domingo, 3 de abril de 2016

Lição 2 – A Necessidade Universal a Salvação em Cristo

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

2º Trimestre/2016

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 1.18-20; 2.1,17-21

TEXTO ÁUREO: "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer." (Rm 3.10)

INTRODUÇÃO

A doutrina do pecado é uma das mais importantes doutrinas da teologia cristã, pois ocupa-se a ressaltar a condição que o homem está em função do pecado, demonstrar sua impossibilidade em agradar a Deus, com o objetivo de demonstrar que o homem está perdido e abismado em relação a Deus, e que, sozinho não pode fazer nada para alterar essa realidade. A queda é o marco da origem do pecado no mundo e de todas as deficiências que existem nele. É o momento histórico que explica tanto a origem de todo o mal existente no mundo, como a concepção correta do pecado. Assim, não compreender o pecado do ponto de vista do Velho Testamento impossibilita vislumbrar a maravilhosa graça no Novo Testamento. Da mesma forma, é necessário compreender a queda do ponto de vista teológico, pois apenas assim pode-se notar suas conseqüências danosas na humanidade, bem como em todos seus relacionamentos. Acredito que se faz necessário estudar a origem do pecado e suas consequências, porque para que a salvação possa ter qualquer validade é necessário que exista uma deficiência que careça ser sanada. Ou seja, sem a queda não se pode reconhecer o pecado, e sem ele não há necessidade de salvação. Pecado é um estado antes de ser um ato - nossos atos não são senão expressões dos nossos seres interiores caídos. Consequentemente, todos, sejam judeus ou gentios, precisam ser alcançados com a pregação do Evangelho, crer nele e ser salvo. Esta é a tese enunciada por Paulo em Romanos 1.16 e defendida nos capítulos seguintes. Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I – A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DOS GENTIOS (Rm 1.18-32)

1. A rejeição. “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Rm 1.21-23). O homem rejeita conscientemente o conhecimento de Deus de duas formas:

a) Deixando de glorificá-lo por quem Ele é. O homem deveria olhar para a natureza e ver nela a glória de Deus. Deixar de reconhecer os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua divindade nas obras da criação é privar Deus da sua própria glória. Portanto, quando o ser humano, seja nos grandes centros urbanos, seja nas selvas mais remotas, dá glória aos seus ídolos, ele não faz isso de forma inocente. Trata-se de uma rebelião deliberada.

b) Deixando de agradecer-lhe pelo que fez. Glorificamos a Deus por quem ele é e damos graças a Deus por aquilo que ele faz. A criatura deixa de ser grata para ser ingrata. Deus criou a terra e a encheu de fartura. Deus deu ao homem vida, saúde, pão, as estações e tudo mais para o seu aprazimento. Contudo, a resposta do homem a todo esse bem é uma consciente e deliberada ingratidão. 

O homem é um ser moral, isto é, alguém responsável diante de Deus por seus pensamentos, fala e conduta. Como ser moral, o homem se encontra em um estado de corrupção moral, em um estado de pecaminosidade natural, irregenerado. O resumo da lei divina é amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39). Paulo diz que amar é cumprir a lei (Rm 13.8-10). O homem irregenerado não possui o amor exigido por Deus e, pior, este homem caído estabelece outro objeto ou objetos para suas afeições, e tudo aquilo que se coloca em competição com Deus pode ser reduzido a um só – o eu. Auto-amor particular, à exclusão do amor supremo de Deus e amor igual aos homens é a própria raiz da depravação. A vontade própria, a auto-admiração e a justiça própria são apenas manifestações diferentes da natureza humana caída. Todas as pessoas são naturalmente propensas a alguma forma de religião; contudo, deixam de cultuar seu Criador, cuja revelação geral o torna universalmente conhecido. O pecado do egoísmo e a aversão às reivindicações do nosso Criador têm levado a humanidade à idolatria, ao erro de prestar culto a qualquer outro poder ou objeto, ao invés de cultuar a Deus (Is 44.9-20; Rm 1.21-23; Cl 3.5). Em sua idolatria, os homens caídos ‘detêm a verdade pela injustiça’ e ‘mudaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis’ (Rm 1.18-23).

