domingo, 20 de dezembro de 2015

Lição 13 – José, A Realidade de Um Sonho

SUBSÍDIO PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL.

4º Trimestre/2015

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 45.1-8

TEXTO ÁUREO: “E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um varão como este, em quem haja o Espírito de Deus?” (Gn 41.38).

INTRODUÇÃO

Com esta Aula concluímos o estudo do livro de Gênesis, concernente aos temas e tópicos propostos. Na Aula de hoje estudaremos a respeito da vida de José. Veremos preciosas lições que este valoroso jovem deixou como legado para todas as pessoas que sonham os sonhos de Deus. De todos os filhos de Jacó, José é, de longe, o mais focalizado pelo texto sagrado, pois, além de ter sido o instrumento de Deus para que Israel viesse a se tornar uma nação, também é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo distanciado de Deus. O seu testemunho nos mostra a possibilidade de o homem manter-se, sob a graça divina, íntegro, independentemente da idade e das circunstâncias que o envolvam.
Ele foi o mais próximo tipo de Cristo na Bíblia: amado pelo pai e invejado pelos irmãos; vendido por vinte moedas de prata; desceu ao Egito em tempos de prova; perseguido injustamente; abandonado pelo amigo; exaltado depois da aflição; salvador de seu povo.
Milhões ao longo dos séculos foram salvos com a história desse jovem valoroso. Seus atos pregam com muita contundência e penetração como deve ser o comportamento de um verdadeiro homem de Deus, mesmo que tenha que passar por dolorosas provações. José teve como principal meta não perder a comunhão com seu Deus, pois sabia que no tempo certo Deus lhe daria a recompensa pela sua fidelidade. Ele foi um homem fiel a seus pais, a seus superiores e a Deus. Ele foi fiel na adversidade e na prosperidade. Sigamos, pois, o seu exemplo!

I. A HISTÓRIA DE JOSÉ

José, filho de Jacó e de Raquel, ocupa a posição central na narrativa do livro do Gênesis, a partir do capítulo 37, parte conhecida pelos estudiosos das Escrituras como “o ciclo de José”.
José enfrentou terríveis provações: foi desprezado e abandonado pelos seus irmãos, vendido como escravo, exposto à tentação sexual e punido por fazer a coisa certa; suportou um longo período de encarceramento e foi esquecido por aqueles a quem ajudou. Mas José não passava muito tempo tentando saber os motivos de suas provas. Sua atitude era: “o que devo fazer agora?”. Os que conheceram José logo perceberam que Deus estava com ele em qualquer coisa que fizesse ou onde quer que fosse.
Quando você estiver enfrentado um contratempo, o primeiro passo para uma atitude semelhante a de José é reconhecer que Deus está no controle de tudo e que Ele está com você. Não há nada como a presença dEle para derramar nova luz sobre a situação escura. Ao ler a história de José, note o que ele fez e cada situação. Sua atitude positiva transformou todo contratempo em progresso.

1. Filho da afeição. (Gn 37.3) José é mencionado, pela vez primeira, nas Escrituras Sagradas, em Gn 30.24, quando se noticia o seu nascimento miraculoso em Padã-Arã (Gn 28.2; 30.22-24). Raquel, sua mãe e a mulher predileta de Jacó, por quem o velho patriarca havia trabalhado para Labão durante quatorze anos, era estéril. Entretanto, Deus lhe abriu a madre e José nasceu, revelando, desde logo, que se tratava de uma pessoa com uma missão especial no plano divino para a salvação do homem. Seu nome, em hebraico, significa “Deus acrescenta” ou “aquele que acrescenta”, nome dado por Raquel para expressar ao Senhor seu desejo de ter mais um filho, desejo que foi atendido, embora Raquel tenha morrido neste seu segundo parto (Gn 35.16-19).
A vida de José é narrada nos capítulos 37 a 50 de Gênesis. Jacó amava mais a José do que a todos os seus filhos (Gn 37.3), porque era filho da sua velhice, razão pela qual fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e não lhe podiam falar pacificamente(Gn 37.4).


