êx 20.11; ver Dt 4.19). Desse modo, há uma diferença entre “os céus”, do espaço sideral, e o céu, onde Deus habita, chamado de “os céus dos céus” (Dt 10.14).

2. A renovação divina dos céus. Haverá um novo céu e uma nova terra, não no sentido de haver outro céu e outra terra, mas a nossa terra e os céus serão feitos novos. Como se diz acerca do pecador salvo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5.17), assim se irá de tudo: As primeiras coisas são passadas [...] eis que faço novas todas as coisas (Ap 21.4,5). Haverá uma extraordinária transformação e processo purificador sem igual no universo: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão.” (2 Pe 3.7,10).

No Estado Eterno haverá:

1. Governo perfeito. O homem não tem sabido, nem podido governar bem a Terra. Todas as tentativas humanas nesse sentido fracassaram: dos gregos, através da cultura; dos romanos, através da força e da justiça; e dos governantes dos nossos tempos, através da ciência e da política. Mas Cristo exercerá um governo perfeito, no seu tempo. Nunca haverá desordem, insatisfação, injustiça.

2. Habitantes perfeitos. "Nunca mais haverá qualquer maldição" (Ap 22.3). Não haverá mais pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda sorte de maldição (ler Gn 3.17; Gl 3.13).

3. Serviço perfeito. "Os seus servos o servirão" (Ap 22.3). O maior privilégio do homem é servir a Deus. O trabalho para Deus será então perfeito. Culto perfeito. Atividades perfeitas. Quantas maravilhas não aguardam os salvos!

4. Comunhão perfeita. “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles” (Ap 21.3). O novo céu e a nova Terra é a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens, que havia antes que o pecado causasse o atual estado de divisão que existe entre Deus e a humanidade. Como povo de Deus, desfrutaremos comunhão mais próxima com Ele do que jamais imaginamos. Deus mesmo estará com todos os seus santos num relacionamento mais íntimo e afetuoso. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo João, de vermos Deus como Ele é (1 João 3.2).

5. Visão perfeita. "Contemplarão a sua face" (Ap 22.4). Somente com uma visão perfeita é possível contemplar a face de nosso Senhor. Nenhum homem neste mundo viu a face do Senhor. Nem mesmo Moisés que teve uma íntima comunhão com Deus. Para ele Deus disse: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êx 33.20). A esperança dos fiéis é de contemplar a face de Deus (Salmos 11.7; 17.15). Os vencedores terão este privilégio diante do trono de Deus e do Cordeiro - “Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face” (Ap 22.3,4).

6. Identificação perfeita. "E nas suas frontes está o nome dele" (Ap 22.4). Nome na Bíblia fala de caráter; daquilo que a pessoa de fato é. Haverá então uma perfeita identificação entre Deus e os seus remidos. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levava gravadas numa lâmina de ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: "Santidade ao Senhor" (Êx 39.30). Mas no Estado Eterno, onde a santidade é perfeita, o próprio nome de Deus estará sobre a fronte dos seus filhos.

7. Conhecimento Perfeito. Hoje, conhecemos a Deus apenas em parte, mas no Novo Céu e na Nova Terra o nosso conhecimento será perfeito dentro do plano humano, em glória (cf 1Co 13.12).

8. Interação perfeita. "E reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22.5). No Estado Eterno, ou seja, no Novo Céu e na Nova Terra todos juntos, harmonicamente, e sempre, reinaremos. Isso jamais será conseguido aqui, mas no perfeito Estado Eterno, sim!

Quantas coisas preciosas tem o Senhor reservadas à Sua amada Igreja. Se pudéssemos todos apreciar de fato, pela visão do Espírito, o que é o Céu, a eterna bem-aventurança dos salvos, teríamos tanto desejo de ir para lá, e nos desprenderíamos tanto das coisas daqui, que o Diabo não teria um só torcedor; um só amigo seu na terra. Inúmeros crentes por não terem essa visão estão demasiadamente presos às coisas deste mundo, que jaz no Maligno (1 João 5.19).