2. A revelação. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1.18-20). A revelação de Deus através das coisas criadas chamamos ‘revelação geral’. Este é o termo freqüentemente usado para se referir ao fato de Deus se fazer conhecido na criação, consciência e história. O termo é usado em distinção de “revelação especial”, a revelação salvífica de Deus através de Jesus Cristo nas Escrituras. A revelação geral é mencionada em várias passagens, mas com maior clareza em Romanos 1.18-32. Paulo escreve aqui sobre Deus se fazendo conhecido nas coisas da criação (vv. 20, 25) e na consciência do homem (v. 19;2 observe as palavras neles). Essa revelação geral, contudo, não tem poder salvífico. Ela não é nem mesmo um tipo de graça, embora muitos falem dela como um exemplo da assim chamada “graça comum”. Pelo contrário, Paulo expressa claramente  que a revelação geral é uma revelação da ira de Deus, e serve somente para deixar o ímpio sem desculpa! (vv. 18, 20). A ideia de que os ímpios podem ser salvos por uma resposta moral a essa revelação geral é totalmente sem fundamento nas Escrituras, é apenas outra forma de salvação pelas obras e de humanismo religioso. Essa ideia que a revelação geral tem valor salvífico é fatalmente refutada por Romanos 1. O ímpio vê as “coisas invisíveis de Deus”, particularmente seu eterno poder e divindade (v. 20). Há até mesmo um aspecto interno dessa manifestação de Deus. O versículo 19 diz que as coisas que podem ser conhecidas de Deus são manifestas “neles”. A manifestação de Deus nas coisas que foram criadas é a razão pela qual ninguém será capaz de se queixar no dia do juízo que não conhecia a Deus. Se considerarmos Romanos 1, não existe nenhum ateu. Portanto, o ímpio que nunca ouviu o evangelho pode e será condenado no dia do juízo, como resultado dessa manifestação. Não um justo sequer! A conditio sine qua non (Condição sem a qual não) para a salvação é: "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo" (Rm 10.13). Jesus nos dá esta resposta em João 3.16; Ele salva qualquer um que acreditar nEle: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Ele é a Porta; o acesso ao Pai é só por Ele! Não há salvação sem fé em Jesus e em sua obra redentora no Calvário! Não há salvação sem a cruz ensanguentada! "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14.6). Nenhum ser humano pode ser justificado com base na sua justiça própria, com base no que conheceu pela revelação natural ou pela lei moral escrita no seu coração. A revelação geral, portanto, serve somente para aumentar a culpa daqueles que não ouvem ou não creem no evangelho. Ensinar outra coisa é negar o sangue de Jesus Cristo e sua obediência perfeita como o único caminho de salvação, zombando dele e de sua cruz.

3. A punição. Romanos 1.22-32 revela as consequências do pecado na vida do ser humano, que tiveram a oportunidade de glorificar a Deus, mas não o fizeram, e agora colhem os maus frutos dessa obstinação. Em três ocasiões, diz-se que “Deus entregou” os homens. Ele os “entregou [...] à imundícia (Rm 1.24), às paixões infames (Rm 1.26) e à uma disposição mental reprovável (Rm 1.28). Em outras palavras, a ira de Deus se voltou contra toda a personalidade do ser humano. Como forma de castigo por nossas impiedades, Deus pode fazer cair fogo do céu, como já fez em outros tempos; mas a pior forma de sermos julgados, é Deus abandonar o homem à sua própria concupiscência. É totalmente desnecessário, aqui, entrar em infindável discussão sobre como Deus entrega os homens à vida de iniquidade. É deveras certo que ele não só permite que os homens caiam em pecado, aprovando que vivam assim, fingindo não ver sua queda, mas também o ordena por seu justo juízo, de modo que são forçosamente conduzidos a tal loucura, não só por seus desejos maus, mas também motivados pelo Diabo. Paulo, pois, adota o termo entregar em concordância com o constante uso da Escritura. Aqueles que acreditam que somos levados a pecar tão-somente pela permissão divina provocam forte violência contra esta palavra, pois, como Satanás é o ministro da ira divina, bem como seu ‘executor’, ele também se acha fortemente armado contra nós, não simplesmente na aparência, mas segundo as ordens de seu Juiz. Deus, contudo, não deve ser tido na conta de cruel, nem somos nós inocentes, visto que o apóstolo claramente mostra que somos entregues a seu poder somente quando merecemos tal punição. Uma única exceção deve-se fazer, ou, seja: que a causa do pecado, suas raízes, sempre reside no próprio pecador; não têm sua origem em Deus, pois resulta sempre verdadeiro que “Tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim teu socorro” [Os 13.9]. O juízo mais severo de Deus é dar ao homem o que ele quer (Rm 1.24,26,28). Não há castigo maior para o homem do que Deus o entregar a si mesmo. Deus pergunta: "É isso que você quer? Seja feita a sua vontade". Esse é o maior juízo de Deus, entregar o homem a si mesmo, à sua própria vontade. Os homens que tanto amam o esgoto do pecado são enviados para lá; o que querem, eles terão. A humanidade é como um caminhão que desce ladeira abaixo. Deus está com o pé no freio, e o homem, com o pé no acelerador. Deus quer evitar a tragédia, e o homem acelera rumo ao abismo, até o momento que Deus tira o pé do breque e esse caminhão avança desgovernado para uma terrível tragédia. O que acontece é que Deus tira a culpa. O homem consegue pecar e a consciência não o acusa mais. Aí ele se gloria no pecado e aplaude o vício. As pessoas mergulham no pântano mais asqueroso da imoralidade e se corrompem ao extremo sem nenhum constrangimento, isso é o juízo de Deus. Por que Deus não manda fogo e enxofre como fez com Sodoma e Gomorra? Pior é entregar o pecador ao fogo do seu coração, preparando-o para o fogo do juízo.