2. Filho da decisão. Raquel, a mãe de José teve a criança depois de anos de esterilidade (Gn 30.22). Jacó tinha 91 anos quando José nasceu. Deus, então, manda Jacó voltar à terra de seus pais. Atendendo as orientações de Deus, Jacó partiu de Padã-Arã com toda a sua família, para voltar à terra de Canaã (Gn 31.17 e 18). A partida de Jacó e seus filhos de Padã-Arã prenuncia o Êxodo das doze tribos de Israel do Egito; Eles vão, não porque o filho do coração mexeu com a alma do patriarca, mas sim, em resposta a um chamado de Deus para a dorar na terra de Canaã (Êx 3.13-18); eles despojaram o inimigo de sua riqueza (Êx 12.35,36); eles são perseguidos por forças superiores e salvos por intervenção divina (Êx 14.5-31). Estes exemplos do Antigo Testamento apontam para a peregrinação do Novo Israel, a Igreja (veja 1 Co 10.1-4). Durante sua viagem de retorno à Canaã, Jacó morou em Sucote e depois em Siquém (Gn 33.17-19). Mais tarde foi morar em Betel (Gn 35.1, 5 e 6). Em Betel o próprio Deus anunciou ao idoso Jacó a mudança de seu nome, que passou a ser chamado de - Israel: “aquele que luta com Deus” (Gênesis 35.10). Posteriormente, em caminho de Betel para Efrate (Belém), morreu Raquel, mãe de José, ao dar à luz Benjamim (Gênesis 35.19).

3. Filho dos sonhos. (Gn 37.5-11) José, aos dezessete anos de idade, teve um sonho e contou a seus irmãos. Ele lhes disse: "Estávamos nós atando molhos no campo e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho". Responderam-lhe seus irmãos: "Tu, pois, reinarás sobre nós e deveras terás domínio sobre nós?". Por causa dos seus sonhos e das suas palavras o odiavam ainda mais.
Neste primeiro sonho, temos que José se dirige apenas a seus irmãos, até porque o sonho envolve tão somente ele e seus irmãos. Aqui, José revela imaturidade, o que é próprio para quem tinha a sua idade. José deveria ter guardado o sonho para si ou, quem sabe, pedir a seu pai, que, certamente, já lhe dissera a respeito das experiências que tivera com o Senhor, inclusive a visão em Betel, alguma orientação. Entretanto, José quis, com o sonho, alterar a sua posição diante de seus irmãos; não tinha percebido que não é desta maneira que alguém se impõe. Não é por força, nem por violência, mas pelo Espírito Santo que uma liderança escolhida por Deus se impõe aos demais (cf. Zc 4.6). Esta experiência José ainda não possuía e deveria aprendê-la nas diversas fases de sua vida.
Teve José outro sonho e o contou diante de seus irmãos, dizendo: "Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim”. Os irmãos o odiaram por causa do sonho e seu pai repreendeu-o porque entendeu que, segundo o sonho, todos eles viriam a inclinar-se com o rosto em terra diante dele. Jacó repreendendo a José, não porque não cresse nos sonhos, mas pela própria inexperiência do filho, tanto que o velho patriarca guardou estas coisas em seu coração (Gn 37.11). Entretanto, os sonhos apenas aguçaram a beligerância entre José e seus irmãos, cuja inveja já era, então, notória e explícita.
Apesar da imprudência de José no tocante às revelações recebidas da parte de Deus, verdade é que era necessário, no plano divino, que ele contasse os sonhos a seus irmãos, para que se tivesse a situação que o levou ao Egito como escravo; mas isto nos serve de lição para que tenhamos muita prudência e cuidado no que toca à divulgação de nosso relacionamento com o Senhor. Há um espaço de intimidade entre o crente e o Senhor (Mt 6.6; Ap 2.17), espaço este que não deve ser divulgado a ninguém, a menos que haja uma determinação neste sentido da parte do Senhor. Não podemos nos esquecer que vivemos num mundo mau e que nem todos são nossos amigos, bem como que o nosso inimigo sempre está ao nosso derredor, buscando a quem possa tragar (1 Pedro 5.8).
Os sonhos de José eram os sonhos de Deus, mas, inicialmente, seus sonhos não o levaram ao pódio, mas à cisterna; seus sonhos não o fizeram um vencedor, mas um escravo; seus sonhos não o levaram de imediato ao trono, mas à prisão. Porém, José soube esperar pacientemente o tempo de Deus. Ele compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa.
Depois do choro, vem a alegria; depois das lágrimas, vem o consolo; depois do deserto, vem a Terra Prometida; depois da humilhação, vem a exaltação; depois da cruz, vem a coroa; depois da prisão, vem o trono. José confiou em Deus, e seus sonhos foram realizados.