II – NOVOS CÉUS E NOVA TERRA

1. Em Cristo, céus e terra serão congregados. Por causa da desobediência de Adão e Eva os céus e a terra sofreram as consequências. A terra foi a mais prejudicada, a ponto de tornar-se “maldita” (Gn 3.17). Mas no plano glorioso para o planeta, Deus previu que essa maldição seria eliminada, quando houvesse a instauração dos “novos céus e nova terra” (2 Pe 3.13). Paulo demostra que Deus, “segundo o seu beneplácito”, tomou a decisão “de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Ef 1.10 – grifo nosso). Certamente não poderia ser diferente, pois “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). E tudo é dEle, todas as coisas foram feitas por Ele e foram feitas para Ele (Rm 11.36).

2. Novos céus e nova terra. “Porque eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17). Com a restauração de todas as coisas, nos novos céus e na nova terra, não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão. João viu o panorama divino e maravilhoso da nova realidade do universo e da terra: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). Uma das características que farão a diferença entre a terra atual e a “nova terra” é que não haverá mais oceanos. Glórias a Deus pelo seu poder insuperável no controle de todas as coisas.

III – NOVA JERUSALÉM

1. Foi preparada no céu. Sua arquitetura e estrutura são especiais, projetadas por Deus. João disse: “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21.2); e será lugar de comunhão e relacionamento com Deus, dos que entraram para o estado eterno. João acrescenta: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus” (Ap 21.3). Os salvos terão corpos espirituais, semelhantes ao de Jesus ressuscitado (Fp 3.21). Quem for fiel até à morte terá o privilégio de conhecer e viver na Cidade Santa.

2. Os muros e as doze portas. “E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas” (Ap 21.12,13). O Supremo Arquiteto esmerou-se em dar beleza à construção da Cidade. “E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente” (Ap 21.21). “E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro” (Ap 21.18). A cidade tem perímetro quadrado, com três portas de cada lado. São encimadas pelos nomes das doze tribos de Israel, numa prova de que Deus tem o cuidado de manter eternamente o pacto feito com Abraão, com Isaque e com Jacó.  

3. Os doze fundamentos da cidade. O muro tem bases significativas em termos proféticos. “E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14). Os nomes dos apóstolos nos fundamentos representam a Igreja de Cristo como “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), através da “doutrina dos apóstolos” (At 2.42), que representa a mensagem do evangelho de Cristo. Como tudo na cidade santa tem a glória de Deus, os fundamentos também refletem essa glória. “E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista” (Ap 21.19,20). A beleza da cidade é fora de tudo o que se pode imaginar.

4. Ali não haverá mais tristeza. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4). Desde sua criação, o motivo mais forte para a tristeza é a morte. Mas, na nova Jerusalém, a morte não mais existirá (Ap 20.14; 1 Co 15.26). Ninguém terá motivos para chorar.

5. Não haverá pecado nem pecadores. “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21.27); não haverá maldição contra ninguém (Ap 22.3); os corruptos já estarão no inferno; só os salvos viverão na Santa Cidade; todos os ímpios ficarão de fora (Ap 22.15). O apóstolo Paulo disse: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus” (1 Co 6.10). Todos os que praticam atos indignos aos olhos de Deus não terão acesso à nova Jerusalém. Seu lugar e destino é o inferno (leia Sl 9.17).

CONCLUSÃO

A verdade acerca dos novos céus e da nova Terra deve intensificar nosso desejo de viver em santidade (2 Pd 3.11). Devemos apegar-nos a essa verdade e permitir que ela nos sustente. Certos de que em breve estaremos diante de Deus, na Nova Jerusalém, devemos ansiar por ser santo e irrepreensível (2 Pd 3.14), isto é, moralmente puros. Nossas vidas devem estar em contraste direto com as vidas ímpias e o ateísmo encontrado no mundo.



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