II – A   NECESSIDADE DE SALVAÇÃO DOS JUDEUS (Rm 2.1-3.8)

1. Os judeus em relação aos gentios. Paulo defende a tese nos três primeiros capítulos de que tanto os gentios como os judeus são culpados diante de Deus em virtude da revelação que receberam. Os judeus receberam a revelação especial, as Escrituras; e os gentios, a revelação natural. Por não viverem de acordo com a revelação recebida, ambos são indesculpáveis perante Deus. Tanto os gentios como os judeus são culpados por não viverem em conformidade com o conhecimento recebido. Os dois grupos têm algum conhecimento de Deus como Criador (Rm 1.20) ou Juiz (Rm 1.32; 2.2), e ambos contradizem com o seu comportamento, o conhecimento que possuem. O fato de que o julgamento de Deus será justo (de acordo com o que fizemos, Rm 2.6-8) e imparcial (entre judeus e gentios, sem favoritismo, Rm 2.9-11) é desenvolvido por Paulo agora em relação à lei mosaica, mencionada aqui pela primeira vez e que terá um papel proeminente no resto da carta. Naquilo que se segue, Paulo volta-se para um representante imaginário (diatribe) de um grupo real e identificável de pessoas. Embora ele tenha especificado os judeus apenas, provavelmente ele já os tivesse em mente antes. Eles concordam com a declaração paulina sobre a ira de Deus, mas supõem-se a salvo dessa ira. Judeus e gentios parecem diferir fundamentalmente um do outro no fato de que os judeus ouvem a lei (Rm 2.13), possuindo-a e ouvindo a sua leitura na sinagoga todo sábado, enquanto os gentios não têm a lei (Rm 2.14). Esta não lhes foi revelada nem foi dada a eles. No entanto, insiste Paulo, pode ser que haja exagero nessa diferenciação. Afinal, não existe entre eles qualquer distinção fundamental no que diz respeito ao conhecimento moral que possuem (já que as exigências da lei estão gravadas em todos os corações humanos, 15), ou ao pecado que eles cometeram (desobedecendo a lei que conheciam), ou à culpa em que incorreram, ou ao julgamento que receberão.