4. José sofreu a dor do desprezo e do abandono. (Gn 37.24,25) José era o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de Raquel, sua amada (Gn 49.22). Benjamim era o mais jovem de todos (Gn 49.27). Rubens, o primogênito, era instável, imoral e intempestivo (Gn 35.22; 49.4). Simeão e Levi eram violentos, cruéis e vingativos (Gn 34.25-29; 49.5,7). Porém, uma coisa eles tinham em comum: todos invejavam José e procuravam ocasião para matá-lo (Gn 37.11,18,20). Totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matar José (Gn 37.18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn 37.18-21). José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele. Ele foi desprezado e abandonado por aqueles que deveriam protegê-lo.
José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e é posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn 37.24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos.
A despeito de tudo isso, aprendemos uma lição importante: um líder precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente de Deus. Era esta a primeira lição que Deus dava a José e uma lição que dá a cada um de Seus servos que tem chamado para fazer parte de Sua Igreja. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas.

II. UM ESCRAVO CHAMADO JOSÉ

José, de filho predileto, torna-se uma mercadoria, um escravo. Mas, a Bíblia diz que Deus era com ele (At 7.9).

1. O preço de um jovem. “Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram, e alçaram a José da cova, e venderam José por vinte moedas de prata aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito” (Gn 39.28).
Judá livra José da morte, convencendo seus irmãos a vendê-lo a mercadores do deserto, ismaelitas e/ou midianitas (Gn 37.27,28). José foi vendido por vinte moedas de prata, abaixo da cotação do mercado para aquisição de um escravo (cf. Êx 21.32). José foi tratado como uma mercadoria, um objeto descartável, “mas Deus era com Ele” (At 7.9).
José foi levado para o Egito, a potência política da época, onde foi vendido a Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda (Gn 37.36). No Egito, inicia-se a segunda fase da vida de José. Não era mais agora o filho predileto na casa de seu pai, mas um escravo em terra estrangeira. Deus já mostra a Sua presença ao fazer com que José seja comprado por um alto funcionário da corte de Faraó. Potifar era o capitão da guarda, o encarregado da segurança de Faraó e de seus palácios, de modo que José é introduzido, ainda que na condição de escravo, num ambiente privilegiado.
Apesar de ter perdido a condição de filho predileto na casa de seu pai e de, agora, ser um escravo em terra estrangeira, José não havia perdido a companhia do Senhor. O texto sagrado é enfático ao afirmar que “o Senhor estava com José” (Gn 39.2). E por que Deus estava com ele? Porque José se manteve fiel ao Senhor. Como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”(Sl 145.18). José servia verdadeiramente a Deus, adorava a Deus pelo que Ele é, não pelo que Ele fazia ou deixava de fazer e, por isso, o Senhor estava com ele.
José decidira servir a Deus, mesmo em uma situação tão difícil, em terra estranha, longe de sua família, traído pelos seus irmãos. Apesar disso, ele mantém a mesma posição diante de Deus: integridade e lealdade. Continuou a servi-lo, a amá-lo, pois amar a Deus é fazer o que Ele manda (João 14.5; 15.14).
Temos sido íntegros em nosso viver? Servimos a Deus tanto na alegria como na tristeza, tanto quando estamos em uma situação privilegiada, como José na casa de Jacó, quanto quando estamos como escravos em terra estrangeira, completamente sós e desamparados? Temos o mesmo sentimento que teve o patriarca Jó: “… receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2.10). Isto é ser íntegro; isto é ter o coração inteiramente dedicado a Deus, render-lhe exclusiva adoração, não importando com nada que esteja à nossa volta, as chamadas “circunstâncias”. É esta a ordem divina para os Seus servos: “… andai no temor do Senhor com fidelidade e com coração inteiro” (2 Cr 19.9). Israel teve um rei por nome Amazias, que não serviu ao Senhor de coração inteiro (2 Cr 25.2), motivo pelo qual teve grandes fracassos em sua vida.

