terça-feira, 19 de abril de 2016

Lição 5 – A Maravilhosa Graça

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

2º Trimestre/2016

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 6.1–12

TEXTO ÁUREO: "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça" (Rm 6.14).

INTRODUÇÃO

No capítulo anterior o apóstolo discorre sobre a justificação e a graça encontrada em Cristo Jesus. No capítulo estudado nesta lição, o apóstolo continua o assunto falando agora da eficácia da graça provida por Deus, através de Jesus Cristo. Expõe ao povo sobre a nulidade de viver nos rudimentos da velha doutrina, e desafia-o a viver uma nova vida para Deus, ofertando seus membros como instrumentos de justiça. Até aqui temos visto que o homem é salvo pela graça de Deus, sem as obras da lei. O capítulo 6 de Romanos mostra que a vida cristã requer santidade e um coração puro. A graça não significa que o cristão esteja isento de suas responsabilidades diante de Deus, da Igreja e da sociedade. Há incompatibilidade entre o cristão e o pecado. Esse é o tema desta lição.

I – OS INIMIGOS DA GRAÇA

1. Antinomismo. O Antinomismo gr. Anti: contra; Nomos: lei, literalmente contra a Lei ou contra o sistema da Lei. É uma das heresias mais antigas da História da Igreja. Em Rm 5.20,21 Paulo diz: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.” O apóstolo tinha propriedade para falar sobre a privação daqueles que estavam debaixo da lei. Certamente ele tinha em mente a rejeição de Jesus pelos judeus, além de o terem entregado aos romanos para ser crucificado. E o próprio Paulo, quando motivado pelo rigor da lei perseguia os cristãos, pensando estar fazendo um favor para Deus. Paulo e os judeus de sua época, pela lei, afundaram no pecado. O que disse Jesus com relação aos judeus e seus algozes, durante sua crucificação? Foram somente palavras de perdão e misericórdia “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34a). Para Paulo, no caminho de Damasco, Ele disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4). A graça de Cristo superabundou para Paulo e demais judeus que creram nEle. Paulo não podia deixar de testemunhar da liberdade que ele alcançou em Cristo. Os antinomianos acreditavam que podiam viver no pecado e, ainda assim, estarem livres da condenação eterna (Rm 6.1-7; 3.7; 4.1-25). Segundo os adeptos dessa teoria, uma vez que o homem foi justificado pela fé em Cristo, nenhuma obrigação moral é necessária agora. O apóstolo os persuade: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl 5.13; Rm 6.1-3).

2. Paulo não aceita e não confirma o antinomismo. "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?" (Rm 6.1). As perguntas do apóstolo nos versículos 1 e 2 são diretamente em decorrência dos versículos 20 e 21 do capítulo anterior: “... onde o pecado abundou, superabundou a graça”. Paulo esclarece que isso não significa que devamos pecar e continuar a pecar para recebermos mais graça. Essas perguntas são o ponto de partida para esclarecer a necessidade de santificação dos crentes, para que ninguém venha confundir a graça de Deus com abuso da liberdade cristã.

3. Legalismo. Legalismo significa: Analisar sem questionar, prevalecer à ideia das leis, sem abrir opções de mudanças na mesma. Segundo este, só se adquire a salvação e a excelência moral mediante a lei mosaica. Este sistema, defendido por certos judeus cristãos em Roma, ensinava que a justificação era decorrente das obras da Lei (Rm 3.27-31; Gl 3-4). Paulo os exorta: “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei” (Rm 3.20). Em Romanos 6.15, o apóstolo tem em mente o judeu legalista, quando pergunta: "Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!"

II – A VITÓRIA DA GRAÇA

1. A graça destrói o domínio do pecado. "Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado" (Rm 6.6). Precisamos observar duas coisas nesse versículo:
1ª O velho homem crucificado (v.6a). Não confundir com Gálatas 5.24: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”, pois, no v.6, o apóstolo fala de algo que já nos aconteceu, enquanto que, em Gálatas, ele fala de algo que acontece com todos os que são crucificados com Cristo. A primeira (v.6a) fala de morte definitiva, legal — cravado, abolido legalmente —, e é algo passado; enquanto que a segunda diz respeito à morte moral, que é contínua, repetitiva. Essa morte espiritual do cristão, com respeito à santidade, é morte para o pecado; e a de Gálatas 5.24 é a mortificação do “eu”.
2ª Desfeito o corpo do pecado (v.6b). Essa expressão, usada pelo apóstolo, denota a natureza pecaminosa que se exterioriza por meio do corpo. O pecado foi abolido legalmente na morte de Cristo, e com Ele, morremos (2 Co 5.14). Diante disso não há como servir a um tirano destronado nem obedecer a um sistema caído. A palavra grega para “desfeito” tem o sentido de “vencido, dominado” e não destruído. A expressão: “A fim de que não sirvamos mais ao pecado”, assinala o propósito de tudo isso. Ou seja: devemos servir unicamente a Cristo, que é o nosso Senhor.

2. A graça destrói o reinado da morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6.23). Pecado é tudo o que é contrário ao que DEUS quer (sua vontade) e ao que o Senhor disse sua Palavra. Quem trabalha para o pecado (senhor, patrão), receberá como salário a morte. Que o Deus nos guarde, afinal, o pecado escondido é revelado pela santidade de DEUS e punido por sua perfeita justiça.

3. A graça e os efeitos do pecado. O pecado nos separa de Deus: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Is 59.2). Todavia a graça de Deus (Jesus) se manifestou nos dando acesso ao Pai: “Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens” (Tt 2.11). Deus enviou a graça (Jesus) para morrer por todos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
     
III – OS FRUTOS DA GRAÇA

1. A graça liberta. “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.14). A salvação pela graça traz como resultado a santificação (1 Co 6.11). “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal” (Rm 6.12), implica viver em retidão moral, de maneira irrepreensível e inculpável no meio de uma geração perversa e corrompida (Fp 2.15; Cl 1.22; 1 Ts 2.10). Jesus disse que o pecado escraviza: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (Jo 8.34).  Somente a graça seria capaz de desfazer o domínio do pecado: "Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Rm 6.22).

2. Exigências da graça. "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6.11). A expressão “vivos para Deus” significa viver em santidade. A santificação é um dos aspectos da salvação, bem como a justificação e regeneração (1 Co 6.11; Tt 3.5-7). O termo original grego, hagiasmos, “santificação”, significa “separar do mundo, apartar-se do pecado, consagrar”. Pois, sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).

3. A graça santifica. "Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Rm 6.22). A palavra "santificação" significa "separação". A graça de Deus (Jesus) nos separou para Ele. A santificação aparece aqui nesse texto como um fruto da graça. Tendes o vosso fruto para a santificação. Em outras palavras: "a recompensa que recebemos é a santificação" (Rm 6.22) — e este é, de fato, o assunto da presente seção da epístola (capítulos 6-8). Os que foram justificados estão agora sendo santificados; se um homem não está sendo santificado, não há razão para crer que foi justificado.

CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos que a graça de Deus é imensurável. Ela inspira e cultiva. Santifica e transforma. Tudo isso vai muito além do que a lei confere, tornando a salvação da alma um empreendimento divino, embora, mediante a fé, seja necessária uma resposta positiva do homem (Ef 2.8-10).

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