2. Os judeus em relação à Lei. Outro aspecto da argumentação do apóstolo Paulo em relação aos judeus encontra-se em Romanos 2.17-29. Paulo pergunta: Os judeus aos quais a lei foi dada também estão perdidos?”. A resposta, evidentemente, é afirmativa. Por certo, muitos judeus consideravam-se imunes ao julgamento de Deus. A seu ver, Deus jamais condenaria um judeu ao inferno; os gentios, em contrapartida, eram tidos como o combustível das chamas infernais. Paulo termina com essa pretensão mostrando que, em determinadas circunstâncias, os gentios podem estar mais próximos de Deus que os judeus. O versículo 21 do capítulo 2 de Romanos coloca os judeus e gentios na mesma categoria de pecado de mote. Paulo faz duas colocações paralelas, ambas começando com as palavras todo aquele que pecar. O verbo, no entanto, está no tempo aoristo e sua tradução deveria ser "todos os que pecaram" (hemarton), como se lê na tradução de Almeida. Paulo está resumindo a vida de peado deles sob a perspectiva do dia final. O argumento que ele apresenta é que todos os que pecaram perecerão ou serão julgados, indiferentemente de serem judeus ou gentios, isto é, quer tenham a lei mosaica, quer não. Todos os que pecaram sem lei (gentios), sem lei também perecerão (12a). Eles não serão julgados por um padrão que não conheceram. Perecerão em virtude do seu pecado, não por ignorarem a lei. De semelhante modo, todo aquele que pecar sob a lei (os judeus), pela lei será julgado (12b). Eles também serão julgados por um padrão que conhecem. Não haverá dois pesos e duas medidas: Deus será absolutamente justo em seu julgamento. Se pecou conhecendo a lei, ou se pecou ignorando a lei, o julgamento será de acordo com o pecado de cada um. "A base do julgamento são as suas obras; a regra do julgamento é o seu conhecimento" e se eles viveram de acordo com tal conhecimento. Porque não são os que ouvem a lei que são justos ao olhos de Deus; mas os que obedecem à lei, estes são declarados justos. Esta é naturalmente uma afirmação teórica ou hipotética, já que nenhum ser humano chegou a cumprir totalmente a lei (cf. Romanos 3.20). Portanto não existe nenhuma possibilidade de salvação por esse caminho. Mas Paulo está escrevendo sobre o julgamento e não sobre a salvação. Ele está enfatizando que a própria lei não dava aos judeus garantida de imunidade no julgamento, como eles pensavam, pois importante não era ter a lei, mas obedecê-la.

3. Os judeus em relação à aliança. A identidade dos judeus como povo escolhido é algo bem definido nas Escrituras Sagradas. Desde a sua criação como nação eleita, Israel foi identificado como povo de Deus (Ex 19.5). Os judeus estavam em posição vantajosa, porém eram culpados. A lei e a circuncisão não lhes serviam como garantia de sua identidade como povo de Deus. Aos olhos dos judeus, entretanto, isso parecia colocar em dúvida a aliança, as promessas e o próprio caráter de Deus. Ao revelar a sua vontade numa aliança especial, Deus deu aos judeus uma grande vantagem. O problema dos judeus não veio da parte de Deus. A incredulidade deles trouxe a condenação (3-5). Independente da falta de fé por parte dos homens, Deus continua sendo fiel. Ele é verdadeiro, mesmo se todo homem for mentiroso. Quando reconhecemos o nosso pecado, exaltamos a justiça de Deus. Se há alguma falha na relação de Deus com os homens, a culpa certamente é dos homens. O final do versículo 4 vem da versão grega de Salmo 51.4, uma passagem que mostra que a confissão do pecado do homem glorifica a Deus e realça a santidade e a justiça dele (compare Josué 7.19-20). Deus é justo em castigar os judeus (5-8). Foi fácil para os israelitas enxergar a injustiça dos gentios e concluir que aqueles pecadores merecessem o castigo. Reconhecer o seu próprio pecado foi muito mais difícil. Se Deus não aplicar a sua lei com justiça aos judeus, ele não teria direito de castigar os gentios (5-6). Entendendo que a santidade de Deus fica mais evidente quando comparada à injustiça do homem, alguém poderia tentar justificar o pecado para dar mais glória a Deus. Paulo rejeita tal raciocínio, dizendo que pessoas que pensam assim merecem o castigo (7-8).
     
III – A NECESSIDADE DA SALVAÇÃO DA HUMANIDADE (Rm 3.9-20)