2. A pureza de um jovem. No Egito José mostrou ser um diligente e fidedigno escravo, granjeando o respeito e a confiança de seu novo dono. Vendo Potifar que Deus era com José, fazendo prosperar em sua mão tudo quanto ele empreendia (Gn 39.3), decidiu Potifar promovê-lo a supervisor, com responsabilidade sobre todas as questões domésticas. Em Gn 39.2, o texto afirma: "O Senhor era com José que veio a ser homem próspero..." Ainda que isto se refira a tornar-se materialmente próspero, José era também, certamente, bem sucedido espiritualmente. Uma das lições que pode ser aprendida conforme a história se desenvolve é que até mesmo uma pessoa espiritualmente bem sucedida não está isenta da tentação. Paulo adverte: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia" (1Co 10.12). Precisamos estar sempre em guarda contra as manobras de Satanás. (Gn 39.7-12) Mas, quando tudo parecia estar bem na vida de José, surge a tentação. A mulher de Potifar quis deitar-se com José, pois ele era formoso de parecer e formoso à vista (Gn 39.6). José resistiu a esta oferta, não aceitando deitar-se com a mulher de seu senhor. Em primeiro lugar, porque era fiel a Deus e sabia que uma relação sexual fora do casamento estava fora da vontade divina. Em segundo lugar, José sabia o seu lugar: “estava na casa do seu senhor” e, por isso, bem sabia que a mulher de Potifar não se encontrava entre os bens que lhe haviam sido confiados (Gn 39.9). Em terceiro lugar, porque o adultério é um grande mal e um terrível pecado contra Deus (Gn 39.9). Vemos, assim, mais um sinal de integridade na vida de José.
Humanamente pensando, José nada teria a perder em aceitar esta oferta. Era rapaz jovem vigoroso e a mulher de seu senhor não devia ser feia. A tentação era realmente forte e, além do mais, Potifar lhe tinha absoluta confiança. No dia em que sofreu o ataque mais decidido da mulher de Potifar, não havia sequer uma testemunha que o pudesse incriminar. Entretanto, José não tinha a dimensão humana em vista, mas tão somente a dimensão divina.
José podia usar outro argumento para justificar a sua queda moral: ele era escravo. Ele podia pensar que não tinha nada a perder e, ainda, um escravo só tem que obedecer. Entretanto, José entendeu que Potifar lhe havia confiado tudo em sua casa, menos sua mulher. José sabia que a traição conjugal é uma facada nas costas, uma deslealdade que abre feridas incuráveis. Ele estava pronto a perder sua liberdade, mas não a sua consciência pura. Estava pronto a morrer, mas não a pecar. José preferiu estar na prisão, com a consciência limpa, a estar em liberdade na cama da mulher com a consciência culpada. Ele perdeu a liberdade, mas não a dignidade.
José manteve-se firme: por entender a presença de Deus em sua vida (Gn 39.2,3); por entender a bênção de Deus em sua vida (Gn 39.5); por entender que o adultério é maldade contra o cônjuge traído (Gn 39.9) e um grave pecado contra Deus (Gn 39.9).
Em relação às paixões carnais, o segredo da vitória não é resistir, mas fugir. José fugiu (Gn 39.12). E, mesmo indo para a prisão, escapou da maior de todas as prisões: a prisão da culpa e do pecado.
O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade, está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

3. A prisão de um jovem. Interessante notar que, tivesse Potifar acreditado na acusação feita pela esposa, de que José havia tentado contra sua honra, indubitavelmente a punição teria sido a morte. Há, ainda, outra lição a ser colhida: o registro inspirado informa-nos que a esposa de Potifar instigou José não uma só vez, mas antes "todos os dias" (versículo 10). Isto significa que ela tentou seduzi-lo tanto quando ele estava fraco como quando ele estava forte. Algumas das mais fortes tentações da vida são aquelas que ocorrem "todos os dias". Na prisão, José foi tratado com grande severidade pelos seus carcereiros. A respeito dele disse o salmista: “Feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferros, até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra de Deus o provou.” (Sl 105.18 e 19). Na prisão Deus mais uma vez intervém. O capitão da guarda, por causa da conduta exemplar de José, deu-lhe um cargo de confiança sobre os outros presos, inclusive dois de considerável importância, lançados posteriormente na mesma prisão: o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.

4. José prospera, a despeito das adversidades. “E o SENHOR estava com José, e foi varão próspero...” (Gn 39.2).
Em virtude de sua fidelidade a Deus em uma situação tão adversa, José foi um varão próspero (Gn 39.2,3). Ele não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa - “Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão, José achou graça a seus olhos e servia-o; e ele o pôs sobre a sua casa e entregou na sua mão tudo o que tinha” (Gn 39.3,4).
José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt 5.16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos.

5. A intervenção de Deus por José. “e livrou-o de todas as suas tribulações e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (At 7.10). Deus não nos livra de sermos humilhados, mas nos exalta em tempo oportuno. Deus exaltou José depois da humilhação e do sofrimento. Podemos verificar essa ação de Deus na vida de José de três formas:

a) Deus livrou José de todas suas aflições (At 7.10a) – “e livrou-o de todas as suas tribulações...”. Vida cristã não é ausência de aflição, mas livramento nas aflições. Depois da tempestade, vem a bonança. Depois do choro, vem a alegria.  Depois do vale, vem o monte. Depois do deserto, vem a terra prometida. Assim como Deus livrou José de todas as suas aflições, Ele é poderoso: para enxugar nossas lágrimas; para aliviar nosso fardo; para acalmar as tempestades de nosso coração; para trazer bonança para nossa vida e nos dar um tempo de refrigério.

b) Deus deu a José graça e sabedoria (At 7.10b) – “...e lhe deu graça e sabedoria ante faraó, rei do Egito...”. Deus deu graça e sabedoria a José: para entender o que ninguém entendia; para ver o que ninguém via; para discernir o que ninguém compreendia; para trazer soluções a problemas que ninguém previa. O futuro do Egito e do mundo foi revelado a José por meio do sonho do Faraó. Em José, havia o Espírito de Deus. Por meio da palavra de José, o mundo não entrou em colapso. Por expediente de José, a crise que poderia desabar sobre o Egito e as nações vizinhas foi transformada em oportunidade para Deus cumprir seus gloriosos propósitos na vida de seu povo.

c) Deus galardoou José e o fez instrumento de bênção para os outros (At 7.10c) – “...que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa”. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, diz a palavra de Deus. Deus usou José para salvar a vida de sua família. José foi o instrumento que Deus levantou para salvar o mundo da fome e da morte.


III – UM LUGAR DE REFÚGIO PARA ISRAEL

1. O intérprete de sonhos. Certo dia, quando fazia sua ronda costumeira, José notou que os prisioneiros mais ilustres, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros de Faraó, ambos tinham uma expressão muito preocupada. Eles disseram que haviam tido um sonho estranho e que não podiam compreender o seu significado. Depois de atribuir a interpretação a Deus, José fez saber a eles a significação: em três dias o chefe dos copeiros seria reintegrado à sua antiga posição, e daria o copo nas mãos de Faraó, como fazia antes. O diligente José pediu ao chefe dos copeiros que se lembrasse dele quando estivesse de volta à corte, pedindo ao Faraó a sua libertação. Quanto ao chefe dos padeiros, em três dias este seria condenado à morte por ordem do rei. E assim aconteceu. “No terceiro dia, que era aniversário de nascimento de Faraó, deu este um banquete a todos os seus servos; e, no meio destes reabilitou o copeiro chefe, mas ao padeiro chefe enforcou, como José lhes havia interpretado.” (Gn 40.20-22).

2. Um economista de excelência. O escravo liberto, agora com 30 anos de idade (Gênesis 41.46), após 13 anos de servidão, foi ritualmente adotado pela corte, recebendo um nome egípcio: Zafenate-Panéia. Também como recompensa, Faraó deu-lhe por mulher Asenate, filha de um sacerdote de Om cidade chamada posteriormente de Heliópolis, o centro do culto ao sol. No devido tempo, os acontecimentos se passaram precisamente como José previra. Durante os primeiros sete anos, José se assegurou de que as abundantes colheitas de grãos em seu país de adoção fossem estocadas. Durante esse período, José tem desfrutado de prestígio e riqueza, bem como de felicidade pessoal. Asenate, sua mulher, deu à luz dois filhos, que receberam os nomes de Manassés e Efraim.

3. O salvador de seu povo. Mesmo com a ascensão demorada de José, que era cárcere e, depois de Deus o usar como intérprete para os sonhos do Faraó Ramsés, se tornar o 2º na terra do Egito, nunca foi vista uma mudança de ego em José. Após o encontro com sua família, José arranjou a melhor terra no Egito para que sua família morasse. José viveu muitos anos no Egito até sua morte com 110 anos (Gn 50.22), mas nunca se esqueceu da aliança de Deus para o povo de Israel. Essa aliança foi a de que a terra de Canaã, onde morava seu pai Jacó, seria dada à Abraão e seus descendentes. Antes de sua morte, José pediu para que fosse enterrado na Terra de Canaã, pois era a Terra que Deus tinha dado a Abraão e seus descendentes por herança.