1. A universalidade e o jugo do pecado. A argumentação de Paulo em Romanos 3.9-20 é: todos os homens são culpados diante de Deus, todos estão debaixo da condenação do pecado (Rm 3.9). Paulo é enfático no seu diagnóstico acerca do estado deplorável em que se encontra o ser humano. O pecado atingiu todo o seu ser: corpo e alma. O pecado enfiou seus tentáculos em todas as áreas de sua vida: razão, emoção e volição. Todo o seu ser está rendido ao pecado e a serviço do pecado. O homem está chagado da cabeça aos pés. A conseqüência do pecado de Adão é que herdamos uma natureza pecaminosa, decaída. Isto não significa que todos os que não são cristãos vivem uma vida imoral, mas que cada um é pecador e deve se conscientizar acerca disso, pois o apóstolo Paulo falando dos gentios afirmou que estes ainda “... que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rm 2.14,15). Jeremias, diz: "De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3.39); Salomão tinha consciência da universalidade do pecado e em sua oração, na dedicação do templo, afirmou: "Quando pecarem contra ti, pois não há homem que não peque..." (1 Rs 8.46); Também Davi entendeu esta verdade, quando afirmou: "Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um" (Sl 53.3). Paulo confirmou a doutrina da universalidade do pecado – "Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer" (Rm 3.9-10). Também João foi enfático, afirmando: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (1 Jo 1.9,10). No seu caráter universal o pecado e a morte nivelam todos os homens – "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram" (Rm 5.12). "Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos" (Ro 5.19).

2. Valores e comportamentos. Na argumentação de Paulo em Romanos 3.10-18 podemos ver a depravação total da humanidade na distorção e perversão do seu relacionamento com Deus (Rm 3.10-12), consigo (Rm 3.13,14) e com o próximo (Rm 3.15-17). Nenhum ser humano peca sozinho. O pecado sempre fará parte de uma rebelião cósmica contra Deus e contra a retidão. 1 Jo 5.18 enfaticamente assevera que aquele que “pratica o pecado” é do diabo. Esse ser maligno é intitulado “deus deste mundo”, 2 Co 4.4, e muitos são seus súditos e escravos. Será necessária uma providência cósmica para remover o pecado, e o julgamento tomará conta disso. Alguns textos em Salmos demonstram que o homem não é pecador porque peca mas que ele peca porque é pecador: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu a minha mãe” (Sl 51.5). “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras” (Sl 58.3). “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há um sequer” (Sl 14.3). Tais textos demonstram uma das formas da universalidade do pecado se manifestar: o pecado original ou congênito, que é a natureza pecaminosa que todo ser humano herda ao nascer. A natureza pecaminosa é a capacidade e inclinação humana para fazer tudo aquilo que nos torna reprováveis aos olhos de Deus. Embora as forças satânicas forneçam a agitação (ou tentação para o pecado, cf. Ef 6.11ss.), o indivíduo é responsável pelas suas ações, e, portanto, ele é convocado a arrepender-se. O homem não pode alterar o quadro cósmico, mas pode ser pessoalmente redimido. Se fomos gerados em pecado, somos pecadores. Se o homem não reconhecer que é pecador, jamais poderá ser salvo, porque Jesus veio para salvar os pecadores (Lc 19.10). Esta é a segunda natureza do pecado: o pecado ativo ou direto, que são os pecados cometidos inconsciente ou conscientemente pelo homem. A natureza pecaminosa conduz o homem a uma depravação total (cf. Rm 1), e a uma absoluta falta de mérito perante o seu Criador. A consequência do pecado é a morte. Concluindo, a aceitação teológica reúne a interpretação do “pecado original”, onde todos os homens participam do pecado “em Adão” (e contra esse pecado é que o juízo foi proferido) com a interpretação de que cada indivíduo tem o seu próprio pecado. Ambas as modalidades o condenam.

CONCLUSÃO

A explicação bíblica sobre a universalidade do pecado está em que Adão e Eva, pessoas humanas literais, foram criados em estado de inocência, por um ato divino. Em seguida, foram tentados, e caíram no pecado. Isso impôs a mortalidade, a degradação e a desintegração. Esse ato de pecado, e seu estado resultante, foram então transferidos para a raça humana inteira, devido à conexão da raça com Adão. Isso está em consonância com os princípios ensinados em Romanos 2.6: o de que cada um será finalmente julgado de acordo com suas próprias obras. O pecado de Adão é a raiz; os pecados da humanidade são os ramos; os pecados individuais são os frutos. A sentença de julgamento recai sobre a árvore inteira, e não apenas sobre uma parte da mesma. Diante de tudo que foi visto até aqui, concluímos que a necessidade universal da salvação em Cristo Jesus é urgente e essencial. O homem está sob a ira de Deus, por isso precisa de salvação. Não precisamos de nenhum guia espiritual ou do exemplo inspirador de algum mártir. Precisamos de um Salvador real, porque estamos sob a ira real de Deus. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23).


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