IV – LIÇÕES DA CONDUTA DE JOSÉ PARA AS NOSSAS VIDAS

1. Prioridade na Comunhão com Deus. José, em todos os momentos de sua vida, foi uma pessoa que se preocupou em agradar, sobretudo, a Deus, em ter como prioridade o seu relacionamento com Deus. José priorizou este relacionamento com o Senhor e não esmoreceu mesmo quando foi repreendido por seu pai, por causa de um sonho que teve da parte do Senhor ou quando foi para a prisão por ter se recusado a violar a lei do Senhor ante a oferta de adultério por parte da mulher de seu senhor. Esta dedicação extrema ao Senhor, devoção, piedade e integridade é, sem dúvida, uma das mais preciosas lições que extraímos da vida de José. Pensamos nas coisas que são de cima (Cl 3.1,2)? Estamos realmente mortos para o mundo (Rm 6.2; Cl 3.3)? Não mais vivemos, mas Cristo vive em nós (Gl 2.20)?

2. Fidelidade a Deus ante as circunstâncias adversas. José foi fiel a Deus, temeu ao Senhor, não importando o que lhe aconteceu ao longo da vida. Foi fiel a Deus na casa de seu pai, como escravo em terra estranha, na casa do cárcere como preso injustiçado e no palácio de Faraó, como governador do Egito. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a sua glória. O Senhor é bem claro em sua carta à igreja de Esmirna: “… Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

3. Disposição para o perdão. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram: os seus irmãos e a mulher de Potifá. Deus não nos poupa de sofrermos injustiças, mas nos dá poder para triunfarmos sobre elas por meio do perdão. José decide perdoar seus irmãos, em vez de buscar a vingança. José resolveu pagar o mal com o bem - “agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” (Gn 50.21).
Perdoar: é cancelar a dívida e não cobrar mais; é deixar o outro livre e ficar livre; é oferecer ao ofensor o seu melhor. O perdão oferece cura para os ofensores e ofendidos.

José deu várias provas de seu perdão:

- Primeiro, deu o nome de Manasses a seu primeiro filho (Gn 41.51) – "Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai". O nome Manasses significa "perdão". José estava apagando de sua memória todo o registro de mágoa e ressentimento. Ele queria celebrar o perdão.

- Segundo, deu a melhor terra do Egito a seus irmãos (Gn 45.18,20). O amor que perdoa é generoso. Ele paga o mal com o bem. Ele busca os meios e as formas para abençoar aqueles que um dia lhe abriram feridas na alma.

- Terceiro, sustentou seus irmãos e seu pai (Gn 47.11,12). Seu perdão não foi apenas uma decisão emocional regada de palavras piedosas, mas um ato deliberado e contínuo que desaguou em atitudes práticas. Ele não apenas zerou a conta do passado, mas fez novos investimentos para o futuro.

- Quarto, tendo poder para retaliar, usa esse poder para abençoar (Gn 50.19-21). Ele olhou para a vida com os olhos de Deus e percebeu que o ato injusto dos irmãos, embora tenha sido praticado com motivações erradas, foi usado por Deus para a salvação de sua família.

4. A prioridade das bênçãos espirituais. José era governador do Egito, o segundo homem do mais poderoso país daquele tempo, homem que desfrutava da plena confiança de Faraó. Seria natural, ainda mais diante da traição sofrida na casa de seu pai, que se apegasse às riquezas do Egito, à sua posição social, ao seu poder político. No entanto, José fez seus irmãos jurarem que levariam seus ossos para Canaã assim que eles retornassem para a Terra Prometida. José não se impressionou com as bênçãos terrenas que recebera, mas mantinha sua esperança na Terra Prometida, ou seja, nas promessas dadas por Deus a Abraão, Isaque e Jacó. O que temos buscado nesta vida? Uma posição social, riqueza, poder? Se esperarmos em Cristo somente nesta vida somos os mais miseráveis dos homens (1 Co 15.19).

5. A humildade de espírito. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Sempre vemos José se apresentando com lealdade e submissão aos seus superiores, consequência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem? Que o Senhor nos dê um caráter qual ao de José. Amém!

CONCLUSÃO

Em nossa vida, estamos sujeitos a passar por tentações, provações e adversidades, elas, de algum modo, servem para moldar o caráter cristão. Diante dos momentos difíceis da vida, precisamos agir com sabedoria e serenidade, sempre dependendo do auxílio divino. Se aprendermos a viver nessa dependência, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn 50.20). Como bem expressa Paulo: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Amém!

REFERÊNCIAS:
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
Bíblia de Estudo Palavra Chave. Rio de Janeiro: CPAD.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
BOYER, Orlando. PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA. Estados Unidos da América: Editora Vida, 1998.
HAMILTON, Victor P. Manuel do Pentateuco.  Rio de Janeiro: CPAD.
http://luloure.blogspot.com.br/
MERRILL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
WALTKE, Bruce K. Gênesis. Editora Cultura Cristã.